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A bem da Nação

Avozinhos hispânicos

 

Diz a história, em termos demasiado simples, que os primeiros habitantes da Península Ibérica seriam os celtas e os iberos. Mentira. Quando estes apareceram, há muito, muito, ali vivia outra gente a que talvez se possa chamar de indígena! Basta ver as grutas de Altamira, no norte de Espanha, com as pinturas mais realistas do paleolítico, pintadas há quase 20.000 anos!
prehistoria.jpg 
Altamira
 
Antes dos iberos terão chegado os celtas, que se estabeleceram no norte e centro da península, foram liquidando ou absorvendo outros povos, como os cónios que viviam na região centro-sul do que hoje é Portugal, e mais tarde derrotaram e depois absorveram os turdetanos, um dos grupos étnicos iberos.
 
   
 
 
O Deus dos cónios era Elohim
 
Tem-se uma ideia de que os celtas terão vindo pelo norte da Europa, talvez a maioria se fixado no norte das Ilhas Britânicas, e os iberos... há muita opinião: de Cartago, da Fenícia, da Berbéria, do Iemen do Sul, da Sicília e da Grécia, e porque não, da antiga Ibéria, um importante reino localizado a sudeste da Geórgia?
 
Quem deu o nome Ibéria a toda a península foram os gregos. Porquê Ibéria? Apesar de não se encontrarem evidências arqueológicas que liguem os dois povos dos extremos leste e oeste da Europa, mas sabendo-se que os cónios e os tartessos ou turdetanos tinham, pelo mesmo no século VIII a.C. uma escrita, até hoje não interpretável, mas de origem indo-europeia, da região do Cáucaso, tudo leva a pensar ser uma hipótese bem forte que os «nossos» iberos terão ido da Ibéria georgiana. Porque não?
 
Continua envolto em mistério a origem do povo basco, mas também a lógica nos indica que terá chegado depois dos celtas que não lhes terão permitido que se expandissem para além do espaço que hoje ocupam, muito misturados. Mantiveram a língua, enquanto a de muitos outros, entre eles a dos cónios e dos iberos se perdeu, mas ao fim e ao cabo a Península Ibérica foi um imenso caldeirão de povos de origens muito diversas. Dezenas de povos, com seus usos e costumes, e suas línguas, muito antes da chegada dos romanos, depois dos godos e mais tarde dos chamados árabes, só por si outra caldeirada, contribuíram para a formação daquilo que é hoje, mesmo com tantas contradições e alguns desentendimentos, o povo português e o espanhol.
 
Difícil é entender a fobia dos bascos (e eu tive uma bisavó basca!) com a sua brutalidade à procura de uma independência, quando a tendência actual é a união! São ricos? Óptimo. Mas já houve épocas em que outros mais ricos dividiram com eles.
 
Todos aqueles que têm um antepassado português ou espanhol, se não sabia, fica agora com mais uma ideia de quantos povos ou tribos foram necessários para chegar até ele!
 
Esta mistura toda  permitiu-lhe também muito boa adaptação a novos lugares espalhados por todos os cantos do mundo, e a muita luta pela sobrevivência e capacidade de resistir, e prosseguir, mesmo em circunstâncias adversas.
 
Só para falar nos portugueses, meia dúzia deles fizeram mais, nos séculos XV e XVI, para a globalização, do que hoje faz a Internet!
E continua a encontrar-se nomes de famílias portuguesas, alguns um tanto deturpados, não só no Brasil e em África, mas na Índia, Indonésia e em tantos outros cantos do Oriente. Quem os tem, conserva-os com orgulho.
 
Rio de Janeiro, 14 de Dezembro de 2008
 
 Francisco Gomes de Amorim

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