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A bem da Nação

O Indiana Jones Nacional (brasileiro)

 

 
 
                                                        
Cachoeira das Bromélias
(União da Vitória)
 
 
Nós açorianos também temos o nosso herói aventureiro e desbravador das florestas tropicais, só que ele foi real. Chamava-se ANTONIO DA SILVEIRA PEIXOTO, nascido a 15 de fevereiro de 1737, na Ilha do Faial (Açores). Saiu da sua terra natal e aventurou-se pelos mares até chegar aos longínquos e selvagens sertões brasileiros, onde com valentia, patriotismo e abnegação conquistou e dilatou as fronteiras do Brasil.
 
Chegando ao país das riquezas inexploradas, que seduzia o imaginário e despertava a cobiça dos aventureiros, estabeleceu-se na Vila de Paranaguá. Lá construiu abastado cabedal, com sua loja que era uma das melhores do local. Aos 30 anos entrou para o exercito, e a 25 de setembro de 1769 partia numa bandeira oficial para a conquista de Tibagi. A expedição era composta de 100 homens, mantimentos de subsistência, armas, ferramentas, canoas e utensílios. O objetivo era descobrir minas, aprisionar índios, e reconhecer o país. Naquela época o bandeirante era uma reprodução do aventureiro grego que na história ia à busca de escravos e do Tosão de Ouro.
 
As bandeiras em geral não eram pacificas. Lutava-se contra tudo, dificuldades, elementos da natureza, floresta e seus habitantes. O calor era insuportável, a falta de recursos, os insetos vorazes, as doenças tropicais, a floresta fechada, os animais selvagens, a fome, os perigos constantes, tudo minava a saúde e a vida desses homens. Muitas vezes a expedição era feita às expensas do próprio bandeirante, e sem a certeza de haver um retorno financeiro ou a fama esperada.
 
Antonio da Silveira partiu do Porto Conceição (Rio Registro, hoje Iguaçu, Paraná). Socorreu na viagem outra expedição que estava em dificuldades, e chegou a Porto Salto a 20 de dezembro, onde lançou os fundamentos da futura cidade que nos tempos atuais é União da Vitória. Mas o seu caminho ainda estava no começo. Apartando-se da bandeira, com 12 soldados e alguns escravos foi rio abaixo, por água e por terra, até atingir a barra que faz com o rio Paraná. Procurou seguir as instruções recebidas de não invadir o território inimigo. Durante meses lançou-se em cansativa e arriscada viagem transpondo cachoeiras perigosas, cortando matas densas, galgando serras, enfrentando feras e zagaias de índios hostis. Tinha um pequeno mapa para se guiar. Mapa feito mais de indicações que de experiência anterior. Para se orientar na floresta subia nas copas das árvores, não perdia o rio de vista, era o seu reparo mais seguro. Quando manso, metiam-se a navegar usando a corrente a seu favor Quando as águas tornavam-se violentas e as corredeiras perigosas, voltavam à terra atravessando brenhas, gargantas e serras. Muita vezes faziam as próprias embarcações derrubando árvores gigantescas e talhando-as. Mais adiante, abandonavam-nas quando não podiam mais navegar, para à frente, novamente tornar a fazer outra para ao rio voltar. E assim por 3 meses perseverou, até que um dia..., escreveu ele ao governador da Colônia de Sacramento, quando estava preso, cansado de fazer caminho tomei a resolução de voltar ao rio e às cachoeiras. Seguíamos despreocupados em águas pacificas quando uma nova corrente começou a levá-los, cada vez mais depressa sem que pudessem fazer alguma coisa para resistir à violência das águas. Oraram desesperados pedindo socorro à Virgem Maria, quando guinando para uma margem roçaram nos galhos de uma velha árvore caída sobre o rio. Instintivamente todos se lançaram como macacos sobre os galhos, enquanto a canoa fugia na correnteza, com tudo o que estava dentro. Tempos depois enfrentaram outra circunstancia semelhante, desta vez com a morte de um dos soldados, que se afogou.
Apesar das canseiras o capitão não esmoreceu. Continuou sua marcha até que 10 meses depois que deixou a expedição alcançou o rio Paraná, já em terras de Espanha. Sem saber que estava em território inimigo, foi preso com sua gente e levado, apesar dos protestos, para Buenos Aires, onde amargou 8 anos encarcerado. Na prisão escreveu ao governador da Colônia de Sacramento e aos seus generais para que o ajudassem, em vão.
 Na prisão foi aliciado pelo inimigo para que servisse à Coroa de Espanha, para proceder a novas conquistas e desbravamentos. O que sempre recusou, com o risco de perder a própria vida.   Seu pecúlio gastou-o com expedicionários para levar noticias para sua família e superiores, nos anos de prisão.
 
Quando Portugal e Espanha assinaram o tratado de paz, ele finalmente foi libertado, cansado, doente,  empobrecido.
Em recompensa, recebeu da coroa portuguesa uma carta de brasão e um soldo de sargento-mor, isso já no fim de sua vida, pela conquista de  um território rico e inexplorado de 420 léguas para seu país. 
 
Na história do Brasil Antonio da Silveira Peixoto terá sempre o respeito pela façanha de ter alargado as fronteiras desse grande país, e para nós açorianos, que viemos depois dele, resta-nos a obrigação de resgatar-lhe a memória e os feitos que elevaram o nome dos Açores, terra tão pequenina e que tantos filhos destemidos deu à construção do novo mundo.
 
Referencia bibliográfica: Famílias Faialenses (Marcelino Lima)
Resumido e adaptado por Maria Eduarda Fagundes, faialense, radicada em Uberaba, MG. Brasil
29/08/01

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