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A bem da Nação

O melro e o mocho

 

 
 
 
 
A vida pacata, porém trabalhosa e sacrificada dos antigos açorianos, as longas noites de Inverno ao redor de lamparinas e dos lumes dos fogos foram palco de conversas e histórias fantasiosas cheias de sabedoria e filosofia popular.
 
Do livro de Ângela Furtado Brum, Contos Tradicionais Açorianos,  retirei a seguinte história relatada por Lucinda Amaral, 89 anos, das Lages do Pico.
 
 
Uma certa tarde, um melro foi voando, voando, até que chegou ao pé de um castanheiro onde queria passar a noite. Pousou. Mas viu que estava lá um mocho. O mocho, assim que viu o melro, ficou muito contente e disse lá consigo:
 
- Já cá tenho ceia de primeira!
 
E começou com voz muito mansa a falar com o melro, fazendo-se muito seu amigo.
 
 
O tempo foi passando, o Sol pôs-se e o mocho estava inquieto que o melro pegasse no sono para poder comê-lo. Mas o melro estava sempre com um olho fechado e o outro aberto. E o mocho olhava pra ele e pensava:
 
- Ora, o melro não fecha os olhos.
 
Esperou, esperou e foi ficando aborrecido até que, por fim, arrebentou e disse:
 
-Ó amigo melro, por que é que não fechas os dois olhos?
 
 
Respondeu o melro espertalhão:
 
- Amigos de longe, vistos de perto, fazem com que eu tenha um olho fechado e outro aberto.
 
Uberaba, 13/03/09
 
 
Maria Eduarda Fagundes
 

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