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A bem da Nação

A revolução cultural portuguesa, 1871-1911

 

 
Sinopse sincrónica - 1ª parte
 

Data
 
   Acontecimentos nacionais e internacionais
 
 
1871, Primavera
Conferências do Casino - O grupo que viria a ser conhecido por “Vencidos Da Vida” promove um ciclo da conferências sobre os males da sociedade portuguesa. Antero do Quental abre o ciclo com um palestra em que introduz as ideias revolucionárias de Proudhon e, numa segunda Conferência, que ficaria famosa, enumera as “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares”. O governo do dia proíbe a realização de mais conferências.
 
 
1875
Por iniciativa de Luciano Cordeiro, é fundada em Lisboa a Sociedade de Geografia
A retoma da expansão da fronteira ultramarina com o novo ciclo africano torna-se ponto de convergência da opinião portuguesa. Mobilizam-se espíritos e vontades, numa atmosfera apaixonada para o que se entende ser a nobre missão de Portugal: levar a civilização a paragens remotas do Continente africano, que os portugueses consideram seus por direito de descoberta..
 
 
1876
Eça de Queiroz publica O Crime do Padre Amaro.
As ideias de Renan chegam a Portugal
 
 
 
1879
Oliveira Martins publica no Porto a sua História de Portugal, labéu apaixonado dirigido contra a Casa de Bragança
 
 
 
1885
Realiza-se em Berlim, presidida por Bismark, a 1ª Conferência Mundial sobre África na qual se definem os princípios que hão de regular o reconhecimento da soberania nos territórios africanos. O direitos históricos foram rejeitados em favor do princípio da ocupação efetiva. À luz deste princípio não foram reconhecidos os direitos que Portugal reclamava no Congo. A opinião pública, sentindo que o património nacional fora esbulhado, reagiu apaixonadamente.
A delegação portuguesa foi presidia por Luciano Cordeiro.
 
 
 
1886
Barros Gomes apresenta ás Câmaras o “Mapa Cor de Rosa”, projeto que visava ligar e ocupar o território africano compreendido entre Angola e Moçambique
 
Antero de Quental publica os Sonetos Completos, obra crítica da vida social em Portugal.
 
 
 
1890 Jan.º
Ultimato britânico motivado pelas medidas tomadas por Barros Gomes para ocupar territórios a Norte do Chire (hoje Malawi)
O Ultimato britânico desfaz o equilíbrio externo que servia de respaldo ao Estado português desde as guerras liberais. A oposição interna ao regime procura imediatamente capitalizar na onda de nacionalismo reivindicativo provocada pelo dictum britânico e lança intensa campanha contra D. Carlos, sob o pretexto de que a monarquia não se mostrava capaz de   defender o património ultramarino português.
 
Fundamentalmente, a reação portuguesa, embora tenha assumido formas variadas, reflete o conflito criado pela generalização do liberalismo de inspiração anglo-saxónica, (ou a “cultura vitoriana”), responsável pelas dificuldades crescentes sentidas nas periferias do sistema. Por toda a Europa continental e nalguns países da América Latina, procuram-se respostas nacionais para opor à proposta global da cultura dominante. A nação, contudo, era ainda um conceito abstrato longe de se poder afirmar como realidade. A intelectualidade esforça-se porém por dar forma ao novo anseio. Em Portugal, devido ao alto grau de dependência em que o regime liberal se colocou perante a Grã Bretanha, acrescido do furor cosmopolita revelado pela geração intelectual de 70, a sociedade apresentava uma clivagem cultural pronunciadíssima: urbanos, sobretudo os lisboetas, e rurais viviam em dois mundos diferentes que se desconheciam, e até se desprezavam, reciprocamente. A partir de 90, a elite urbanizada apercebe-se que a nação só poderia resultar da identificação de uma cultura comum. A sociedade portuguesa iria pois sair de uma “época de civilização”, em que os valores sociais são estáveis, para entrar numa “época de cultura”[1][1] em que os mesmos valores passam a ser objeto de forte contestação e se procura afanosamente estabelecer novos valores, inteligíveis e partilháveis por todos.
 
 
 
1891
Jan,31 - Revolta republicana no Porto.
Para alguns historiadores, (Matoso, entre eles), o “31 de janeiro” nada mais foi do que uma mera “sargentada”. Porém o movimento conheceu adesões (talvez posteriores) que lhe conferem um cunho transcendente. Este movimento viria a ser caracterizado como uma manifestação de vontade de substituir símbolos religiosos pelo culto laico da pátria. O arquitecto Ricardo Severo, forçado a abandonar o país após o fracasso do movimento, levaria consigo para o Brasil as sementes espirituais do “Republicanismo de 90” que encontraria expressão no movimento em prol da criação das Casas de Portugal, autênticos "templos da Pátria2, entre as quais, a de São Paulo representa  a expressão mais conseguida.
 
 
 
1892
D Carlos inicia, com a colaboração do marquês de Soveral, uma ação diplomática que visa retirar Portugal do isolamento internacional causado pelo ultimato britânico.
 
A revolta dos vátuas põe em perigo a segurança de Lourenço Marques.
Guerra Junqueiro publica o seu poema “A velhice do Padre Eterno”. O ataque aos valores religiosos clericais do povo português segue o seu curso.
 
 
 
 
 
 
1895
António Enes e Mouzinho de Albuquerque terminam a campanha de pacificação de Moçambique
 
As campanhas de África revelaram uma elite e uma vocação dos militares portugueses. Destacaram-se, entre outros, Galhardo, Paiva Couceiro, Mouzinho de Albuquerque, Ayres de Ornellas, Gomes da Costa, Alves Roçadas, Sanches de Miranda; Vieira da Rocha, Azevedo Coutinho, Quintino Rogado, Artur de Paiva e João de Almeida. As forças armadas criaram assim uma “cultura” própria, por alguns designada “Escola de Mouzinho”, cujos traços fundamentais eram o desprendimento pessoal, a dedicação incondicional ao bem público com a condenação das intrigas e do “clientelismo” e exaltação da missão civilizadora de Portugal em África, concebida em termos de desenvolvimento das colónias num quadro autonómico
 
·        
 
1897
Mousinho da Albuquerque demitido de Governador de Moçambique
 
 
1898
início da Guerra dos Boers
 
 
1899
Jan,14 - Celebrado o Tratado de Windsor que reafirma a Aliança luso-britânica e reconhece a soberania de Portugal nas suas colónias.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 

(1) Os conceitos “épocas de civilização” e “épocas de cultura” foram formulados pela escola de filosofia histórico social alemã.


[1][1] Os conceitos “épocas de civilização” e “épocas de cultura” foram formulados pela escola de filosofia histórico social alemã.

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