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A bem da Nação

CRÓNICA DO BRASIL

 

 Don Vitoriano Aristi

padre espanhol, já muito doente

 

O Deus, o Deus e... o Deus!

 

 

São muitos os nomes que os vários povos e crenças dão a quem os lusófonos chamam de Deus, os hindus preferem chamar o Absoluto ou o Incognoscível, os chineses Tao, etc. No entanto há uma diferença grande entre as várias visões que os seguidores das três religiões monoteístas têm do seu Deus, Javé ou Eloim, ou Alá.

Numa síntese bem meditada, sem se saber por quem, diz-se que os muçulmanos conhecem Alá, os judeus temem Javé e os cristãos amam a Deus, mesmo sabendo-se que todos têm conhecimento do primeiro mandamento «Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo!»

Os muçulmanos, pelo Corão, são incentivados a conquistar, se necessário pelas armas, mais seguidores de Maomé, crime que os cristãos já praticaram e de que ainda hoje se devem penitenciar entristecidos.

Os judeus criaram um mito da sua etnia, proclamando a sua desventura através do «exílio forçado desde há 3.000 anos», continuam a temer a Deus e para isso se fecham cada vez mais, desprezando, quando não odiando, o mundo que os rodeia. Não só em Israel, mas um pouco em todo o lado.

Parece, não, não parece, a verdade é que ambos preferiram retirar do primeiro mandamento a conclusão do mais importante: «Amarás ao próximo como a ti mesmo»!

Amar a Deus, respeitá-l’O, respeitar um Ente Incognoscível, não parece ser um ato de grande dificuldade, porque só a consciência de cada um pode julgar a sua devoção. E consciência... como orar, ou bater com a mão no peito, desfilar contas de rosários, recitar interminavelmente passagens do Talmud ou do Torá, em pouco ou nada ajuda a melhorar a vida na Terra.

O mundo não precisa tanto de orações como de acções de Amor! De doações de si próprio em benefício do Outro!

Por isso cada vez que vemos um homem que dedicou toda a sua vida a transmitir esse Amor, esse entusiasmo no Deus do Amor, a vibrar com uma imensa alegria interior com tudo quanto pudesse ajudar o Outro, a nossa alma vibra também contagiada pelo ardor que a Verdade comporta.

Há muitos homens e mulheres assim. Aliás, infelizmente são raros. Muito raros. São excepções, quando excepções deveriam ser os outros, os egoístas e gananciosos que só pensam em si próprios e um dia vão enfrentar-se num espelho que não mente.

E quando vemos desaparecer um homem destes, que mesmo com idade avançada, o corpo sofrendo cheio de problemas e de dores, mas sem esmorecer na sua imensa alegria do dever cumprido, continuar a transmitir essa Alegria no Senhor, mesmo sabendo que finalmente descansou e está já a gozar a recompensa que merece, nós, os menos capazes de nos darmos, não podemos deixar de chorar. São lágrimas sinceras, mas egoístas. Choramos por nós.

O meu querido amigo durante quase cinquenta anos, um espanhol de sangue basco, alma a transbordar de força e alegria, que tanto nos ensinou e que tanta amizade dispensou, já não está mais entre nós. Terminou o seu sofrimento, grande, na terra.

De certeza que está agora a descansar. E com isso eu tenho que festejar, em vez de chorar.

 

Rio de Janeiro, 11 de Fevereiro de 2002

 Francisco Gomes de Amorim

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