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A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS IX

 

 
  
A Segurança do Cidadão Português
 
PARTE III
 
Atento aos comentários que me fazem ás minhas palavras e a que sempre dou uma atenção especial, porque, não só, por vezes, me apontam um caminho de que eu não estaria a dar conta, para melhor; como, por vezes, partilhando do conteúdo desses comentários, oriento a minha linha de raciocínio num outro sentido. Pois penso que é isto que é o “status” da génese democrática. Ouvir, debater, concluir e executar. Por outro lado, num processo de avaliação do alinhamento das minhas opiniões, ouço sempre outras partes, ou que não foram ouvidas, ou que foram menos ouvidas e, a constatação real das coisas também me faz mudar de opinião quando vejo que estou a seguir um caminho errado para chegar a uma conclusão. E como estamos a discorrer sobre questões de segurança dos cidadãos, tema que foi despoletado pela leitura do livro “Polícia à portuguesa – um retrato dramático”, tirei a conclusão de que é dramático, mas não pelos mesmos fundamentos apresentados pelos autores, ou pelo menos, em parte, não só por esses fundamentos. Com efeito, tive uma experiência prática que me deixou alarmado.
 
Há dias necessitei de tratar de um assunto numa esquadra da área de residência de um Amigo meu para lhe tratar de um assunto e (pasme-se!!!), a esquadra tinha um efectivo à porta. “Bom dia, Srº Agente” – cumprimentei. “Venho aqui tratar de um assunto e gostaria de falar com o graduado de serviço”. Resposta do Senhor Agente: “Olhe! Peço-lhe desculpa mas estou cá sozinho na esquadra”. Fiquei atónito e daí partimos para a conversa; estava sozinho porque não havia efectivos, e os operacionais estavam todos na rua, não havia pessoal administrativo para dar seguimento aos papéis e o comandante também andava na rua a apoiar os operacionais, porque eram poucos. Em resumo, somos os oito e os oitenta. Passámos das super esquadras para o policiamento de proximidade sem polícias que cheguem.
 
Entretanto chega o Comandante: “Bom dia! Deseja alguma coisa?” Respondi que sim, expliquei o motivo da minha ida à esquadra e o comandante pediu-me para aguardar mais um pouco porque, infelizmente, tinha de dar apoio aos homens por causa de um engarrafamento enorme na zona. Então voltei mais tarde, controlados os acontecimentos e tive uma conversa com o Senhor Comandante. Não, ainda não conhecia o livro, mas também tinha as suas ideias sobre a falta de pessoal. Normalmente tinha alguns agentes que pertenciam às associações sindicais. É claro que não é manifestamente isso que agrava a falta de pessoal, mas também ajuda. O pessoal que faz trabalho sindical aproveita-se dessas circunstâncias, comunicam que vão a uma reunião e nem sequer precisam de provar que foram à alegada reunião, era necessário mudar as regras e provarem que estiveram nas tais reuniões, (mais uma vez o oito e o oitenta). Que a PSP, em seu entender, está partidarizada.
 
Há uma associação sindical para cada cor política, enquanto na GNR há uma só associação. È verdade que ganham mal e nem sempre têm o apoio que deviam. Deixo (eu) ao Srº Ministro da Administração Interna esta sugestão pessoal:
 
Sr.  MAI
Sr. Ministro, se o Governo dispõe de quadros na mobilidade, e a grande maioria destes quadros são da área administrativa e estão em casa com parte do vencimento sem fazer nada, porque não ir buscá-los? Tratavam da papelada nas esquadras, a fim de os operacionais poderem fazer o trabalho deles no terreno, terem as horas de descanso de que necessitam e preenchimento dos horários de serviço (escalas) de forma a terem turnos bem elaborados e sem sobrecargas.
 
E já agora também sugiro ao Senhor Ministro, que no reforço das verbas do orçamento do MAI, tenha lá uma dotação provisional para evitar que os agentes andem a fazer gratificados (serviço privado de segurança) e a substituir o trabalho das empresas de segurança, que como é evidente, cobram mais caro do que o Estado. Esse reforço pode sair da dotação orçamental das deslocações e ajudas de custo dos Senhores Deputados, que pelos vistos, atentando na assiduidade, não a vão gastar toda.
 
Nós não carecemos dos polícias a fazer protecção individual privada para ganharem mais uns tostões, precisamos deles a fazer o seu trabalho de vigilância na rua, pagos para que vivam com dignidade, quer seja, enquadrados em super esquadras, ou no trabalho de proximidade, não discuto; mas precisamos dos polícias a policiar.
 
Essa é que é, em meu entender, a sua missão... Voltarei nos próximos postais, com os temas da formação, da disciplina e dos protocolos e função do IGAI, que interrompi, aproveitando os comentários que me foram feitos no último texto e que agradeço.
 
  
Luís Santiago

 

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