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A bem da Nação

CRÓNICA DO BRASIL

 

A crise e as cavernas dos Ali Babás
 
Ora vejam lá se eu não tenho por aqui uma bolinha de cristal, de segunda qualidade (talvez made in China), mas que vai dando uns palpites!
Há quase três anos, escrevi o texto abaixo, desconfiando que as inflações provocadas (e todas são provocadas) levariam a economia a um colapso. O Japão, não há muito, tinha mostrado isso claramente, só que os EUA seguraram a peteca até que...
Leiam primeiro o que escrevi em Junho de 2006:
 
O VELHO E O NOVO MUNDO - II
 
Voltemos à Europa, dando uma passadinha pelo Japão. Não fica no caminho geográfico, mas serve para ajudar a compreender o que, sem que se adivinhe o futuro, possa vir a acontecer.
Nas principais cidades do Brasil, a valorização imobiliária nos últimos anos - não se cogita em especulação - quase não tem acompanhado a inflação. Daí o negócio não parecer muito atrativo.
O Japão, depois do restabelecimento da indústria e da economia, a seguir à II Guerra, começou a «sentir» que havia pouca moeda circulante no mercado o que impedia um mais rápido crescimento. Pequeno território, pouca possibilidade de expansão, muito dependente de matérias prima importadas, julgou ter encontrado uma solução tipo «vapt-vupt»: onde é que o povo gasta a maior fatia do seu salário, sobretudo o povo das cidades? Na compra de casa própria. Então a solução é inflacionar o valor dos imóveis, estender o crédito para 20, 30 ou mais anos e esse dinheiro «extra» vai inflamar a circulação monetária, esta a economia, etc. Pensado, feito. Pouco tempo demorou para se verem centenas, milhares de turistas japoneses viajando e gastando mundo afora, em sucessivas levas de «charters» e excursões tipo viaje now, paylater, aparecerem mais Toyotas e Suzukis, computadores e um monte de outras coisas, a maioria das quais se faz hoje na China. E os turistas? Entretanto desapareceram. E a economia do Japão? Tremeu. Tremeu porque o povo ficou endividado!
Estamos a chegar à Europa, onde o custo de um imóvel é algo quase inalcançável para a grande maioria dos jovens mortais que entram no mercado de trabalho. Ainda me lembro de há 50 anos ser avisado de que não devia pagar de aluguel mais do que 1/6 do meu salário! Hoje, em grande número de casos, são necessários dois a trabalhar para que um pague o aluguel e o outro a alimentação, vestuário, etc. Resultado: não casam, «juntam-se», descasam mesmo não casados, trocaram afinal de parceiro económico e desbaratam as suas vidas.
Mas porque não compram casa, em vez de alugar? Primeiro porque o preço dos imóveis é altíssimo, e mesmo que tenham que dar só uma «entradinha», essa «entradinha» equivale muitas vezes ao salário de um a dois anos de trabalho! Dirão: mas o banco financia até 50 anos a juros muito baixos (estamos a falar da Europa, hein?) Que maravilha! O comprador fica a vida inteira a pagar um imóvel, raro chega ao fim do compromisso, jamais sendo dono do que quer que seja, e o banco... o banco está sempre garantido com a garantia real e com os juros, que é disso que ele vive. E como vivem os bancos!
Quem paga e se arruína: o povo, a classe média, o sustentáculo da nação.
Para quem vai de países terceiro ou segundo mundistas, pode até deslumbrar-se pelo aparente vidaço daqueles que vivem, por exemplo, em Londres.
Mas quando se começa a falar com eles sobre o que resta no bolso e quanto devem de mortgage (prestação do imóvel), cartão de crédito, etc., sente-se que o balanço está um tanto desbalanceado. Sempre a favor dos bancos, of course, que se arriscam à inadimplência dos clientes.
Não sabemos se foi assim que acabaram os grandes impérios, mas o exemplo do Japão dá-nos para pensar um pouco. Trasladando o assunto para o Brasil então...
Solução: acabar com os bancos? Com a inflação imobiliária? Imitar a Revolução Soviética de 1917 e dividir o número de quartos de todas as casas pelo número de famílias da região?
Nada disto parece resolver.
 
E então? Vamos cruzar os braços e deixar que tudo continue a acontecer talequalmente?
Não vamos. Soluções, em se querendo, aparecem.
A ver.
 
Rio de Janeiro, 29 de Junho de 2006
 
 Francisco Gomes de Amorim 

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