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A bem da Nação

LUSOFONIA – 3

 

 UM CONVITE AO SIGNIFICADO
 
 
A DIÁSPORA
 
A cultura portuguesa tem hoje uma dimensão universal pois tivemos que nos fazer à vida – e ao mundo – para ganharmos a dimensão necessária à salvaguarda da Soberania Nacional. E essa dimensão universal desmaterializou-se pois subsiste mesmo já depois de confinados ao território permitido.
 
Assim, foi pensando em Pasárgada que construímos um Império mas foi na realidade da vida que mantivemos a nostalgia da terra natal, ela também entretanto miragem do lugar longínquo, lura para o regresso sonhado.
 
Eis o caminho da diáspora e o do regresso, o sentimento do centro, o culto da origem, a que ganha dimensão com a periferia. Assim andam os portugueses numa permanente peregrinação entre lá e cá.
 
E donde vem esse “formigueiro” que nunca nos deixa parar?
 
Se o povoamento da Europa se fez a partir do Levante como rezam as crónicas, das hordas que chegaram da Ásia seguindo a rota do Sol foram-se uns quantos fixando no caminho e seguindo em frente os demais. Ficavam os que entendiam que para eles bastava de aventura; seguiam os que queriam mais ou que não se acomodavam às normas sedentárias entretanto estabelecidas. Sede de aventura e inconformismo dá uma mistura que não é compatível com a pacatez dos sossegados. E se isto foi acontecendo ao longo dos milhares de léguas que distam da foz do Danúbio ao Cabo da Roca, fácil será compreender o grau de apuramento a que a dita mistura levou os que alcançaram o extremo ocidental e se debruçaram das arribas sobre o mar, nesta parte do mundo a que nos tempos megalíticos chamariam Ofiuza, a terra da serpente.
 
Aqui, onde a terra acaba e o mar começa...
 
 
 
Talvez seja esta a explicação para o queixume do romano Augusto quando se lastimava de que cá nos confins da Ibéria havia um povo que não se governava nem se deixava governar…
(continua)
 
Bragança, 5 de Outubro de 2007 – VI Encontro da Lusofonia
 
 Henrique Salles da Fonseca

3 comentários

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    Henrique Salles da Fonseca 29.11.2009 18:19

    Obrigado Senhor Coronel pela correcção subtil de César em vez de Augusto. Vou corrigir no original.
    Resta a desculpa de que César também foi augusto no sentido magestático.
  • Sem imagem de perfil

    Adriano Lima 29.11.2009 23:52

    Prezado Doutor, fique claro que não o quis corrigir. Não o podia fazer porque não há sequer certeza sobre a figura do Império Romano que proferiu tal afirmação. Uns dizem apenas que foi um imperador romano, outros que foi o Gaius Julius Caeser, outros que foi o pretor Asínio Polião. Sabe-se que César foi nomeado governador da Hispânia Ulterior em 61 a. C., tendo tido especiais problemas com o núcleo da resistência instalado nos Mons Herminius (Serra da Estrela). E sabe-se também que Asínio Polião se seguiu a Caeser na governação da Hispânia Ulterior e que enfrentou muitas rebeliões da Lusitânia mesmo depois da pacificação conseguida por Caeser. Mas diz-se que a afirmação foi escrita em carta dirigida a Roma em que a ilustre pessoa pedia substituição ou manifestava vontade de regressar precisamente por estar farto do tal povo que “nem se governava nem…” Mas Julius Caeser é o mais citado como autor da frase. Talvez um comentarista historiador esclareça melhor.




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