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A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS – XV

 

 
Anno Elécti. - I
 

“Para bem subires na vida, necessitas de duas coisas: ignorância e confiança”
Mark Twain, (1835-1919), Carta à Senhora Foote, 2/12/1887

 
 
 
Sei que sou interpelativo por natureza e, por vezes, ácido na forma de escrever, mas, a verdade, é que Mark Twain tem razão no que toca a muita gente instalada na vida por via da política profissionalizada e, infelizmente, com o nosso beneplácito.
 
Quero com isto dizer que há por aí muita gente (demasiado) ignorante e que, com um total descaramento e inconsciência, toma decisões ou ajuda a tomar decisões políticas que nos afectam a todos; o que agrava a situação, quando somamos a ignorância e a “lata” à incompetência e arrogância.
 
Não há ser humano que mais me abale o sistema nervoso do que aquele que se me apresenta arrogante e autoconvencido da sua superioridade inata e autoridade delegada, por infortúnio, por nós mesmos. Mas, no tocante a opiniões, eu tenho a minha e não é um arrogante qualquer que me faz mudar de opinião. Como afirmava a escritora americana Lawana Blackwel (1952-), em “O Dote da Menina Lydia Clark”: “Quem molda a sua vida pela opinião dos outros, nada mais é do que um escravo”. Nem da minha opinião sou escravo, por isso, estou aberto às críticas que julgarem pertinentes como, aliás, de outro modo, não podia deixar de ser.
 
Esta introdução para vos vir falar Do Ano do Eleito, que é como quem diz: ano de eleições. Não vou voltar ao tema dos pressupostos de carácter para um Eleito; esses já foram descritos pelo meu Prezado Amigo, Dr. Henrique Salles da Fonseca, segundo o seu critério e exigência; e, oportunamente, comentados no local certo: este blog “A Bem da Nação”.
 
Farei uma abordagem sistémica quanto às questões que se levantam com os excessos de democracia. Sim! É isso mesmo! Eu escrevi “excessos de democracia” e é isso mesmo que quero dizer. É que, no sistema democrático, como em todos os sistemas políticos, há defeitos e excessos: uns provocados pelo funcionamento do próprio sistema, decorrentes de factores endógenos e outros circunscrevem-se ao redor do elemento exógeno predominante: o factor humano. “Democracy is an expensive political system” Quem o escreveu ou disse já não me lembro. Que é caro é. Muitíssimo caro! Basta atentar nas despesas que alguns partidos, de forma inconscientemente perdulária, se propõem fazer, para este ano eleitoral. Basta atentar nos aumentos aprovados na Assembleia da República para o apoio financeiro do Estado aos partidos em função do número de votos obtidos. Basta atentar no último diploma aprovando um novel exemplar modelo de financiamento dos partidos. Toda esta sanha gastadora é uma afronta a quem já vive abaixo do limiar de pobreza. E ninguém pode alegar desconhecimento desta situação e, muito menos, os políticos, fazendo vista grossa, em total e frio desprezo por esses portugueses para quem a vida é ingrata, mas que estão classificados no quadro das preocupações políticas do Poder, como invisíveis, inexistentes. Mas... cuidado que estes existem, vivem ao nosso lado e toda esta sanha perdulária pode bem vir a ficar-nos tão cara que pode custar-nos a Liberdade, que os militares de Abril, arriscando os seus (deles) pescoços, nos puseram no colo. Não sejamos, pois, ingénuos, porque se não o formos, teremos a capacidade anímica e a força moral para reconhecer que as coisas não correm bem! Já temos uma Democracia com 35 anos, em idade adulta, portanto; e, como adulta que é, carece de assumir a coragem da mudança e fazer um rol do que está mal e corrigir. Se não tivermos capacidade, coragem e inteligência para assumir as culpas, os erros e emendar rapidamente este rumo, duma forma pacífica, inexoravelmente, a necessidade das grandes transformações surgirá duma forma abrupta e violenta. Vae Victi! Ao dos vencidos... que seremos todos nós, como Povo. Os sussurros já andam por aí, em pianíssimo; ignorá-los, com o medo egoísta de perder os “tachos” próprios e de defender os dos compadres das famílias partidárias é inconsciência criminosa; é abrir as portas aos ventos em crescendo do descontentamento. Os alertas já estão aí, bem claros, na rua, nos cafés, nos transportes públicos... Acordemos em tempo útil. Deixemos ir os privilégios, que muitos de nós nem ganhámos nem merecemos. Fiquemos com os dedos, deixemos ir os anéis e a ganância de querermos ganhar tudo duma só vez. Abrandemos o ritmo do desejo de querermos ser mais iguais do que os outros. Sentemo-nos humildemente à mesa das negociações, em atitude patriótica e procuremos por uma Sociedade mais justa e igualitária, por um Bem Social Comum em prol do bem estar da Nação e não por um individualismo medíocre e burro. Chamam-me idealista lunático, ou maluco, até, mas ouçam-me... enquanto é tempo.
 
Pro se quisque ac pro omnibus Deus
(continua)
 
 
Luís Santiago

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