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A bem da Nação

Ainda sobre pais e educadores

 

  Uma visão pessoal
 
 
O conceituado professor, educador e psiquiatra Içami Tiba tem a coragem de falar o que pensa. Além da sabida experiência e da indiscutível competência profissional, como descendente de imigrantes, suas declarações trazem laivos de uma educação nipónica, tradicionalmente respeitosa, principalmente com as gerações mais velhas.
 
Não podemos generalizar, mas, pelo menos no Brasil, os problemas educacionais com crianças e jovens são enormes e atingem todas as esferas sociais, seja nos pobres por falta de dinheiro e oportunidades, seja nos ricos, por excesso de dinheiro e permissividade. As gerações mais novas pensam que sabem tudo porque têm muitas informações, mas elas ainda não têm o conhecimento que só a vivência e a maturidade trazem. No valor excessivo à juventude, acham que os mais velhos estão “gagás”, que já deram o que tinham que dar. Para eles as respostas às suas dúvidas estão na máquina, ao alcance de um toque de tecla, via Internet. Em muitos lares são tratados como figuras “principais”, tudo deve ser e estar como eles querem. Tornam-se verdadeiros déspotas. Nas ruas não conhecem regras, só as suas vontades. Esse é um quadro infelizmente muito comum na nossa sociedade.  
 
Apesar das conversas, palestras e informações, ministradas em casa, escolas e em programas de saúde e educação, nunca tivemos tantos problemas de jovens com drogas e com comportamentos anti-sociais. Os pais, muitas vezes despreparados ou ausentes, não conhecem seus filhos, têm medo ou não sabem exercer a sua autoridade. Fragilizados pelas suas próprias deficiências passam para a escola a função de educar, que não é o mesmo que instruir, função escolar. E se a mãe ameaça dar umas boas palmadas,  castigar uma má acção, então é ver com espanto o jovenzinho retorquir dizendo que vai chamar a policia,  para “dar queixa”. É um jogo de forças que acaba em nada, ou pior, com a criança exercitando o seu poder. Sinais dos novos tempos.
.
Na área da saúde, onde atendo quotidianamente jovens de todas as idades, é comum raparigas de 12 a 17 anos, já em actividade sexual, com ares adultos, pedirem anticoncepcionais sem que suas mães ou responsáveis o saibam. A explicação dada é que elas, suas mães,  não iriam entender a evolução dos relacionamentos de hoje, pois estão ultrapassadas! Aqui,  experiência não vale nada!  
 
Hoje em dia a agressividade e o desrespeito do jovem com os mais velhos é coisa visível e muito frequente na nossa sociedade. E a culpa é nossa, que fazemos tudo menos arranjar tempo para seremos pais, para ouvir e falar com os nossos filhos, ver e exaltar suas qualidades, corrigir os seus defeitos. Como mais velhos e experientes devemos dar bons exemplos e iluminar os caminhos, que só eles poderão percorrer. Devemos ser condescendentes com suas debilidades, mas intolerantes com seus erros. Devemos mostrar que educá-los é a forma mais amorosa de protegê-los dos sofrimentos, que é a melhor maneira de prepará-los para viver em sociedade com harmonia e bem estar para todos os elementos.
 
 Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 16/07/09
 

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