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A bem da Nação

A árvore desconhecida

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não é raro no nosso interior mineiro o uso de plantas e raízes para tratamento de moléstias. Hábito popular herdado dos antepassados, carentes de profissionais médicos e de remédios.

 

Rica em plantas medicinais, a natureza brasileira foi a fonte e o laboratório onde os índios e os colonizadores acharam, pela experiência “in vivo”, o alívio para seus males. Verídicos ou não, muitos são os casos de sucesso relatados pelos que usaram esses recursos terapêuticos.

A medicina convencional sempre teve ressalvas e desconfianças daqueles produtos de plantas e raízes que prometem a cura de tudo, de unha encravada ao câncer. Mas casos aparecem que nos deixam a pensar.

Recentemente lembrei-me de um caso familiar, quando li uma crônica de um médico de capital, infectologista famoso, sobre as supostas propriedades anti-virais de um líquido de folhas de uma árvore desconhecida que, céptico, ele mandou examinar, a pedido de outro colega do interior.

Depois de muito tempo esquecido na prateleira do consultório do infectologista, por desencargo de consciência, o liquido foi encaminhado para ser examinado. Espantosamente a amostra mostrara, nos primeiros testes, efeito letal sobre o vírus HIV. Entusiasmado o laboratório pediu mais material, as folhas, de preferência, para tentarem identificar a planta e fazerem mais testes que comprovassem de fato a eficiência do produto.

Admirado com os resultados, o infectologista torna a contactar com o colega  para pedir mais material para novos exames. Mas qual foi a sua decepção quando o amigo lhe diz, pelo telefone, que não podia mais ajudá-lo. O preto velho que morava na fazenda, e que havia feito a infusão, havia morrido e com ele o segredo da árvore desconhecida.

 

Quando cheguei ao interior de Minas Gerais, constatei o quanto a flora do Cerrado era importante para esse povo mais antigo. Não me esqueço da história da minha sogra.

Jovem, com os filhos ainda pequenos, na luta pela sobrevivência, trabalhando na fazenda, ficou doente. Sua pele tornou-se sensível, eritematosa, com bolhas ardidas que rebentavam pelo corpo inteiro. A pele se desprendia ao menor contacto, deixando o corpo em chaga. O diagnostico foi feito, era Fogo Selvagem, ou cientificamente falando, Pênfigo foliáceo, doença auto-imune, bastante frequente, no centro–oeste brasileiro naquele tempo da década de 50.

As comadres logo acharam o remédio. Foram buscá-lo no Paraná, onde uma velha senhora fazia uma pasta com plantas, para passar na pele do doente. O resultado foi excelente, após doze meses de tratamento. Deitada em pêlo, sobre folhas de bananeira, periodicamente era banhada com água fervida com folhas de eucalipto e besuntada com essa estranha pasta. Bem alimentada e hidratada, decorrido um ano e meio estava saudável e a pele do corpo lisa e clara, sem nenhuma mancha. O segredo da pasta nunca foi revelado pela velha do Paraná, ficou perdido no passado, com o seu falecimento.

 

Apesar de se saber que há casos de Pênfigo F. que têm remissão espontânea, e que havia naquele tempo pomadas à base de enxofre e piche nos tratamentos de antigamente, é de se ficar com a pulga atrás da orelha quando sabemos de casos como esses.  

 

A medicina tradicional, principalmente a europeia, tem dado espaço para novas substâncias naturais com comprovada eficácia, os medicamentos fitoterápicos. Para a humanidade é uma grande perda sabermos que a flora brasileira, do Cerrado à Amazónia, sabidamente rica em plantas medicinais, está sendo destruída sem estudos e pesquisas suficientes. É um material vital que se perde, como nos relatos dos casos populares da nossa terra.  

 

 Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 10/08/09

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