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A bem da Nação

CRÓNICA DO BRASIL

 

Povo, nação, etnia, tribo ?
 
Foi há pouco editada em Portugal uma revista, "Nova Águia", que tratou com muita profundidade o conceito de Pátria, (ver comentário, Pátria, em www.zukumuna.blogspot.com Set/08).
 
Se é confuso o conceito de Pátria, talvez mais seja o de Nação, Povo, Etnia, um pouco menos o de Tribo.
 
O povo americano começa agora, e só agora, a constituir-se numa unidade, depois que um descendente de africano chega ao topo de todas as escalas sociais e políticas. Antes disso, os americanos eram um conjunto (meio desconjuntado!) de povos - anglo-saxões, latinos, afro descendentes, índios, asiáticos, etc. - obrigatoriamente debaixo do comando duma bandeira, mas com a certeza de, estes últimos, se sentirem sempre em terra alheia. A conquista de Obama derrubou este conceito e provou que o povo americano pode vir a ser um só, unido, e assim se transformar numa grande Nação.
 
Os países europeus, ex coloniais, assistem, impotentes, com obrigação e desagrado, à sua população crescer só através da constante chegada de gente das antigas colónias, de África, Médio Oriente, Índia, Paquistão, e diversas outras origens, que, não tarda, sobrepujarão as populações autóctones do século XVIII ou XIX. Como ficará a noção de povo em França, Inglaterra, Portugal e Espanha? Qual povo? O original ou o total?
Os países saídos da expansão ultramarina, no século XVI e XVII, foram-se formando com gente nova, para quem a ideia de nação ou pátria ainda nem sequer se punha. Hoje, com o mundo dominado pela hipocrisia e ganância, entrou em campo a xenofobia, a argumentação dos antepassados, primeiros (?) ocupantes daquelas terras, mas sobretudo o olhar ávido para as riquezas naturais, sobretudo petróleo, ouro e outras de lucrativa exploração.
 
Muito se tem falado, e não se vão calar, sobre as terras e as gentes da Amazónia. Até o presidente Sarkozy, na sua recente estadia entre nós, se permitiu afirmar que a «Amazônia pertence a todos»! Todos, quem?
 
Os jogos políticos em torno desse imenso território, rico de tanta coisa que o torna crítico, têm sido grandes e estão em vésperas de se tornarem extremamente complicados.
 
O caso da Reserva da Raposa do Sul, fronteira com a Venezuela e Guiana, 1.750.000 hectares (quase o dobro de Portugal), onde vivem cerca de 20.000 índios de diversas tribos, ou etnias, põe em causa a soberania do Brasil sobre esse imenso território. Aqui se estabeleceram, há alguns anos agricultores brasileiros a produzir arroz (170.000 toneladas/ano) em risco de serem corridos da região. Ocupam cerca de 100.000 hectares, e assim mesmo nas áreas periféricas.
O total das reservas indígenas do Brasil alcança já cerca de 13% de todo o território nacional, cerca de 1.106.000 quilómetros quadrados, duas vezes a França, para um total - número exagerado - de 480.000 índios ou seus descendentes já misturados. Se dividirmos toda esta terra pelo número de índios que, dizem, nela vivem, daria uns 230 hectares por cabeça! Todos latifundiários!
 
Algumas tribos praticam ainda, com o beneplácito da FUNAI e de alguns missionários, o assassínio dos filhos, quando não gostam do sexo com que estes bebés vêm ao mundo (ver artigo INFANTICÍDIO do prof. Denis Rosenfield, em "O Globo" de hoje) e há quem continue a defender um tipo de vida em harmonia com a natureza, desde que possam usar rádios, panelas de alumínio, roupas e camisetas com estampados publicitários, facas e facões, bicicletas e até carros de alto valor que os garimpeiros oferecem a alguns caciques para poderem explorar ouro em suas terras!
 
Até hoje, e muito tenho escrito sobre o assunto, o Brasil, com honradíssimas excepções, esqueceu-se dos índios. Agora nalgumas localidades já se começa a ensinar a ler nas línguas nativas o que é importantíssimo porque não há livros nessas línguas, em vez de se fazer, volto a repetir, o ensino, em todo o país, da língua oficial, o português, e ainda da língua nativa de cada região, para que o património cultural e histórico não se perca mais.
 
Não é de admirar que qualquer dia se percam também os milhões de quilómetros quadrados desses territórios/reserva. Que afinidade une esses povos ao Brasil como um todo? Língua? Cultura? Nível de vida?
Devemos considerar os índios, ou cada uma das largas dezenas de tribos deste país, algumas sem qualquer possibilidade de se comunicarem com outras por terem línguas diferentes, como grupos tribais, etnias diferentes, nações indígenas ou... povos ... ?
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mário Juruna, Deputado Federal
 
 
 
 
E será que, com a (des)política que tem até hoje vigorado, algum dia vão conseguir ser brasileiros integrados e um deles possa seguir as pisadas de Obama, sem cair na caricatura do pobre índio xavante, Juruna, que elegeram deputado e acabou quase na miséria?
 
Rio de Janeiro, 5 Janeiro de 2009
 
 Francisco Gomes de Amorim

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