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A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS – XV

 

 
Anno Elécti. - II
 

“O Homem pode subir até aos mais altos cumes, mas não pode lá morar por muito tempo” Bernard Shaw, (1856-1950)

 
Somente aos mortos é permitido que se diga a verdade”. Mark Twain, já citado no meu último texto, tem razão, na sua sempre mordaz e acutilante ironia (*). Quando soubermos a verdade, mesmo verdade, sobre todas estas patifarias políticas que nos vêm sendo feitas já cá não estaremos; todas estas trapalhices serão contadas às nossas gerações futuras e só quando a História der lugar ao Conhecimento esclarecido e expurgado dos “contos de fadas” que proliferam na nossa História oficial. Bernard Shaw, citado neste texto, defensor de um socialismo que não este “socratismo”, não conhecia a figura do político português pós Estado Novo.
 
 
O político português pós Estado Novo veio para subir até aos mais altos cumes do interesse pessoal, para ficar ad aeternum no poder, partilhá-lo apenas com os amigosemorar por cá muito tempo. Escrito isto, venho recordar o que afirmei, neste blog, em 18 de Setembro de 2008, atitude em que continuo a insistir e acreditar: é preciso “Mudar o sistema político eleitoral”. O nosso óbice é que vimos a adiar esta premente tarefa, (que é difícil, claro!) de enfrentar a mudança. Não o fazer, já não é problema de apenas meia dúzia, mas, de todos nós, como sociedade responsável, como, aliás, muito bem destaca o Senhor Coronel Adriano Miranda Lima, no seu primeiro comentário ao meu texto anterior (PI XIV). E, seguindo o contexto do segundo e imediato comentário do Sr. Coronel, eu gostaria de salientar que as últimas linhas desse meu texto constituíram um apelo e um alerta, um tanto ou quanto piegas e dramático e reconheço-o, não que alguém assim os tivesse classificado; mas, porque é mesmo dramático e é, também, o que sinto na realidade.
 
Compreendo e aceito a exigência que se impõe de a solução ser procurada por todos nós... E se não o for? E se o que é o bom senso comum e o espírito patriótico se tiverem extinguido nesta voragem insana de embriaguez pelo Poder? Ou se destes só restar uma exígua parte tão necessária à força que devemos ter para nos erguer de novo, por colectivamente cansados e desiludidos? Não estaremos a ver a História a repetir-se, só que com outras roupagens? Começo pelos actuais e quinzenais debates parlamentares com o Governo, para lamentar a vazia retórica parlamentarista e a tradição barroca não renovada e recriada do tratamento de tantas excelências para cima e para baixo, para a direita e para a esquerda. Mas, nem isso; a tradição já não é o que era (passe o plágio publicitário). Os parlamentares de antanho, da primeira República tinham um discurso mais profundo, mais erudito, mercê da sua cultura e, não raras vezes, a sua oratória constitui obra prima de bem dizer e escrever português. Mas, na essência da res politica estaremos na mesma.
 
Os sintomas e os tiques são os mesmos na burrice da ausência de diálogo nacional construtivo. Não quiseram, nessa altura, fazer o inteligente sacrifício de se entenderem e abriram as portas ao Estado Novo. Os actuais debates são um “dejá vu” que veio, quiçá, para nos assombrar a memória colectiva. Convinha regressarmos a 1976, à Assembleia Constituinte, à então Constituição da República e às Leis elaboradas à sombra desta. O primeiro grande passo que abriu o caminho à situação em que estamos foi o de os parlamentares constituintes (alguns deles) forçarem e consagrarem no texto constitucional, uma Nação que teria como meta a via para o “Socialismo”, talvez pensassem ingenuamente (?) no socialismo doutrinário e não no socialismo ideológico. O que é facto é que quando foram eleitos, foram-no sem um mandato que expressa e inequivocamente lhes outorgasse essa orientação e essa vontade do Povo Português. Se bem me recordo, só os parlamentares do CDS tiveram a coragem, enfrentando um ambiente hostil, para recusar votar esse anátema antidemocrático imprimido e forçado no texto constitucional de 1976. Isso é passado, a questão foi resolvida, poder-me-ão dizer, mas perdeu-se muito tempo. Só um Povo consciente dos erros que fazem parte da sua memória colectiva, não os renegando, poderá merecer-se um futuro risonho. Tratámos logo no início da nossa jovem existência democrática de renegar Salazar, atirando tudo o que cheirasse a salazarismo para debaixo do tapete.
 
A ponte sobre o Tejo mudou gloriosamente de nome numa noite. O Fado, canção nacional, agora candidata a património cultural da Humanidade, foi companheiro e cúmplice da longa noite fascista, nas afirmações inflamadamente convencidas e “inteligentes” do pensamento “democrático” dominante dos novos senhores do novo apostolado político. Portugal, num ápice, passou a ser uma Nação de “antifascistas”. O Povo Alemão, ao contrário de nós, numa humilde assunção dos seus erros e horrores do passado, expôs ao mundo, corajosamente, Auschwitz, Treblinka, Dachau, entre outras provas da catástrofe mundial que provocaram e de que foram protagonistas. As verdadeiras inteligência e cultura são aquelas que se nos apresentam com humildade!
 
A eficácia da democracia depende da concordância entre o conteúdo programático partidário e a ética social e política da sua execução. No próximo texto continuarei por 1976 e seguintes, a suscitar-vos a atenção para alguns erros que, na minha opinião, não deviam ter acontecido e, também, na minha modesta opinião, as atitudes que devemos tomar para os ultrapassarmos.
(*) As Aventuras de Huckleberry Finn; o Autor explica num outro prefácio de uma outra obra sua que são textos baseados na Vida.
 
 Luís Santiago

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