Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A bem da Nação

A Roda da Vida


Cada povo, como o Homem, tem uma sina, uma queda, um jeito de ser ou uma vocação. E as dificuldades da vida e o destino vão levando-o  para a sua história. E a história do minha gente foi emigrar,  por necessidade e por inclinação, vencendo o mar, levando consigo as suas crenças e fé, a sua coragem e determinação. Sua cultura ilhoa disseminou,  por onde se fixou ou passou, ajudando, quando se ajudava,  outras terras a se transformar.

Mas para o  emigrante açoriano o Brasil sempre foi o destino preferido, a terra idealizada, até que, desiludido, com as duras experiências vividas,  mudou  no caminho  a sua direção. 

Era o século XIX . A América do Norte, terra em crescimento acelerado,  era o sonho de prosperidade e de riqueza. As muitas ofertas de trabalho no campo e nas fábricas atraíam os emigrantes europeus.
Quem sabe não fosse mais fácil agora ganhar o pão? Pensando assim,  muitos acorreram às industrias do leste do país.  Massachusetts,  New Bedford (onde a aptidão para o mar poderia ser exercida, trabalhando nos baleeiros), Fall River, Taunton, Rhoad Island, foram os locais preferidos para se instalarem.  

No interior e na parte sudoeste da América, principalmente na Califórnia(Vale de São Joaquim) as actividades agro-pecuárias, a jardinagem e a arboricultura davam ao açoriano a oportunidade de trabalhar na área onde poderia melhor se safar, já que em termos de qualificação profissional, nas cidades e fábricas,  perdia para os demais imigrantes,
tendo que ficar com os trabalhos mais duros e menos remunerados pelos
outros desprezados.

Em 1910, a Califórnia já abrigava mais de 80 mil imigrantes portugueses, e em 1960 a maior parte das leitarias do Vale de São Joaquim pertenciam a açorianos e luso-descendentes. A importância das comunidades para a região é sentida na economia local e na presença atuante de Rádios, Jornais, Clubes e Associações que cultivam e propagam a cultura portuguesa naquela parte dos USA. 

No Havaí  também muitos açorianos desembarcaram para trabalhar nas culturas de ananás e cana-de-açúcar.  Nas Ilhas Sandwich,  chegaram a conquistar influente poder económico e até político.  Mas o sonho foi fugaz e logo a roda da fortuna girou, a política mudou e esses caminhos tornaram-se difíceis de trilhar. Mas sobreviver era preciso, e lá se foi novamente o ilhéu em busca de outras terras a desbravar. 

A África estava em desenvolvimento e os dirigentes portugueses do continente, para angariar gente, facilitavam o ingresso naquelas colónias  com ajudas e promessas, numa tentativa de lá fazer um novo Brasil. Até que a revolução pela independência chegou e com o sonho tudo destruiu e arrasou,  trazendo de volta muitos que agora e novamente buscavam outros rumos. 

O Canadá foi a escolha dos açorianos. Facilitou-lhes  a  entrada no país. Permitiu que a partir da metade do século passado uma significativa comunidade se instalasse principalmente em Toronto. 

Mas o emigrante é sempre emigrante. E mesmo o bem sucedido, tem na
mente a lembrança e no coração a nostalgia e o amor pelo seu torrão natal . E é por isso que muitos voltam, agora já aposentados, à procura do passado, da felicidade  e do sossego perdidos quando deixaram o seu rincão.

Que ironia, hoje o arquipélago dos Açores, terra de emigrantes, padece pela falta de gentes!  Quem tantos filhos deu ao mundo, agora pede
braços fortes e especializados que façam a roda da vida girar.

 Maria Eduarda
23 de Setembro 2004

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2007
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2006
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2005
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2004
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D