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A bem da Nação

RUY COELHO – 5

 

 
 
Não obstante o ridículo da situação parecem ser ainda hoje motivos políticos, resquícios do PREC e das polémicas com Lopes Graça, continuadas pelos seus discípulos, os que levam à quase inexistência de exibições públicas das suas obras. Sendo no entanto verdade que, com raras e honrosas excepções, dificilmente se ouve música erudita portuguesa nos nossos dias.
 
No seu tempo recebeu os elogios de compositores como Falla, que muito admirava e com quem trocava partituras por correspondência, bem como de inúmeros críticos, e de músicos, cantores, cenógrafos, escritores que com ele colaboraram. Exibiu as suas obras por todo o país, levando a música erudita a locais tão improváveis na época como: Amadora, Almada, Aveiro, Alcácer, Beja, Covilhã, Évora, Funchal, Santarém e tantos outros. Exibiu as suas obras em vários países europeus (levou, em 1959, as primeiras companhias portuguesas de Ópera a Paris e em 1961 a Madrid) e sul-americanos.
 
Ruy Coelho e Charles Oulmont
Teatro dos Campos Elíseos, Paris
 
Segundo José Blanc de Portugal, a obra orquestral de Ruy Coelho terá sido mais divulgada no estrangeiro do que em Portugal. Compôs música para filmes como "Alla-Arriba!" de 1942 e "Camões", ambos de Leitão de Barros, "Rainha Santa", uma co-produção luso-espanhola, “A Garça e a Serpente” e parcialmente para a “Rapsódia Portuguesa”. Escreveu manifestos, livros, crónicas e críticas em jornais, a maioria no Diário de Notícias, onde colaborou durante muitos anos e de onde foi saneado por Saramago durante o PREC (voltando a escrever, de 1979 a 83, umas crónicas intituladas "Histórias da Música"). Foi pianista, muitas vezes empresário dos seus concertos ou edições, maestro, (chegou a dirigir a Orquestra Sinfónica de Berlim) mas foi, fundamentalmente, compositor, tendo escrito obras musicais de vários géneros. Para além de Óperas e Bailados, Música Sinfónica e de Câmara, Lieder e Música Religiosa, até curiosamente o Hino da Cidade de Lisboa e o famoso Fado de Coimbra "O Beijo", sobre poema de Afonso Lopes Vieira, que tendo sido popularizado por António Menano, é por vezes erradamente atribuído a esse célebre fadista.
 
Para além da dimensão da sua produção artística, devem ser salientados os obstáculos que teve de vencer para divulgar a sua obra. Pois foram necessários: teatros, orquestras, cantores, cenários, figurinos, ensaios, e mais um sem número de meios decisivos para que as obras escritas se materializassem, com um mínimo de dignidade. E fazer tudo isto num contexto tão desfavorável como o de um país pobre e pouco culto, como foi Portugal na primeira metade do séc. XX, e sem fortuna pessoal que não o talento, terá sido pouco menos que heróico. Ele atribuía os seus sucessos ao destino, sem deixar nunca de lutar fortemente para os atingir. Ruy Coelho, faleceu em 1986 com 97 anos, e uma das frases que me dizia mais vezes: “Com estudo és tudo”, ficar-lhe-ia bem como epitáfio.
 
FIM
 
5 de Fevereiro de 2009
 
 Rui Ramos Pinto Coelho

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