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A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS XXVII

 

TEOLOGIA DA ECONOMIA II
Parte IV
Conclusões e Soluções
 ... Rops - Charles Baudelaire 

 “Apenas é igual a outro quem prova sê-lo e apenas é digno da liberdade quem a sabe conquistar” Charles Baudelaire

 
Passemos, então, às conclusões e soluções, que, apesar de integradas neste bloco de textos sobre a Encíclica Caritas in Veritate, apenas dizem respeito a nós, particularmente, porque, nestes momentos que vivemos, só a nós interessa.
 
A) Conclusões:
1ª - No que respeita à Liberdade, soubemos conquistá-la, paradoxalmente, através de um movimento militar. Mas, enfim chegados à Liberdade, e, após os primeiros momentos de compreensível euforia colectiva, não soubemos compreendê-la, usá-la, geri-la [1] e respeitá-la. Há solução para isto?
 
2ª - No que se refere à Democracia, o sistema político, necessariamente decorrente da Liberdade instaurada, exigiu a formação de partidos políticos a fim de lhe dar conteúdo. Os partidos (actualmente são 14! – “divide ut regnes[2]) transformaram-se em clubes de interesses e nos seus “salões” instalou-se uma nova “nobreza” constituída por “barões”, “baronetes” e falsos amigalhaços, sem coluna vertebral [3], mais disponíveis para tratar das suas vidinhas do que dos interesses públicos. Elevaram-se, nas surpreendidas estatísticas, os números da incompetência, dos enriquecimentos sem causa, das corrupções, dos crimes económicos e dos “tachos” para os felizes convidados da ceia do senhor orçamento de estado. Há solução para isto?
 
3º - No que concerne ao Sistema Político, vivemos com um modelo que já deu o que tinha a dar. A Constituição da República nasceu torta e blindaram-na, tendenciosa e antidemocraticamente, ao jugo da corrente dominante da altura. Quem se atrevesse a protestar era rotulado de perigoso fascista e nasceu uma nova casta, oriunda do “pára-quedismo antifascista”, e outra, que nasceu do medo, e para fugir aos saneamentos políticos e sobreviver, se acomodou e acobardou, sem fazer ondas. Foi criado um sistema político que já deu conta da sua ineficácia, normas de funcionamento dos partidos e do sistema eleitoral que não se adaptam à nossa mentalidade como povo; regimes de representatividade e de governo que esboroam e dividem a responsabilidade política pessoal por múltiplos escaninhos e onde a culpa se dissimula e morre sempre solteira. Há solução para isto?
 
4º - E, finalmente, quanto aos modelos de governação, privilegiaram-se as políticas de conjuntura (navegar à vista) em detrimento das políticas estruturais. A Democracia ainda não nos trouxe um projecto estruturante e coerente para Portugal Há obra pública feita e reconhece-se que houve algum desenvolvimento, mas, com que custos? Com que coerência? Com que planeamento de médio e longo prazo? O investimento na obra pública traduziu-se no uso e abuso criminoso do incumprimento dos prazos adjudicados, mas, valha-nos isso, existe o cimento e o alcatrão. Está feito! E o investimento, muito menos visível e sem votos, na cultura, na educação? Apadrinhou-se o conceito de que o conhecimento vem de ter muitas matérias divulgadas e ensinadas em muitos livros. As crianças passaram a ir para as escolas com mochilas carregadas de livros; dois três por cada disciplina. E todos os anos os livros são diferentes, para gáudio das Editoras, que, mesmo assim, deixam esgotar as edições por ausência de planeamento e os livros não estão disponíveis a horas. O conhecimento, a cultura, a educação não são dependentes da legislação e das capas dos livros, dependem apenas da selecção de conteúdos adaptados às necessidades de desenvolvimento de cada formando e ao que se quer fazer do país e das cidadãs e cidadãos do futuro. O país não tem economia estável, o seu interior desertificou-se, não é um país agrícola, nem industrializado e a sua produção sedia-se nas zonas industriais das capitais de concelho e de distrito. É muito pouco para trinta e quatro anos de Liberdade. Há solução para isto?
 
Mas há mesmo solução para isto? Há! E não precisamos de salvadores da pátria, nem de descobrir, de novo, a pólvora, basta que copiemos o que outros povos mais desenvolvidos já fizeram, sem hesitações. O recomeço nunca é tardio, basta que recomecemos, mas já... Não cometamos o erro de ficar parados...
 
 
 
A confusão a fraude os erros cometidos
A transparência perdida — o grito
Que não conseguiu atravessar o opaco
O limiar e o linear perdidos

Deverá tudo passar a ser passado
Como projecto falhado e abandonado
Como papel que se atira ao cesto
Como abismo fracasso não esperança
Ou poderemos enfrentar e superar
Recomeçar a partir da página em branco
Como escrita de poema obstinado[4].
 
 
 
(continua)
 
 Luís Santiago
 
[1]A liberdade não consiste em fazer tudo o que se quer, quando isso agride os outros. Mesmo que aquilo que agride os outros seja, para nós, perfeitamente aceitável. Só os ignorantes é que acham que a liberdade é fácil de gerir”.“Somos tão Modernos”, Miguel Sousa Tavares, in Expresso de 2 de Março de 2009;
[2] “Dividir para reinar”. Onde florescem demasiadas opiniões em confronto só se avança se houver inteligência para encontrar e encarar consensos. A divisão abre o caminho ao pensamento autoritário único;
[3] “O português gosta de enganar pela calada aqueles que mandam nele. Mandar é um verbo antigo, vasto, totalitário e infantil, que em princípio na idade adulta devia ser substituído por verbos de maior eficiência e capacidade democrática, como coordenar ou gerir. Verbos que cheiram a trabalho e responsabilidade - e o português tem o olfacto muito apurado. Assim, prefere a clareza do mando, ao qual faz vénias mansas, com os dedos cruzados atrás das costas”. ”O país onde se faz tempo”, Inês Pedrosa, in Expresso de 17 de Junho de 2009:
[4] “Os Erros” poema do período 1974-75 da poetisaSophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisaspág. 46, 4ª edição, revista da Editora Caminho.
 

 

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