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A bem da Nação

HERÓIS DE CÁ - 13

 

OUTRAS VISÕES - I 
 
Considerando a tenaz soviética, a espada espanhola e a cobiça americana pelas riquezas angolanas, o Império Português era um alvo a abater.
 
Quando em Março de 1961 rebentou o terrorismo em Angola, houve quem se interrogasse se ainda estaríamos a tempo de «salvar os dedos», agora que um dos «anéis» mais valiosos estava em perigo. E se o então Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas e Ministro da Defesa, o General Júlio Botelho Moniz, considerou chegado o momento para um pronunciamento militar que retirasse Salazar do comando, foi o contrário que aconteceu com o General a ser demitido e com o Presidente do Conselho de Ministros a assumir a pasta da Defesa Nacional.
 
Assim se iniciou a «guerra no Ultramar» sem contudo perdermos em finais de Julho o forte de S. João Batista de Ajudá e em Dezembro o Estado Português da Índia.
 
Mas sobre esta guerra que durou até 1974, tratarei noutra ocasião.
 
O que por agora interessa é saber por que é que muitos de nós não concordávamos com Salazar: não por inferioridade intelectual; não por ausência de sentido de Estado; não por governança em proveito próprio.
 
A vida de um ditador – aquele que dita ordens sem permitir qualquer discussão sobre a bondade dessas mesmas ordens – é mais ou menos congruente conforme ele seja de esquerda ou de direita. Sendo de esquerda, prepondera muito provavelmente sobre uma ralé de bisonhos, uma população pobre e inculta, uma classe proletária dedicada ao trabalho diário sem grande vocação para pensar de modo diferente do que o Partido manda; sendo de direita, é colhido na grande contradição da dinâmica económica em que o progresso fomenta a solidificação duma classe média burguesa, poupada ou gastadora mas tendencialmente culta e, portanto, mentalmente independente e que não gosta que pensem por si.
 
Eis a grande contradição salazarista: trabalhar para o progresso económico, para o estabelecimento duma classe média que o regime pretendia que viesse a ser dominante, a tal que não gosta que pensem por ela e que, portanto, tende a derrubar qualquer ditador.
 
 
Crise académica de 1962 - acção comunista, recebeu a adesão de muitos ingénuos «filhos do progresso»
 
 
Não discutindo sequer o sentido das decisões, a primeira oposição com que Salazar tinha que contar era precisamente a dos filhos do progresso que ele próprio queria para Portugal.
 
Esta, a incongruência endógena do Estado Novo.
 
Mas Salazar tinha que contar também com a oposição dos adeptos da tenaz, os que queriam entregar o Império Português à URSS para sequente estrangulamento da Europa. A esses, Salazar tratou como traidores de Portugal, com dureza, mesmo sem esperar que a Europa lhe agradecesse. Estes, os comunistas, fosse qual fosse a decisão que Salazar tomasse, haveriam de estar sempre contra ele pois personificava a impossibilidade soviética de alcançar futuros ditos risonhos pela propaganda de Moscovo.
 
Como oposições circunstanciais tinha todos aqueles que discordavam de algumas decisões ou mesmo de certas políticas estruturais mas que não queriam sobressaltos. Destas matérias tratarei mais adiante…
 
Lisboa, Junho de 2009
 
 Henrique Salles da Fonseca
 

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