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A bem da Nação

RUY COELHO – 3

 

 
 
 
Descrente com o país, tenta a obtenção de uma bolsa para voltar a estudar no estrangeiro, mas ao prestar provas no Conservatório, supostamente sobre Composição, quando esperava que os seus dotes fossem postos à prova, fazem-lhe uma única pergunta: "Que estudo especial precisa de fazer um compositor?". Classificam-no em último lugar. Um júri em que, segundo ele "não havia um único compositor". Denuncia o caso através de manifestos e artigos no Jornal Restauração, "para que todas as pessoas honestas os ficassem conhecendo como elementos perigosos num país que quer caminhar integrado no moderno espírito das nações cultas." Falido, derrotado e descrente, abandona Lisboa e passa dois anos a tocar piano em pequenas formações nas estâncias turísticas de Pedras Salgadas, Curia e Monte Estoril. Mas quando, em 1917, surge no Portugal Futurista a publicitar a vinda dos Ballets Russes com Almada Negreiros e José Pacheco, já tinham programado juntos seis bailados. Destes, dois tinham sido executados e outros dois seriam levados a cena em 1918 no S. Carlos: o "Bailado do Encantamento" e "Princesa dos Sapatos de Ferro". O primeiro com mise-en-scène de Almada (no I acto) e o segundo com mise-en-scène e figurinos de Almada (que também dançou dois dos personagens, a Bruxa e o Diabo). Segundo relatos da época, o espectáculo terá sido muito concorrido e bem recebido pelo público, tendo sido presenciado por Sidónio Pais. Almada haveria de caracterizar o mesmo, em 1925, como "a noite mais entusiástica da minha vida".
 
Em Junho de 1923 Ruy Coelho toma conhecimento de um concurso para montagem de uma ópera em três actos no S. Carlos, que teria de ser entregue para avaliação até Outubro. Considerando impossível compor uma tal obra num tão curto período de tempo, decide não concorrer. Mas, pensando melhor no assunto, chega à conclusão de que alguém já deveria ter o trabalho pronto para apresentar e decide ir à luta, lançando-se ao trabalho de compor as cerca de mil páginas de pautas que viria a concluir no princípio de Janeiro. Entretanto, o concurso fora anulado… e com a ópera pronta, decide oferecê-la ao S. Carlos (que a recusa) "sem ter ao menos visto a primeira página, e indagado da montagem". Por essa altura, sabe da existência de um concurso em Madrid, aberto a compositores portugueses e concorre entregando a ópera no dia 31 de Janeiro, último dia do prazo. Chegados os resultados, obtém o primeiro lugar com a Ópera Belkiss. Em entrevista ao Diário de Lisboa diria: "S. Carlos recusou-me a Belkiss, prestou-me um serviço que não mais esquecerei e do qual estou profundamente satisfeito. Ora imagine que tinham gostado da ópera? Estava perdido, porque neste momento não tinha a satisfação de ver o meu trabalho valorizado num concurso oficial de um país como Espanha, que hoje é uma potência artística, estupenda, e teria a estas horas a Belkiss a ser representada aqui no nosso lírico, entre desconfianças e desprezos das criaturas exigentes que à saída do Parsifal vão para a Garrett assobiando o «Fado Liró» e a «Maria Cachucha»…".      
 
(CONTINUA)
 
5 de Fevereiro de 2009
 
  Rui Ramos Pinto Coelho
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