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A bem da Nação

DEUS NOS ACUDA!

 

 
Imagem obtida pelo Hubble
Tanto se conjecturou sobre o aparecimento da ideia de Deus, para continuarmos, ainda hoje, sem encontrar para isso explicação. Quando foi? Como?
Os judeus acham, ou crêem, ou simplesmente aceitam, que in illo temporae, o próprio Deus se manifestou aos homens, dizendo-lhes que Ele era tudo, o Eterno, sem principio nem fim, o Criador dos céus e da terra.
Os homens não tinham porque duvidar, e sobretudo muito a temer, inscreveram essa passagem na Bíblia, tornando-a lei, quase universal. Os cristãos a seguiram, bem como os muçulmanos e outros povos sem bíblias, mais ou menos descobriram por seus próprios meios que acima de nós, simples e rápidos mortais, haveria algo que dominava todo o Cosmos.
Não existe povo tão selvagem nem tão bárbaro que, embora ignore o que deve pensar de Deus, não saiba que deve crer na sua existência; e a ideia de Deus é para o homem como que uma recordação e um reconhecimento da sua origem. A beleza da criação, a ordem majestosa dos corpos celestes, obrigam-nos não somente a confessar a existência de um Ser supremo, mas a reconhecê-lo e a adorá-lo. Deus, tal como o concebemos, apenas pode conceber-se como um espírito puro, independente e livre de todo o elemento material. Um espírito que percebe todas as coisas, que a tudo imprime movimento, encerrando em si próprio o princípio do movimento eterno. Cícero!
Uns temem-nO, outros adoram-nO, outros estudam-nO, outros ainda querem duvidar e procuram uma alternativa para Deus sem jamais a encontrar. Mas todos, todos, em algum momento da vida lançaram os olhos para cima, lá bem para o alto, e crentes ou quase descrentes, pediram a esse Deus mais ou menos desconhecido, para lhes dar uma mãozinha. Sobretudo nas alturas de desconforto, de desespero, da perca da esperança de uma solução terrena.
Uma vela acesa, às claras ou às escondidas, dentro ou fora do coração, para alimentar e mostrar uma fé que não se pode mensurar, e que fica à espera que essa mão, a Divina Providência, o venha ajudar.
Fazem-se sacrifícios de toda a ordem, desde a imolação de pessoas e animais, a auto flagelação, orações infindas, promessas (promessas...) de «generosas» dádivas à Igreja ou a pobres, mas tudo isso sempre em momentos de grande desesperança.
Alguns optam pelo sacrifício da própria vida, quando muitas vezes esgotadas a esperança e a fé o desânimo os domina, outros procuram o refúgio de um mosteiro, já que o tempo dos eremitas está ultrapassado, os mais covardes aproveitam para despejar em cima dos fracos o ódio à sua própria incapacidade humana.
Difícil é encontrar nos templos, quaisquer que eles sejam, a alegria contagiante, a alegria de viver, o ânimo para continuar a lutar por si mesmo e pelos seus irmãos, porque aqui haveria a paz interior, sem necessidade de fugir deste mundo complicado, feroz, implacável.
Esquece-se o homem que é ele próprio o Templo máximo! A paz não se encontra nos grandiosos templos dos cristãos, muçulmanos ou budistas, nem junto ao Muro das Lamentações. A paz está, em algum lugar dentro de cada um de nós, mais ou menos escondida, mais ou menos dominada por interesses materiais, pelo desvario, egoísmo, etc., e quando estes interesses começam a causar problemas, quando aparecem catástrofes naturais ou produzidas pelos homens, dívidas difíceis de saldar, ou desaparece um ente querido, nesses momentos, de forma muitas vezes exagerada, é que se pede ajuda: Valha-nos Deus! A maioria da vezes no entanto... Deus não nos acode, e o homem reclama, duvida da Sua existência, blasfema!
Como disse Camilo Castelo Branco: Deus não se deixa entender justamente para não sofrer confronto com estes miseráveis que nós somos!
A felicidade de encontrar Deus é um exercício que só cada um pode fazer e com a maior simplicidade, assim, humilde. Há sempre o reverso do negativo. Nesse reverso encontra-se a parcela de paz e felicidade, por mínima que seja. É essa que deve ser explorada e desenvolvida. É nesse cantinho, escondido, que Deus, o incompreensível, está à espera que lhe demos as mãos. A paz de cada um está no quanto formos capazes de apreciar e agradecer o que temos e não em chorar pelo que não temos.
Se tens um grão de pimenta, planta-o. Ele vai germinar, crescer e transformar-se numa árvore frondosa e dar-te sombra e paz. Essa sementinha está dentro de cada um.
 
Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2009
 Francisco Gomes de Amorim

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