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A bem da Nação

LIDO COM INTERESSE – 39

 

 
Título: AO ENCONTRO DA PALAVRA – Homenagem a Manuel Antunes
 
 
Autores: Docentes de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Editora: Edições Cosmos
Edição: 1ª, 1985
 
 
Manuel Antunes nasceu na Sertã no ano de 1918 e morreu em Lisboa em 1985. Sacerdote jesuíta exerceu a docência de várias cadeiras do Curso de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa até que a doença e a morte fizeram a saudade descer sobre estudantes e colegas de docência.
 
Para mais fácil identificação do homenageado, extraio da Wikipedia:
 
«Aos 14 anos, deu entrada num Seminário Menor da Companhia de Jesus, em Guimarães. Com 18 anos tornou-se jesuíta; mais tarde doutora-se em Filosofia e Teologia, com a tese "Panorama da Filosofia Existencial de Kierkegaard a Heidegger", na Faculdade de Teologia de Granada, em Espanha.
Em 1949, com 31 anos, torna-se sacerdote e professor de História da Literatura Grega e de História da Literatura Latina na Sociedade de Jesus. Em 1957, a convite de Vitorino Nemésio, torna-se professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde leccionou várias disciplinas do curso de Filologia Clássica, com realce para a História da Cultura Clássica, onde se manteve até 1983. Em 1981 foi-lhe conferido, pela Faculdade de Letras de Lisboa, o grau de doutor honoris causa.
Os seus primeiros escritos são publicados na revista Brotéria-Revista de Cristianismo e Cultura, de cuja redacção passa a fazer parte em 1955, e cuja direcção assumirá mais tarde, durante cerca de 20 anos. A sua obra escrita abrange temas literários, filosóficos e culturais, muitos deles publicados com 124 pseudónimos. Colaborou igualmente na Revista Portuguesa de Filosofia e na Enciclopédia Luso Brasileira de Cultura. Era um grande amigo de António Sérgio, Vitorino Nemésio, José Régio, de Jorge de Sena e Almada Negreiros. Dele, terá Almada Negreiros dito um dia: "Este homem é só espírito".
Foi um mestre excepcional que marcou para a vida toda milhares de estudantes que, ao longo de mais de um quarto de século, passaram pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa desde 1957. A sua memória continuou viva a iluminar o caminho de muitos. O professor, cuja competência, sentido humanista e abertura à actualidade atraíram o interesse e admiração dos alunos, também estendeu a mais vastos públicos o seu magistério, graças aos inúmeros artigos que foi publicando.
Mais tarde, foi conselheiro do presidente da República, Ramalho Eanes.»
 
A presente homenagem é tão erudita quanto o homenageado e compõe-se de textos exemplares que deixam o leitor comum perfeitamente atónito com particularidades ausentes dos raciocínios vulgares. Apesar de escrito em português, dei por mim a ter que reler algumas frases para lhes absorver o sentido. Espero tê-lo conseguido.
 
Mas esta erudição não obsta a algum sentimento expresso aqui e ali quando menos se espera. Logo na introdução, da responsabilidade solidária dos Autores e intitulada “A nossa Homenagem”, começa-se por referir «MANUEL ANTUNES, o Padre Manuel Antunes, como carinhosa e prestigiadamente era designado na Faculdade de Letras de Lisboa, (…)» e daí passa o leitor aos tais textos fora do comum que nos dão a conhecer um mundo muito mais real do que aquele que esperamos de filósofos a quem costumamos considerar gente levitante. E eis senão quando uma das Autoras – Professora Doutora Mafalda de Faria Blanc – se refere a uma conversa que há muito tivera com o seu antigo Mestre em que dá o tom da sensibilidade presente pela forma da sua iniciativa de diálogo com a expressão «Confessei ao padre…». Da mesma Autora cito: «Alguns anos passaram. Regressei à nossa Faculdade com a missão de ensinar. Perguntei pela velha Eminência. Disseram-me que estava doente, que se tinha retirado. Passou mais algum tempo até que fui surpreendida pela notícia pública da sua morte. (…) o seu nome percutia na minha memória de estudante o som inconfundível das acções que edificam, dos eventos que fazem a nossa pequena história pessoal.» E depois de continuarmos a ser conduzidos por vários Autores através de raciocínios com especial transcendência, somos novamente chamados ao humanismo do homenageado em termos por que não se espera: «(…) a obra académica e literária do P. Manuel Antunes. De tal obra se pode dizer que foi moldada pelo “obrar segundo o próprio de si mesmo”, por aquilo que constituiu a sua razão de ser: a disposição e a exposição aos outros. Ao Outro.»
 
E os temas são tão variados quantos os Autores pelo que não dá para referir aqui a tese que cada um apresenta. Imagine-se o que seria resumir cada uma das seguintes doutas referências:
·        A Noção de Filosofia na Obra de Manuel Antunes. Em torno ao problema das Filosofias Nacionais – Francisco da Gama Caeiro
·        Memória de Estudante – Mafalda de Faria Blanc
·        Sócrates e a Theia Moira – José Trindade Santos
·        A justificação cristã da Palavra em De Magistro de Santo Agostinho – Maria Leonor Xavier
·        Reflexões sobre o Humanismo. O Humanismo no Renascimento – Mário Pacheco
·        Spinoza: O Itinerário da Substância a Deus – Maria Luísa Ribeiro Ferreira
·        Esboço Imaginário de Monadologia – Carlos M. Couto de Sequeira Costa
·        Filosofia – Futuro – Prática. Meditação da filosofia a partir de alguns temas feuerbachianos – José Barata Moura
·        Nietzsche e o Estoicismo – Nuno Nabais
·        Nietzsche e a Europa – Viriato Soromenho Marques
·        Oliveira Martins: A Filosofia da História e a Imagem dos Jesuítas – Pedro Calafate
·        Florestas no Murmúrio Indeciso das Cores. Do Deslocamento da Profundidade em Maurice Merleau-Ponty – Isabel Matos Dias Caldeira Cabral
·        Da Teoria da Arte à Metafísica da Arte – Adriana Veríssimo Serrão
·        A Razão Invejosa – Joaquim Coelho Rosa
·        A Relação de Exemplificação em N. Goodman – Carmo D’Orey
·        A Vida e a Morte dos Sinais. Uma Leitura de «O Nome da Rosa» de Umberto Eco – Joaquim Cerqueira Gonçalves
·        A Consequência Proposicional na Teoria da Demonstração – M.S. Lourenço e J. Branquinho
 
Sempre ouvi dizer que todos os grandes matemáticos são filósofos mas num livro dedicado à Filosofia não esperava encontrar tanto recurso à simbologia matemática.
 
Com a vantagem de que não é imprescindível começar por ler este livro no primeiro capítulo e levar todos de seguida até final, também não faz sentido dá-lo como definitivamente lido. Há que mantê-lo sempre à mão para nos lembrarmos de que nem só de pão vive o homem.
 
E então, já que não damos aqui o tema por encerrado, podemos regressar ao início do livro (pág. 10) e perguntar: o que é a Filosofia? A resposta prima pela evidência: é a «Ciência do universal, do universal enquanto universal».
 
Sim, há que reler o livro.
 
Lisboa, Dezembro de 2008
 
 Henrique Salles da Fonseca

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