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A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS XXI

 

 

 

 

TEOLOGIA DA ECONOMIA II
 
Parte III
 
Tudo e Nada [1] [2]
 
 
 
A luz que ilumina uma coisa genuinamente
importante, boa ou má, brilha também sobre
o que a rodeia” António R. Damásio,
“O Erro de Descartes”, pág. 133, Publicações
Europa América, 20ª Edição, Junho de 2000.
 
 
A Caridade, sob o ponto de vista teológico é uma virtude; virtude esta que, quando posta em prática, nos conduz a Deus através do amor pelo nosso semelhante. É um conceito universalmente aceite por todas as religiões, uma vez que o Homem é um animal caracterizado pela religiosidade.
 
Não estou aqui a tentar impingir-vos a existência de Deus, nem se essa Entidade Superior a que recorremos, oportunisticamente, quando passamos por uma qualquer aflição, existe num tempo espacial algures no Cosmos infinito do nosso cérebro e da nossa existência. Mas, de uma coisa tenho a certeza, prosseguindo na esteira do pensamento de René Descartes [3]: “Cogito ergo sum” [4] [5]: a prova da existência desse Ser (a que cada um de nós atribui a designação mística que entende), mesmo que esteja em nós, no nosso universo físico e intelectual, é o facto de termos a capacidade de n’Ele acreditarmos, ou, podermos, simplesmente, pô-Lo em causa.
 
E aqui me socorro de uma simples Lei da Física: “tudo o que existe ocupa espaço”. O Conhecimento não é matéria, claro, mas ocupa espaço. O nosso cérebro que o diga! Faço apenas uma comparação analógica entre o “objecto” forma e o “objecto” espírito. Se Ele, tenha a forma que tiver, nos ocupa espaço no nosso pensamento, existe! Isto é o raciocínio linear lógico cartesiano, apoiado, ainda que por um ângulo um pouco diferente, pela lógica aristotélica. A esta linearidade opõe-se o raciocínio matemático informático de complexos binários. Mas, não quero dedicar estas linhas a uma discussão que já fez correr muita tinta e deu muitos livros à estampa, quando se trata de uma opção do foro íntimo de cada um, que cada um gere como entende; e, para além de tudo, repito, não pretendo convencer ninguém, nem lançar as bases de uma nova religião.
 
É esta a maravilhosa liberdade que nos foi oferecida: ou acreditamos ou não acreditamos.
 
Voltemos, pois, à Caridade, deixando a acepção teológica desta para passarmos ao conceito comum, de doação afectiva, desinteressada e espontânea de um qualquer bem material que possuamos e que se se traduzir numa doação em dinheiro, a designamos de esmola.
 
Bento XVI usa esta concepção de Caridade, atenta a universalidade de destinatários e o efeito que se pretende desta, nos dois sentidos conjugados: a Caridade Teológica, também dita Moral [6] (virtude que Jesus nos lega) e a Caridade Material. “Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo” [7] escreve Bento XVI; eu diria mais, cai no sentido pejorativo de “esmola” e ofende e humilha quem a recebe. O princípio do equilíbrio material é aquele em que quem tem Tudo dá uma parte a quem não tem Nada e que é a dinâmica da Caridade: dar esperando em troca o equilíbrio e humanização das sociedades. A dinâmica da Caridade é a partilha. Isto traduzido na mensagem cristã significa que os países ricos representados no G8 têm um papel predominante nas soluções para a economia mundial. São mesmo exortados, por Bento XVI, a tomar decisões e optar por orientações que ”sejam úteis para o verdadeiro progresso de todos os povos, especialmente os mais pobres” [8].
 
Afirma, ainda, Bento XVI que “A Igrejanão tem soluções técnicas para oferecer” [9]. Mas isto é dito como esclarecimento de que a Igreja não se quer envolver nas políticas e soluções governativas dos Estados. Discordo! A Igreja tem sim muitas soluções técnicas para oferecer, sem intervir directamente na política dos Estados, nomeadamente, a sua capacidade de intermediação; a capacidade de persuasão e cultura dos seus altos dignitários; o capital de formação técnica de muitos dos seus padres; a sua enorme influência e riqueza, como Estado, e a influência do Papa como líder espiritual de uns bons milhões de seres humanos... (continua)
 
 Luís Santiago
 
[1] Optei por este subtítulo que é polémico, mas que aqui significa riqueza e pobreza;
[2] No entanto, importa referir: “Eu sou o Alfa e o Ómega” de Apoc: 1.8, também entendido, como “Eu sou o Princípio e o Fim”; “Eu sou Tudo e Nada”. Aliás, esta afirmação sobre a identidade e nome de Deus teria sido plagiada pelos autores dos textos das Sagrada Escrituras, porque se diz ser originária de uma antiga inscrição existente no Templo egípcio da natureza e que assim teria sido escrita: "Eie asher
eheie" - No original Hebraico: "ehyeh-asher-ehyeh", “EU SOU O QUE SOU”:
[3] Contemporâneo de Galileu Galilei, fazendo parte, com este da era conhecida por
Revolução Científica;
[4] Penso, logo existo; ou ainda, “Dubito, cogito, ergo sum”: Eu duvido, eu penso, logo existo;
[5] “O cérebro estende o tratamento especial a essa nova entidade simplesmente porque se encontra próxima daquela que é, sem dúvida, importante. Poderemos apelidar este fenómeno de <glória reflectida>, se a nova entidade estiver próxima de algo positivo, ou de <culpa por associação> se está próxima de algo negativo. (...). Para que o cérebro possa actuar deste modo, tem de vir ao mundo já dotado de um considerável <conhecimento inato> acerca de como se regular a si próprio e ao resto do corpo”. António R. Damásio, “O Erro de Descartes”, pág. 133, Publicações Europa-América, 20ª Edição, Junho de 2000;
[6] Os termos: “Teológico” e “Moral” são aqui empregues em oposição a Material e não no sentido da sua analogia. Teologia e Moral não são conceitos análogos, pelo menos para mim;
[7] Ponto 3 da Introdução – Encíclica “Caritas in Veritate”;
[8] Discurso da apresentação da Encíclica – destaque e sublinhado meu;
[9] Ponto 9 da Introdução – destaque e sublinhado meu.

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