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A bem da Nação

DA CONQUISTA DE GOA

 

 
A Propósito do texto de John Howard Wolf
“Da Repulsa dos muçulmanos”
 
 
Meu Caro John Wolf (Sénior),
 
Permita-me que assim amistosamente o trate.
 
 
Peço-lhe desculpas antecipadas do meu comentário ao seu texto que vou fazer de seguida, mas, sou conhecido entre os meus Amigos por não ter “papas na língua” e fiquei surpreendido com as citações do seu texto “Da repulsa dos muçulmanos” de que não percebi muito bem o sentido, ou, intimamente, recusei-me a perceber. Repulsa de quê? Religiosa? Militar? Social? Moral? O sentido que tiro do seu texto é que os muçulmanos são um povo coitadinho perseguido pelos “malvados” dos portugueses. E surpreendeu-me de o seu texto só ver esta “mania” dos portugueses de perseguir não católicos.
 
Provavelmente, se recuarmos à península hispânica do Século XII, os Sarracenos que por aí “passeavam” eram umas vítimas nas mãos do Rei D. Afonso I e dos Reis de Leão, de Castela e de Aragão. Mas voltando a Goa, a mentalidade dos descobridores portugueses de quinhentos não é, com certeza a de agora. Vou referir algumas das suas citações que fez porque as considero ofensivas como português e eu posso não ser muito “british”, mas, em casa de ingleses eu nunca me atreveria a passar a fronteira da minha condição de visita em casa de anfitriões simpáticos e que me merecessem respeito e consideração. O Dr. Henrique editou o seu texto (espero que faça o mesmo ao meu e com igual destaque), foi um democrata e um “gentleman”. Eu digo-lhe, claramente, que não o editaria. Não é que não respeite as suas opiniões e de toda a gente, mas, na minha “casa” elas não teriam lugar se ofendessem o espírito da História de Portugal e, em minha casa mando eu e os meus familiares. Eu respeitaria e respeito as suas opiniões num qualquer forum de debate, onde é legítimo que todas as opiniões se expressem livremente.
 
Comecemos pelas citações: A Genevieve Bouchon (historiadora francesa), não reconheço autoridade nenhuma à Senhora quando conclui que os homens são umas ”bestas” (sic). Mas quais “Les Portugais”? ou “Les Maures”? ou “Les Français”. Então a Senhora não sabe que em França teve um Napoleão, o Hitler do Século XVIII e uma Revolução Francesa com um Robespierre e o período denominado historicamente de terror? Bem vistas as coisas a Senhora Historiadora “esqueceu-se” da mentalidade dos Homens de Quinhentos e que deram novos mundos ao mundo (Luís de Camões). Boxer e Denvers são historiadores ingleses, portanto, não os considero com moral para falar da História Portuguesa, quando a História Inglesa está pejada de brutalidades. Só lhe recordo o que se passou na Índia e nas Américas quando eram colónias inglesas e lutaram pela sua independência. No império colonial que o UK ainda hoje mantém disfarçadamente sob a designação de Commonwealth, esquecemos facilmente a luta por manter, por exemplo, a posição britânica nas Maldivas. E nós é que somos colonialistas!!! É perigoso falar do argueiro no olho do vizinho quando o nosso tem uma trave...
 
No Foral de Goa estamos a ler a discrição de uma operação militar. Creio que em operações militares não estamos propriamente a falar de beijos e abraços... Do Papa, em 1452, estamos também em presença da mentalidade religiosa do Homem de Quinhentos, Papa Calisto III (Cardeal Alfonso de Borja, espanhol).
 
Quanto ao Senhor Teotónio de Souza, além de a sua opinião ser suspeita e tendenciosa por ser indiano – não é que ser indiano tenha algum mal - gostaria de saber, se é possível, identificar qual o texto mais próximo da época onde tenham sido descritos os acontecimentos e que tenha servido de fundamentação histórica ao Senhor Teotónio de Souza, porque ao que me é dado conhecer - e eu de História de Portugal tenho a humildade de reconhecer que sei muito pouco - não há elementos históricos fiáveis de que a maioria dos habitantes muçulmanos de Goa tenham sido “exterminados” (pressupõe frieza e desumanidade na decisão) pelo Almirante Afonso de Albuquerque.
 
É pena que em relação ao meu Cardeal Patriarca, D. José Policarpo – sou católico, apostólico romano, vou todos os Domingos à Eucaristia do meio-dia na minha paroquia – o Amigo John tenha tido a deselegância de ser tão parcial e se tenha ficado por uma referência que cerceia o pensamento mais global do meu Cardeal e tinha sido muito interessante identificar (o pensamento) para não ficarmos só com um lado e com menos de metade da questão.
 
Juro que não percebi “E o atraso continua...” (sic), com que rematou o seu texto.
 
Somos atrasados? Provavelmente somos, mas não somos xenófobos, racistas, não temos “hooligans” e Lisboa ainda é considerada uma das Capitais mais seguras do Mundo.
 
Quanto à prática religiosa e de costumes, poderemos debater isso um dia, mas informo-o que já fui convidado para uma refeição em casa de muçulmanos e esclareço-o que as Senhoras comeram depois dos Homens e sentadas na cozinha... Talvez a historiadora Genevieve se sentisse honrada com este “tratamento” social. Eu por mim, nunca mais aceitei convites de pessoas com este comportamento social porque me senti ofendido com a desumanidade esclavagista de tal prática. Mas, não me atrevo a condenar, porque em suas casas cada um prossegue os costumes que entende.
 
A finalizar, cito-lhe um comentário que li acerca desta polémica de Goasobre um artigo de opinião que procura fazer um balanço sobre a herança portuguesa em Goa de Augusto Pinto (certamente conhecerá), em que este disserta sobre a lusofonia da identidade goesa e sobre os debates que esta matéria tem suscitado em vários planos ideológicos e com esta linha de orientação contra os “abusos” dos portugueses.O comentário ao artigo: “The Goan indentity is linked definitively to the portuguese and the indian. That is his originilaty and specificity. Why always commenting about Portugal’s abuses and don’t know else if what it makes goan identity is this mix??? Good or not, portuguese is part of goan identity, not only, but we can’t renegate our origines....our past and history”.
 
Sensato e justo, não? Pedi-lhe desculpa no início das minhas palavras? Retiro o pedido. Afinal de contas o ofendido sou eu... e os portugueses.
 
Os meus cumprimentos
 
 Luís Santiago
Cidadão Português
 

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