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A bem da Nação

A QUEM DAREI O MEU VOTO – 2

 

 
 
 
 
Tenho a Autarquia como um espaço privilegiado para o exercício da democracia dado que nela é quase directa a relação entre o eleitor e o eleito, as «coisas» bem ou mal feitas têm autoria muito identificável e a influência do eleitor mandante pode ter alguma eficácia junto do mandatário eleito. Também a acção do autarca tende a influenciar mais directamente a vida do freguês do que as distantes e frequentemente estéreis agressões verbais desenvolvidas no Parlamento. E se os tiques parlamentares já se pegaram às Assembleias Municipais e de Freguesia onde a vaidade desses mini e micro-deputados se pavoneia com teatralidade, a relação de proximidade e a dimensão das questões locais cabem melhor no espírito do cidadão comum do que o discutível pragmatismo da actividade legislativa de génese parlamentar.
 
Não é, pois, pela elevação dos temas ou sequer pela volumetria da produção legislativa que justifico a importância que atribuo às eleições autárquicas: é pela relação de proximidade, pela influência directa e permanente que as questões locais exercem na vida de cada um, pela temática prosaica que aborda; in limine, pela inequívoca influência que a Autarquia tem na qualidade de vida do cidadão-eleitor-contribuinte.
 
E se cada terra tem seu uso e cada roca tem seu fuso, não será útil aqui referir questões que se colocam a uma Autarquia específica seja ela a Capital do País ou a mais recôndita Freguesia do interior. Mas há temas comuns a todas elas e são esses que mais me interessam neste dilema de saber a quem dar o meu voto.
 
A quem o darei então? Muito simples: a quem me inspirar confiança. E que características tenho eu que procurar em quem se perfile como candidato para que a minha confiança apriorística possa existir?
 
Dentre os atributos que definem um cidadão exemplar, supostamente «maior e vacinado», parece-me justo excluir alguns, a saber:
 
  • Não ser Advogado – negligenciável
  • Não ser membro das Forças Armadas – negligenciável
  • Não ser membro das Forças de Segurança – negligenciável
  • Não desempenhar qualquer função no seio do Poder Judicial – negligenciável
  • Não ter cadastro – imprescindível
 
Com tanta exclusão, facilmente se conclui que não é necessário ser-se cidadão exemplar para me convencer a dar-lhe o meu voto. Ou seja, o critério da exemplaridade não é aplicável porque a definição é ridícula e não porque a exemplaridade seja negligenciável.
 
Terei, pois, que seguir outro critério quiçá mais exigente.
 
Assim, darei o meu voto nas próximas eleições autárquicas a quem provar dispor e usar regularmente os seguintes atributos não hierarquizados:
 
·         Ética – democrática ocidental;
·         Integridade – de conduta recta, pessoa de honra, educada, imparcial, briosa, pundonorosa, justa, que não se vende; pessoa para quem a moral não tem preço e é indiscutível;
·         Responsabilidade – obrigação de responder pelas próprias acções induzidas por razões ou motivos plausíveis, no exercício do livre-arbítrio, tendo plena consciência das consequências dos actos praticados, sempre em favor do bem-comum;
·         Respeito pela Lei – nunca legislar em benefício próprio mas apenas tendo em mente o interesse geral;
·         Respeito pelos direitos do próximo – nunca se esquecer de que não é «dono» da Autarquia mas apenas mandatário ao serviço dos eleitores na busca do bem-comum;
·         Transparente – ser pública e privadamente de boas contas.
 
Desejo que não seja necessário imitar Diógenes que em pleno dia caminhava por Atenas com uma lanterna acesa «à procura de um Homem».
 
Assim ele se candidate para que lhe possa dar o meu voto.
 
Lisboa, Abril de 2009
 
 Henrique Salles da Fonseca
 

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