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A bem da Nação

Era o vinho, meu bem...

 

 

 

Não era destas uvas que se fazia o vinho para Angola !

 

 


Desde os primórdios da expansão portuguesa, e de outros países, pelo mundo, depois do sucesso das especiarias do Oriente e do ouro e preciosidades saqueadas pelos espanhóis aos astecas, mayas, incas e outros, o grande “negócio internacional” acabou por se fixar no tráfico de escravos, onde o Brasil teve um papel importante. E importante sob diversos aspetos:

- primeiro porque precisava de mão obra, que nem Portugal tinha nem os indígenas proviam;
- depois pelo lucro do tráfico entre os diversos portos de África e outros tantos espalhados pelas Américas do Sul, Centro e Caribe, indo até a Argentina;
- e como centro de produção de alimentos, tal ainda hoje é, e mais ainda será em futuro breve, enviou para Angola imensos produtos que por África se foram difundindo, sobretudo a mandioca, o milho, o amendoim, a cana de açúcar, e outros, que rapidamente alteraram os hábitos alimentícios de muitas populações africanas, conseguindo melhorar a sua saúde e resistência. O número de habitantes cresceu sensivelmente em função da melhoria da alimentação.

Curioso notar que já no século XVII os principais “exportadores” de escravos de Luanda eram mestiços brasileiros, como o foram mais tarde em outras regiões de África.

Do Brasil ia muita “farinha de guerra”, a farinha de mandioca que era distribuída aos soldados que marchavam para o interior, onde lutavam com extrema dificuldade de abastecimento, contra os nativos e contra as doenças. Em quase todas as batalhas travadas nesse século, a morte de soldados portugueses (e muitos italianos à mistura) era enorme, quando não ficavam todos dizimados!

Outro produto de muito interesse era a aguardente de cana, a nossa pinga, não só para presentear os sobas com quem se pretendia pumbar – negociar – mas sobretudo para servir de boa moeda de troca por escravos, alguma cera e marfim.
 
Tanto o vinho como a aguardente eram transportados em peroleiras, vasilhas de barro de formato perolado, com capacidade de um almude, de 20 a 25 litros.

Em 1679 a qualidade de vinho e principalmente de aguardente que se enviava para Angola era tão ruim, causando até morte a quem bebesse dose maior, que acabou sendo proibida a sua importação! Como isso prejudicou o comércio com o interior, e Portugal não tinha quantidade para abastecer as necessidades locais, o negócio da escravaria... diminuiu! Só passados dez anos, e após os produtores brasileiros terem enviado amostras e se comprometido com a melhoria da qualidade é que essa proibição foi levantada!

O tempo rolou, os países evoluíram (?) mas a verdade é que 300 anos mais tarde, o Brasil repete o “envenenamento” alcoólico duns tantos angolanos, já depois de Angola se ter tornado independente. Desta vez não foi com aguardente, mas com vinho tinto! Uma espécie de zurrapa, de uva americana, embalada em garrafões e enviada em quantidades apreciáveis, virou problema político! Eu mesmo ainda tive a infelicidade de provar essa “novidade”, e bastaram dois copitos (é bom notar que estava com muita sede!) para passadas poucas horas correr para... com a diarréia a ameaçar-me!

Alguns africanos tinham por hábito, assim que conseguissem algum dinheiro, comprar um garrafão de vinho, e só, ou com algum companheiro, virar o garrafão para a goela e acabar com o líquido num abrir e fechar de olhos! Aconteceu que alguns depois não os abriram mais, e outros foram parar aos hospitais, com diarréias, intoxicações, etc. Resultado: nova proibição de importação de vinho do Brasil!

Felizmente este problema foi resolvido com muito mais celeridade do que nos idos do século XVII, e em cima de novos acordos comerciais deve ter sido aposto um novo kirimbu – sabia que carimbo nos vem de Angola, do kimbundu? – com o necessário OK.

A propósito, sabe de onde vem este OK? O que siginifica?

Rio de Janeiro, 16 de Julho de 2009
 
 Francisco Gomes de Amorim

3 comentários

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    Francisco Amorim 24.07.2009 21:22

    Pelo que, há muitos anos vi num programa de tv francesa sobre história dos EUA, o general que comandava em 1700 e tal a defesa de New Orleans mandou dar uma ordem por escrito, mas... não sabia ler nem escrever. O oficial que redigiu a ordem foi-lha mostrar, leu, e disse-lhe que ele teria que assinar, e devia acrescentar o tal "All correct"! E o genral terá escrito o OK e feito o rabisco da sua assinatura!
    Quem respondeu assim no programa, foi premiado!
    Mas, será esta a origem???
  • Sem imagem de perfil

    maria teresa 24.07.2009 23:45

    O que se segue é uma transcrição de uma consulta feita "à pressa"

    Etimologia de OK
    Origem Alemã
    A etimologia da palavra é muito discutida. Muitos estudiosos acreditam que é uma deformação da expressão All Correct (por Oll Korrekt "), que quer dizer "tudo está correto ", cuja origem provavelmente remonta à expressão Oll klor do baixo alemão.


    Origem Indígena norte-americana
    Também se acha que provem de okeh que na língua nativa americana Choctaw significava "sim".


    Origem grega
    Igualmente, alguns opinam que O.K. são as iniciais da expressão grega Ola Kala , que significa "tudo está bem".[carece de fontes?]

    Origem afro-americana
    Outras teorias indicam que OK pode ter uma origem africana e que foi trazida para os EUA pelos escravos provenientes daquele continente, o que deriva da forma de afirmação latina hoc ille ou do occitano oc que significa "sim".


    Origem na Guerra Civil estadunidense
    Alguns dizem que pode proceder da Guerra Civil dos Estados Unidos da América, já que, quando não havia nenhuma baixa nos campos de batalha, anotava-se 0 killed (nenhum morto), que na sua forma abreviada corresponde a 0K . Este mesmo sistema supostamente foi usado também durante a Guerra do Vietenname , tornando-se sinónimo de uma coisa boa, afinal não havia vítimas no combate.


    Origem no 8º presidente dos Estados Unidos
    Em 1836 Martin Van Buren , o oitavo presidente dos EUA, assinava com o sobrenome de Old Kinderhook que abreviado seria OK.

    Origem durante a época da escravatura nos EUA
    Outra teoria afirma que na época da escravatura nos EUA, quando nos campos de algodão do sul, os escravos apresentavam-se com o seu carregamento diante o capataz, este dava-lhes em francês (muitas regiões do sul dos EUA falavam francês na época) o visto favorável com a expressão Au quai " que significa "ao cais (de carga)", falado pelos não-franceses como Oll Kway .

    Maria Teresa Monteiro
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