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A bem da Nação

OS BENEFÍCIOS DO PROTECCIONISMO EUROPEU – 1

 

Crise do comércio livre global: como sair?
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A origem da crise é a estagnação da procura interna

Diz-se, ao examinar a crise de 2008, que é uma crise financeira causada em parte pela crise da habitação nos EUA – particularmente pelas famílias menos dignas de crédito (subprime) – e pelos excessos de gananciosos e dos efeitos do slogan populista "todos proprietários!».
 
Quanto ao agravamento em 2009, foi devido à propagação da crise financeira na economia real, expressão muito estranha…

Esta interpretação não está errada mas é parcial pois ignora a verdadeira origem da crise: a dívida das famílias americanas e, mais genericamente, ocidentais.
 
Porquê a dívida, se celebramos os últimos quinze anos de enorme crescimento dos EUA? Devido ao optimismo ilimitado dos americanos, à sua história de crédito, à sofisticação dos “produtos” financeiros disponíveis para as famílias cujo risco foi dividido quase por infinito e em seguida distribuído através de securitização. Mas principalmente porque os salários dos americanos da classe média e baixa não aumentaram com rapidez suficiente para suprir às necessidades de consumo. E o que é verdade nos Estados Unidos é também na Grã-Bretanha, Espanha, Alemanha – onde os salários reais caíram, entre 2000 e 2005 – e até certo ponto em França. Quando se compara a curva do endividamento das famílias com a balança corrente americana percebe-se que o desequilíbrio comercial se amplia à medida que cresce o endividamento familiar [1].

A taxa de crescimento é a conjunção de dois factores: a capacidade tecnológica para aumentar a oferta de bens e serviços; a capacidade sociológica de alargar a procura desses bens e serviços. Esta capacidade sociológica falhou. Num nível estritamente identificado e nacional, em particular, uma empresa não assume a prioridade de reduzir os vencimentos dos seus empregados (v.g. o "compromisso fordista" de aumentar os trabalhadores para que possam comprar carros).
No entanto, no contexto da globalização, os salários são vistos apenas como um custo e, portanto, estagnam. O herdeiro da Ford hoje poderia dizer "Eu não aumento o meu trabalhador porque vai comprar carros no exterior, onde eles são mais baratos porque os salários são mais baixos", é o argumento do Governo francês, para se recusar a fazer um plano de relançamento.

Mas esta estagnação comprime a procura interna e, consequentemente, a procura agregada e o crescimento da economia: o desemprego aumenta em seguida. Aqui reside o problema fundamental: a procura externa não é maior em relação à procura doméstica. Um aumento dos salários e do consumo permitido por um certo retraimento aos produtos estrangeiros pode mais do que compensar as perdas após o fecho de alguns mercados externos.

Embora todos os políticos tenham a boca cheia de palavras relativas a normas regulamentares internas, é urgente regulamentar o comércio mundial e as finanças globais lançando luz sobre os seus efeitos: é moralmente injustificável não lançar na agenda política estas questões que influenciam as vidas de milhões dos nossos concidadãos.
 
(continua)
 
27 de Abril de 2009
 Hakim El Karoui
(banqueiro de investimento, autor de L'avenir d'une exception, ed. Flammarion, 2006; para saber mais, ver http://fr.wikipedia.org/wiki/Hakim_El_Karoui)
 


[1] - Jean-Luc Gréau, L'Avenir du capitalisme , Gallimard, Le Débat, 2005. Ver também: Emmanuel Todd  L'illusion économique , Gallimard, 1999; Après la démocratie, Gallimard 2009 e prefácio de  Système national l'économie politique , de Friedrich List, ed. Poche. Paperback,

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