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A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS XXV

 

TEOLOGIA DA ECONOMIA II
Parte III
(Continuação)
Tudo e Nada
(O Lucro)
 
Há palavras que trazem com elas um
universo inteiro” José Eduardo Agualusa,
in Barroco Tropical, pág. 42, 2ª Edição,
publicações Dom Quixote.
 
 
Na continuação do texto anterior, quedamo-nos por um conceito, não sofisticado, de Lucro, sendo que é uma mais valia, um rendimento, que acresce ao valor patrimonial que possuímos e que bem gerido e reaplicado tem um efeito multiplicador. É esse acréscimo que torna possível a reprodução dos investimentos e que torna real a riqueza. Mas isto toda a gente sabe. A questão que se deve pôr é, como não podia deixar de ser, para onde vai toda esta riqueza excedente daquela que é aproveitada para ser reinvestida e dar ainda mais Lucro. Pode ir e vai, sem dúvida, para alguns particulares e socialmente apenas tornar muito mais ricos os que já são muitíssimo ricos, ou pode ser usado para minimizar os mais carenciados e essa utilização se bem feita e bem conseguida não desprimora, ofende ou prejudica os mais abastados e tornaria possível cumprir um dos papéis do Estado que é o de organizar, harmonizar e humanizar a vida em Comunidade.
 
Ora, aqui é que está o busílis da questão, onde o rabo da porca se cruza com uma multidiversidade de interesses paralelos e antagónicos e, se torce, torce... Não aponto aqui para teorias do Robin dos Bosques, (não sou primeiro-ministro, sequer ministro das finanças e economia), nem de intervencionismo permanente e institucionalizado do Estado. Assim como não é possível, nos dias de hoje, adoptar as “virtudes” da economia pura de mercado tão ao gosto dos clássicos como Adam Smith, também, não é possível optarmos pelo keynesianismo, mesmo que moderno, tão ao gosto dos neoclássicos de agora. Nem o dirigismo do Estado! Este tem limites e não serve para tudo, nomeadamente, se estão em causa os princípios básicos da nossa Liberdade.
 
A derrocada do dirigismo comunista e a falha do capitalismo puro e duro são a prova de que os sistemas político-económicos carecem de uma cirurgia. Há que buscar uma nova Teoria Económica no Mundo e, para Portugal, um sistema político actualizado e moderno que nasça do conjunto de experiências, contabilizando, principalmente, as falhadas para que se quebrem leis da economia e padrões de comportamentos políticos nocivos às novas experiências. Assim nos disse Camões, a experiência é uma grande professora, não nos fiquemos pelos Velhos do Restelo e aproveitemos as oportunidades que se nos apresentam. Há que criar um novo modelo económico híbrido, um socialismo capitalizante ou um capitalismo socializante, como queiram classificá-lo... desde que resulte. Estou mais interessado nos resultados do que em dar um nome à coisa.
 
A ideia foi-me inspirada pelo José Eduardo Agualusa [1]. E, por falar de experiências, o Mundo já passou por dois New Deal nos EUA, por Bretton Woods depois do holocausto, pelo cair do Muro de Berlim e pelo rasgar da Cortina de Ferro. O Mundo agora enfrenta outros problemas, mais sofisticados e mais temíveis e mais próximos, também, por via da Globalização. É neste novo contexto que temos de navegar, nós e o resto do Mundo.
 
Estamos a menos de trinta dias das legislativas. Esperemos o que os nossos políticos têm para nos dizer nesta época tão difícil. Mas pelo que tenho visto pela amostra, vamos ter mais do mesmo e ainda não aprenderam coisa alguma. A Dona Arrogância mantém a sua anatomia “cheiinha”, proporcional aos interesses dos partidos e estes a lançar mais uns políticos na subvenção vitalícia depois de uns anos a servir, por vezes muito mal, a res publica. O tamanho do umbigo político é tão grande, como a ambição desproporcionada! E isto é fatal para o nosso equilíbrio como Sociedade.
 
Escreveu José Saramago no Diário Notícias: “Oegoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias doquotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consisteem estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, forsusceptível de servir os nossos interesses”[2]. Aguardemos... pela espessura humana dosproblemas. (continua)
 
 Luís Santiago
 
[1]“Penso no capitalismo como sendo um caminho feliz para o socialismo...”, José Eduardo Agualusa,
“Barroco Tropical” pág. 59, 2ª Edição, publicações Dom Quixote;
[2] Não gosto do género literário de José Saramago e que o levou ao Nobel. Não sou defensor do seu pensamento social, nem da sua orientação política, mas, não posso deixar de concordar com a clarividência desta afirmação.

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