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A bem da Nação

O PORTUGUÊS DE OLIVENÇA

 

 
O dia amanheceu sem nuvens significativas e o Sol pareceu querer saudar o evento. E não era para menos!
 
Em 28 de Fevereiro de 2009, a Língua Portuguesa manifestava-se livremente em Olivença graças à iniciativa, ao esforço, à coragem de uma associação oliventina, a Além-Guadiana.
 
Não por acaso, jornais e televisões estavam representados. E talvez por acaso, pois outra razão seria insustentável, não estavam órgãos de comunicação portugueses, empenhados com outras realidades informativas…
 
A Jornada sobre o Português Oliventino decorreu na Capela do vetusto Convento português de São João de Deus. Num clima de alguma emoção, estava a fazer-se História… e quase 200 pessoas foram testemunhas disso!
 
Falou primeiro o Presidente da Junta da Extremadura espanhola, Guillermo Fernández Vara, oliventino, assinalando que, na sua casa paterna, o Português era a língua dos afectos. Uma herança que ele ainda conserva, apesar de já ser bem crescidinho… e Presidente duma região espanhola.
 
De certa forma, estava dado o mote. O Presidente da Câmara de Olivença, Manuel Cayado, falou em seguida, realçando o amor pela língua portuguesa, e acentuando o papel de Olivença como ponto de encontro entre as culturas de Portugal e Espanha.
 
Joaquín Fuentes Becerra, presidente da Associação, fez então uma breve intervenção, insistindo na natureza cultural da Jornada.
 
Juan Carrasco González, catedrático, falou das localidades extremenhas, quase todas fronteiriças, onde se fala português, com destaque para Olivença, e defendeu que tal característica se deveria conservar.
 
Usou depois da palavra Eduardo Ruíz Viéytez, director do Instituto dos Direitos Humanos do Conselho da Europa, que defendeu as línguas minoritárias e explicitou a política do Conselho da Europa em relação às mesmas. Informou que o Conselho da Europa já pedia informações ao Estado Espanhol desde 2005, sem que Madrid desse resposta. Em 2008, graças à Associação Além-Guadiana, fora possível conhecer detalhes, com base nos quais o Conselho fizera recomendações críticas.
 
Seguiu-se Lígia Freire Borges, do Instituto Camões, que destacou o papel da Língua Portuguesa no mundo, com assinalável ênfase e convicção. Tal discurso foi extremamente importante, já que, tradicionalmente, em Olivença, se procurava menorizar o Português face ao "poderio planetário" do castelhano…
 
Uma pequena mesa redonda antecedeu o Almoço. Foi a vez de ouvir a voz de alguns oliventinos, num Português bem alentejano no vocabulário e no sotaque, em intervenções comoventes, em que não faltaram críticas e denúncias de situações de repressão linguística não muito longe no tempo.
 
À tarde, falaram Domingo Frade Gaspar (sobre a «fala galega», na raia extremenha) e José Gargallo Gil (de Valência, a leccionar em Barcelona), que continuaram a elogiar políticas de recuperação e conservação de línguas minoritárias. O segundo sublinhou a existência de fronteiras e do de seu estatuto de lugar de encontro e de compreensão de culturas diferentes, embora não como barreiras intransponíveis.
 
Seguiu-se Manuela Barros Ferreira, da Universidade de Lisboa, que relatou a experiência significativa de recuperação quase milagrosa do Mirandês, a partir de uma muito pequena comunidade de falantes, já convencidos que aquela língua tinha chegado ao seu fim. O exemplo foi muito atentamente escutado pelos membros do Além-Guadiana.
 
Falou finalmente o Presidente da Câmara Municipal de Barrancos, a propósito dos projectos de salvaguardar o dialecto barranquenho e de o levar à "oficialização".
 
No final, foi projectado um curto filme sobre o Português oliventino, realizado por Mila Gritos. Nele surgiam oliventinos a contar a história de cada um, sempre em Português, explicando os preconceitos que rodeavam ainda o uso da Língua de Camões e contando histórias pitorescas. A finalizar o "documentário", uma turma de jovens alunos de uma escola numa aula de Português pretendia mostrar para a câmara os caminhos do futuro.
 
Deu por encerrada a sessão Manuel de Jesus Sanchez Fernandez, da Associação Além-Guadiana, que ironizou um bocado com as características alentejanas do Português de Olivença, comparando-o com o pseudo superior Português de Lisboa.
 
A noite já caíra quando, com muitos cumprimentos e alegres trocas de impressões finais, os assistentes e os promotores da Jornada abandonaram o local, convictos de que tinham assistido a algo notável.
 
Estremoz, 28 de Fevereiro de 2009
 Carlos Luna
 
In Boletim do Grupo dos Amigos de Olivença – Maio de 2009
 
 

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