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A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS XI

 

Às vezes também há postais ilustrados ao Domingo
 
 
 
O ROSTO ANÓNIMO DA SOLIDARIEDADE
 
Domingo, 11 de Janeiro de 2009 – Sabíamos os meus Colegas e eu – era pelo menos a indicação que o nosso Presidente da Delegação de Lisboa (*) nos tinha dado – que esta intensa operação de auxílio aos sem-abrigo em Lisboa, iria terminar amanhã, Segunda-Feira, dia 12.
 
A decisão iria ser tomada à tarde, em reunião com o nosso Presidente da Delegação de Lisboa, os responsáveis no terreno, da Câmara Municipal de Lisboa e da Protecção Civil. Esta operação destinou-se a aliviar, por uns dias, o enorme tormento dos sem-abrigo em Lisboa, que sofrem todo o tipo de vergastadas violentas com que os elementos da Natureza nos atacam nesta época do ano.
 
Dei comigo a ter dois pensamentos contraditórios: [que decidissem não suspender a ajuda humanitária por este tempo ainda estar escabroso - o frio era muito - e, simultaneamente, desejei que tivessem motivos para suspender a operação – que a vaga do frio terminasse – para minorar osofrimento daqueles que pernoitam ao relento, em bancos de jardins, soleiras de portas, escadas de prédios velhos, arcadas de edifícios e outras “habitações”, onde dormem (?) recolhidos e protegidos das intempéries que têm de suportar].
 
Mas, num outro tempo das minhas cogitações, desejava, também, que estas acções humanitárias fossem todos os dias, para que estes seres humanos pudessem ser acompanhados e mitigados na sua solidão, - a solidão, meus Amigos, é pior que a fome e o frio - e que a nossa sociedade em geral, friamente, ignora. Sem tecto, com fome, com frio, com solidão, sobrevivem com a dignidade que a vida e a sociedade madrasta lhes permite; estão na escala infra humana, muito abaixo do zero da vida.
 
Sou, com muito orgulho, Voluntário da Cruz Vermelha Portuguesa, qualidade que os meus Amigos e visitantes assíduos deste blog só hoje conhecem porque sempre escondi esta condição por ser uma escolha da minha vida privada que só a mim e à minha consciência cívica diz respeito. Hoje dou o meu rosto com um objectivo que ficará desvendado no fim deste meu texto.
 
Falemos então desta operação de ajuda humanitária que faz parte, segundo me informaram, de um plano de contingência elaborado há muito tempo. Estiveram no terreno a Câmara Municipal de Lisboa, a Protecção Civil, a Cruz Vermelha Portuguesa e a Associação de Solidariedade Social Novos Rostos... Novos Desafios (**). E, além, destas organizações, estiveram, outrossim, no terreno, pessoas de todos os extractos sociais que nos apoiaram, designadamente alguns proprietários de restaurantes de Lisboa, estes com comida – sopa e sandes – e aqueles com roupa, sapatos e pacotes de leite, chá, açúcar, etc..; e em todos eles uma inexcedível boa vontade e solidariedade, demonstrando que alguma parte dos nossos concidadãos ainda têm consciência cívica; e que no nosso País não estamos tão perdidos de todo como Sociedade. Estiveram sempre presentes médicos; psicólogos; assistentes sociais; agentes da autoridade civil e municipal; Corpo do Centro Operacional da Cruz Vermelha Portuguesa (no Prior Velho) e o Corpo de Voluntários da Cruz Vermelha; bem como, o Corpo de Sapadores Bombeiros de Lisboa cujo Comandante manteve presença assídua na tenda que foi instalada para o efeito nas instalações da D. Carlos I (***), (****).
 
Entre os cidadãos anónimos que a nós chegaram, apareceu-nos no Sábado, 11, em que eu estava escalado para o turno das 18 às 20 horas (apesar de os Voluntários e os responsáveis directos no terreno da CVP se auto-considerarem permanentemente de serviço) um Grupo de Senhoras acompanhadas de 5 jovens entre os 13 e os 15 anos, provenientes de Torres Vedras, que nos trouxeram comida e apoio pessoal. As Senhoras são do Centro de Saúde de Torres Vedras e mostraram desejo de ser Voluntárias e as jovens queriam, logo ali, sereminformadas como podiam ser voluntárias. Todas elas foram esclarecidas e remetidas para quem na Cruz Vermelha as poderia informar e decidir mas quanto às jovens existia o óbice da idade pelo que teriam de esperar para serem mais velhas. Vimos-lhes a decepção no olhar, mas deixámo-las trabalhar ali a servir sopa, sandes, leite... e logo os olhares voltaram a ter o brilho com que nos abordaram (estou a escrever estas palavras comovido). Num gesto de as homenagear tirámos os escapulários e pusemos-lhos. A alegria de poderem ajudar os outros foi comovente. Tiraram uma fotografia que me enviaram por e-mail com estas singelas palavras que reproduzo:
 
Obrigado por nos ter deixado ser voluntárias por uma noite”.
 
Eu é que vos agradeço, minhas queridas, e a Cruz Vermelha também. Com jovens como vocês, Portugal não tem de ter medo do Futuro... e os sem-abrigo também não: Bem hajam!
 
E a mensagem e pedido que aqui deixo é o seguinte, em homenagem ao exemplo destas jovens e futuras mães portuguesas:quem tiver tempo disponível e não souber o que fazer com este, ofereça-se como Voluntário na Cruz Vermelha ou em qualquer outra organização com o mesmo fim. A vossa consciência cívica agradecer-vos-á pelo bem-estar e tranquilidade que sentirão.
 
 
Luís Santiago
 
(*) Que apoia os Voluntários local e pessoalmente sempre que necessário;
(**) Que me perdoem se me esqueci de alguém;
(***) Bem como a Srª Vereadora responsável, da Câmara Municipal de Lisboa;
(****) Uma palavra de agradecimento pessoal ao Srº Comandante pela prontidão e simpatia com que atendeu os meus pedidos de ajuda extra.
 
 

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