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A bem da Nação

HERÓIS DE CÁ - 9

FASCISMO NUNCA MAIS!

 

 

 

 

Conta-se que Dino Grandi[1]– Ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália sob a égide de Mussolini e Presidente do Grande Conselho Fascista – terá chegado a dizer que «fascismo é a prática do improviso resultante da prodigiosa imaginação do Duce».
 
Toda a teorização é balofa perante esta definição.
 
O conceito de Estado, a subjugação da pessoa, o corporativismo, etc., foram «coisas» que Mussolini empiricamente fez para controlar o Poder e depois foi à procura duma justificação teórica. A verdade, contudo, terá estado na boca de Grandi. E só na dele.
 
Ora, se o pensamento crítico se caracteriza fundamentalmente pela ultrapassagem dos limites definidos pelas opções tradicionais contidas no dogma, estamos neste caso perante a imposição de uma situação dogmática – o Poder pessoal de Mussolini – cujos limites são ab initio desconhecidos mas a quem posteriormente (depois da imposição consumada) se procura atribuir algum enquadramento histórico e definir conteúdos. E isso é feito de preferência num plano abstracto para desse modo se pintar um cenário de teorização. Uma impostura em que são as consequências que definem a causa; inversão lógica, empirismo grosseiro. Total ausência de valor científico e processo repulsivo para qualquer hipótese de um eventual enquadramento académico.
 
O capricho do ditador, a ausência de norma que pudesse condicionar esse capricho, eram a pedra fundamental do regime fascista; o contrário do Estado de Direito, o oposto integral da equidade. Apenas uma regularidade: a arbitrariedade.
 
Nesta mesma categoria se enquadraram Hitler, Staline, Franco, Bocassa; Helena Ceauscescu, Chiang Ching (última mulher de Mão Tsé Tung) e Eva Péron cujos maridos oficialmente detinham o Poder mas que, afinal, eram elas a exercer com a maior impunidade. Abstenho-me de citar outras más fortunas que a Humanidade suportou…
 
Todos estes pesadelos alcançaram o Poder e definiram um dogma que consistia na sua própria detenção desse mesmo Poder. Baniram o pensamento crítico e quando ele ousou mostrar-se liquidaram-no tão radicalmente quanto julgaram necessário para a manutenção do dogma. A essência da missão era a manutenção do Poder e para que isso acontecesse tudo se justificava. Não olhar a meios para alcançar o objectivo, eis uma característica da prática fascista.
 
Passados aqueles ditadores em revista, reconhecemos-lhes uma característica comum: baixíssima intelectualidade. Apenas Franco possuía alguma instrução.
 
Todos aqueles casos malévolos foram revolucionários e invocaram a revolução para manterem viva a chama do Poder. Mas a partir do momento em que um novo padrão se define, a revolução morre e a vida passa a pautar-se nessa nova conformidade.Eis por que não faz qualquer espécie de sentido a gritaria tão habitual do género A revolução continua!Ora, se impuseram o seu padrão e o conservaram, então deixaram de ser revolucionários e passaram a ser conservadores – conservadores do seu próprio padrão, o vitorioso. Assim se cai no fascismo, o tal que não tem lado direito ou esquerdo e que se define apenas pelo capricho em total antinomia com o Estado de Direito.
 
Por tudo isto, clamo: - FASCISMO NUNCA MAIS!
 
Logicamente, excluo Salazar da categoria que venho referindo. E faço-o por várias razões a que me referirei mais logo…
 
Lisboa, Maio de 2009
 
 Henrique Salles da Fonseca


[1] - Mordano, 4 de Junho de 1895 — Bolonha, 21 de Maio de 1988

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