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A bem da Nação

HERÓIS DE CÁ - 22

 A NOITE FASCISTA - 2

 
 
 
O golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 teve como objectivo fundamental a entrega do Império Português à União Soviética e o isolamento da Europa Ocidental das suas tradicionais fontes de aprovisionamento de matérias prima. Seria pelo colapso económico que os comunistas provocariam a rendição da Europa que eles não controlavam.
 
Depois das «grandes conquistas de Abril» que provocaram graves desequilíbrios macroeconómicos, a fractura começou a dar-se no próprio MFA e no seu órgão máximo, o Conselho da Revolução. Com o alucinado crescendo vanguardista de Vasco Gonçalves[1] durante o tristemente famoso «Verão quente de 75», foi este substituído na chefia do Governo pelo Almirante Pinheiro de Azevedo que depois de uma tentativa de sequestro comunista à Assembleia da República pelos operários da construção civil arregimentados na cintura industrial de Lisboa, levaram à consideração da hipótese de transferência para o Porto da própria Assembleia.
 
Esse novo putch comunista tinha claramente em vista a liquidação do regime parlamentar. Os Partidos políticos com provas dadas a favor do regime democrático ocidental – PS, PSD e CDS – esbateram diferenças e foram ao Porto conversar com o Brigadeiro Pires Veloso, Comandante da Região Militar do Norte, para que se encontrasse um local seguro para instalação provisória da Assembleia da República. Os delegados desses Partidos regressaram a Lisboa sem terem sido obrigados a concluir a tarefa para que estavam mandatados pois o cerco à Assembleia foi desmanchado por paulatina desmobilização dos sitiantes entretanto atraídos para as tabernas mais convidativas de S. Bento e arredores. Fraca militância que se rende a um copo de tinto...
 
Essa coligação (PS+PSD+CDS) funcionou ainda mais uma vez com um banho de multidão num comício organizado pelo Partido Socialista na Alameda D. Afonso Henriques em que falaram Francisco Salgado Zenha e Mário Soares com veementes discursos anti-comunistas. A população de Lisboa mostrou inequivocamente para que lado pendia e ficou esclarecido que «em tempo de guerra não se limpam armas»: todos os anti-comunistas de Lisboa nos juntámos na Alameda que foi pequena para tanta gente.
 
06278.04658
 
As barricadas do PCP na zona de Sacavém que tentavam impedir a chegada de forasteiros que pretendessem assistir ao comício socialista, foram surpreendidas pelas costas e rapidamente desmanteladas.
 
Mesmo assim, o PCP continuou a insistir mas tanto acelerou no vanguardismo revolucionário que acabou por «dar corda» à extrema-esquerda que «tomou o freio nos dentes» e assaltou a Televisão. Um celerado militar cabeludo da Escola Prática de Administração Militar, então vizinha dos velhos estúdios da RTP, apareceu nos ecrãs a dizer o que a maior parte dos telespectadores não queria ouvir. Pouco demorou para que repentinamente fosse cortada a imagem e o celerado substituído por... Danny Kaye. Nunca o entertainer americano terá sido tão apreciado em Portugal.
 
Bastou-nos nessa noite sintonizar uma certa onda de rádio para ouvirmos em casa as comunicações dos pára-quedistas (ou dos Comandos?) que em Monsanto perseguiam os esquerdistas que tentavam tomar o Comando da Força Aérea ali instalado. Foi com alguma tranquilidade que fomos ouvindo o que se passava e não demorou muito para que um tal Tenente-coronel Eanes fizesse em directo na TV um briefing ao Presidente da República explicando o que acontecera. Nós, os democratas anti-comunistas, gostámos do que ouvimos e logo imaginámos que ali havia alguém que merecia a nossa confiança.
 
Estávamos no dia 25 de Novembro de 1975: para a generalidade dos telespectadores, Eanes matara o comunismo em Portugal pondo fim à noite fascista.
 
Respirámos de alívio mas os dias da reconstrução seriam trabalhosos...
 
Julho de 2009
 
 Henrique Salles da Fonseca
 
NOTA: O presente texto contém um erro cronológico grosseiro pois o comício socialista na Alameda foi em Julho de 1975 na sequência da saída dos socialistas do 4º Governo provisório chefiado por Vasco Gonçalves enquanto que o sequestro da Assembleia da República ocorreu em 13 (?) de Novembro desse mesmo ano. Mas a grosseria da época torna irrelevante este meu engano que assim considero corrigido. Continuemos...


[1] - Entretanto «promovido» a General

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