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A bem da Nação

CRÓNICA DO BRASIL

 

O nascer de um Novo Ano
 
 
Para aqueles que não sabem, moro no Rio de Janeiro, no alto de um morro, a uns 100 metros de altura, semi isolado, rodeado de árvores e, pela generosidade da natureza que insiste em sobreviver, rodeado também de pássaros, uns com residência fixa aqui por perto, outros que todos os dias nos rendem rápida visita, como gaviões, maritacas, papagaios e tucanos, muita lagartixa, vez por outra uma cobra, uns quantos mosquitos e incômodos maruins, sendo a maior luta contra os cupins, ou salalé, que surgem de todos os lados, inclusivamente de dentro das paredes, para lerem com os dentes, uma porção de livros, alguns deles insubstituíveis. É o preço do mato, de qualquer maneira jamais substituível por qualquer cidade. Nem Paris!
 
Uns pássaros cantam de dia, outros à noite, sempre cantos melodiosos e doces, e muitos descaradamente se aproveitam da ração que damos aos nossos cães, fazendo até habilidades para comerem o granulado. Quando é grande, e não passa na goela dos menores, estes praticam uma tecnologia admirável: roubam uma bolota de ração, depois voam até uns 3 ou 4 metros de altura, soltam o granulado que se desfaz ao bater no chão e... assim fica a refeição facilitada!
 
Ainda o ano novo não tinha despontado cantava ainda um passarinho que todos os princípios e fins de noite chama pela bem amada! Não sei que «marca» é, porque não o consigo enxergar no meio das árvores, mas o seu canto repetido pareceu-me que chamava por «Deodorim»! Isso mesmo Deo-do-rim, Deo-do-rim, Deo-do-rim!
Lembrei-me do «Grande Sertão: Veredas» um dos mais importantes romances da literatura brasileira, de João Guimarães Rosa, que, há muitos anos, antes de ter chegado ao Brasil não havia conseguido ler. A história de jagunços e caipiras com sua fala própria e termos regionais, só me foi possível compreender ao fim de algum tempo do meu abrasileiramento!
 
Deodorim a heroína, vestida de jagunço, que sempre lutou com valentia de herói e só depois de morta revelou a sua condição de mulher! Seu chefe e companheiro de luta, Riobaldo, chorou a perda do amigo e mais ainda quando viu que ela era uma linda donzela, Maria Deodorina de Deus, por quem sempre sentira uma atracção confusa!
 

Todos os dias, quando anoitece, e antes de amanhecer, este passarinho, que agora passou a ser o Riobaldo, durante algumas horas chama, num canto doce e meio triste, pela sua linda Deodorina!
«Riobaldo», não desiste. Um dia a sua Deodorina vai reaparecer, assim como a esperança em melhores dias para todos os que sofrem!
Deo-do-rim, deo-do-rim, deo-do-rim!
Não há dúvida de que os pássaros de outras terras não gorjeiam como cá!
 
Rio de Janeiro, 3 de Janeiro de  2009
 
 Francisco Gomes de Amorim

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