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A bem da Nação

Piratas à vista !

 

 

 

Ninguém sabe ao certo quem foi o primeiro pirata, mas que é uma profissão antiga, desde que o homem começou a se deslocar pelos mares, é mesmo. E não havia piratas só no mar. Em terra eram chamados de salteadores, e talvez sejam até anteriores aos outros. Ainda lembro da preocupação de quem atravessava, já de carro, a Sierra Morena, no sul de Espanha, com medo de ser assaltado! Assalta-se hoje, sobretudo no Rio e em São Paulo, em plena luz do dia e na maior descontração, e em muitas outras cidades do mundo.
Piratearam, com a “falácia vigarista” de Carta de Corso, os ingleses, franceses, holandeses e outros mais, piratearam os árabes e portugueses nos mares da Índia e não só, os chineses nos seus mares a que os portugueses deram um basta, e como prémio receberam Macau de presente, piratearam os povos do norte de África no Mediterrâneo, todos eles usando sempre de grande ferocidade, continua a ser uma perigosa aventura passear de barco à vela nalgumas regiões do Caribe, e até o famoso e sempre admirado Joshua Slocum só não foi vítima de piratas primários porque seguiu o conselho do alemão que lhe sugeriu espalhar taxas (pregos) bem afiados no convés do seu “Spray”.
Hoje, na ordem do dia, estão os piratas da Somália. Diferem bastante dos clássicos, de perna de pau, olho de vidro e gancho num dos braços, e implacáveis nos seus ataques. Estes somalis tratam bem os reféns. Alimentam-nos e deixam-nos relativamente à vontade enquanto aguardam o pagamento dos vultuosos resgates. E estão todos ricos. Milionários.
Mas como começou esta nova onda? Em 1991 os “senhores da guerra” derrubaram o governo pró soviético, e a partir daí nunca mais ninguém se entendeu naquele país. Morreram dezenas de milhares de civis, a fome tomou conta de 75% da população, centenas de milhares de refugiados procuraram alcançar os países vizinhos, e a anarquia instalou-se.
As águas territoriais somalis são ricas em peixe e camarão. Muita gente, muitos pescadores viviam da pesca. Com a total ausência de governo, os pescadores ficaram ainda mais abandonados à sua sorte, e os “espertos” e bem equipados países pescadores, como a Índia, China, Rússia, franceses da Reunião e uns tantos outros, decidiram fazer a festa nos mares desta anarquia! Os pescadores somalis viram-se assim esbulhados, sem possibilidade de competir, e até escorraçados para fora dos seus mais ricos pesqueiros!
 
Ao largo da Somália, os piratas preparam uma abordagem
 
De entrada tentaram defender-se dando um tiro ou outro contra algum intruso o que não fez a menor diferença, porque o esbulho estrangeiro continuou.
A solução encontrada foi atacar qualquer um que por ali passasse, e pedir resgate. Não tardou a verificar-se que esta “indústria” era muito mais rendosa do que a pesca, e o crescer da pirataria foi imenso. Só em Novembro último os piratas tinham em seu poder 18 navios à espera do pagamento!
A Somália está hoje dividida em quatro ou cinco zonas de influência de diversos pseudo líderes. Não há governo, não há leis, não há nada. Há fome, mortes, apedrejamento de mulheres segundo as normas fanáticas da charia do Islão; só vivem como nababos os salteadores e, como é evidente, país nenhum se atreve a invadir a Somália para acabar com esta situação.
O que não está certo é o mundo condenar à priori os piratas somalis, sem penetrar no fundo da questão que acabou dando lugar a este descalabro.
Além disso, países onde se misturam extremistas, ou fundamentalistas, islâmicos, loucos pelo poder, com populações não árabes, como é o caso também do Sudão/Darfur, a normalidade, se algum dia vier a existir, está muito longe das atuais gerações.
Entretanto sofrem as populações mais pobres, e os países ricos terão que manter uma esquadra para defender o tráfego marítimo naquela região!
 

 

 
É este o século XXI!
Rio de Janeiro, 22-mar-09
 Francisco Gomes de Amorim

 

 

 

 

 

 

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