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A bem da Nação

FALTA DE RUMO*

 

 
 
 
 
Desde sempre, o agricultor português começa por produzir e só depois é que procura comprador para os seus produtos. Os compradores, sabendo que têm diante de si um proprietário de produtos perecíveis, dizem-lhe: «Ou me vendes os teus produtos ao preço a que eu os quero comprar ou ficas com eles a apodrecer e perdes tudo. Portanto, para não perderes tudo, melhor será que mos vendas ao preço que eu quero pagar por eles.»
 
Nos países avançados o agricultor consulta a Bolsa de Mercadorias para saber quanto valerá um determinado produto (p.ex. um cereal) dentro de 6 meses e faz a sementeira se a cotação lhe interessa ou, caso contrário, escolhe uma produção alternativa que se mostre mais vantajosa. Assim se viabiliza a empresa agrícola.
 
Essas operações sobre futuros – realizadas anonimamente em Bolsa de Mercadorias – nunca existiram em Portugal esão tituladas por um documento que é descontável (para além de endossável) permitindo ao seu detentor a obtenção de financiamento para a lavoura.
 
Eis como a Agricultura chegou no nosso País ao estado que todos lhe conhecemos, em contraste com os Centros Comerciais faraónicos que encontramos um pouco por toda a parte.
  
Ou seja, ao contrário do que é costume dizer, Portugal não tem um problema agrícola mas apenas e tão só um problema comercial.
 
A título de curiosidade, registe-se que na Bolsa de Londres se fazem futuros sobre … porcos.
 
E por cá? Não é estranho que os responsáveis na matéria – tanto públicos como privados – andem todos distraídos ou mais interessados noutros assuntos?
 
Lisboa, Outubro de 2008
 
 Henrique Salles da Fonseca
 
 
 
* - a pedido do Instituto da Democracia Portuguesa para publicação na rubrica RUMOS do Jornal OJE

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