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A bem da Nação

DOMÍNIO INGLÊS NO BRASIL - Parte 10

                                   A QUESTÃO PLATINA
 
 
Com o apoio discreto da Inglaterra, da Corte de D. João, a princesa Carlota Joaquina deu início junto a representantes de Buenos Aires, aos acertos concernentes à sua ascenção ao trono no Prata. Ao final os representantes ingleses começaram a temer as suas interferências em um caso tão complexo. É que as relações entre a Inglaterra e a Espanha já não eram a mesma de antes: a Inglaterra estava interessada em apoiar o restabelecimento da dinastia espanhola em sua luta contra Napoleão, que a destruíra; não iria investir agora, pela força, contra as posses da Espanha na América.
 
Carlota Joaquina planeava deslocar-se para Buenos Aires com o apoio do Almirante Sidney Smith e aprovação de Saurnino Peña enviado daquela cidade. Mas chegavam de lá novos apelos. Temia-se ali que as circunstâncias provocassem um movimento republicano. Diante de tal ameaça melhor seria um príncipe assumir o poder. Que fosse D. Pedro. Strangford desaprovou a solução e o Almirante recebeu ordens para deixar o Brasil. Dom João acabou também por combater as pretenções de D. Carlota Joaquina a um trono em Buenos Aires, que representava o esforço de facções conservadoras platinas com o intuito de impedir  o aprofundamento do processo de independência que poderia realmente derivar para a república, não desejada. (...) Muitos julgavam ser mais fácil a emancipação constituindo uma monarquia que não desafiasse o poder conservador do Rei do Brasil. As intrigas palacianas mostram como o processo da independência das antigas colónias ibéricas colocavam as classes sociais em posições antagónicas. A classe dominante preferia submeter-se à Metrópole do que aceitar alterações estruturais contrárias aos seus interesses.
 
Do lado platino, figuras de destaque participavam do movimento emancipador pela solução monárquica, como viria a acontecer no Brasil possibilitando uma transição sem alterações da situação colonial para a autonomia.
 
 
General Manuel Belgrano (1770-1820)
 
"O primeiro homem de talento que, no Prata, abraçou a candidatura da Princesa, D. Manuel Belgrano, o fez no intuito não só de assegurar, por meio de uma solução prática, o desligamento do Vice-Reinado do Prata da Espanha então napoleónica, como de criar para a colónia elevada a Estado uma situação de ligação toda pessoal com o seu soberano, de todo diferente da antiga dependência da Metrópole (...). Belgrano e os que o acompanhavam - Castelei, Pueyrredon, Mariano Moreno entre outros - na disputada propaganda a favor da candidatura da Princesa do Brasil, preferiam obedecer a uma infanta da casa espanhola legitimamente reinante a porem-se às ordens de imprevistos políticos, franceses usurpadores, liberais da mãe-pátria ou conservadores da colónia; cogitavam uma monarquia constitucional, forma que lhes parecia a mais fácil de conciliar a tradição com o progresso, de tornar possível a emancipação alcançando a independência sem sacrifícios  e sem operar uma revolução incruenta".   ( Oliveira Viana: op. cit., p. 318,I ).
 
Continua
 Therezinha B. de Figueiredo
Belo Horizonte, 18 de dezembro de 2008 


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