Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS – VIII

 IGAI

 
 
A Segurança do Cidadão Português
 
PARTE II
 
No seguimento do texto anterior, vou começar pelas investigações em processos de averiguações ou disciplinares e pela veemente contestação que sofrem estes procedimentos. Será que são necessários? A esta polémica juntam-se as proibições de perseguições em alta velocidade e as do uso das armas de fogo. Há aqui uma contradição aparente que se dilui facilmente se nos detivermos um pouco sobre o que no próprio livro é afirmado pelos interlocutores anónimos. Então se os agentes não têm formação competente para fazer uso das armas e sequer possuem experiência e pontaria, segundo os próprios afirmam, para acertar nos alvos, tratando-se a maior parte das vezes de alvos em movimento e as armas não servem ou estão em péssimo estado de conservação, é sensato que disparem à toa? E se as consequências desses disparos tiverem efeitos colaterais? E se, perseguindo um carro em alta velocidade, os criminosos levam uma criança raptada, que a polícia desconhece, por exemplo? Ou levam o proprietário que foi sequestrado no momento do roubo? Vou, mais tarde desenvolver estas secções, no âmbito das competências do IGAI, para que percebamos do que estamos aqui a tratar. A arma deve ser usada? Concerteza, mas em que condições? Claro que se não fosse necessário usá-la também não seria lógico e necessário distribui-la. Isto levanta uma questão de primeiro plano que é a existência de uma entidade fiscalizadora. Todas as polícias do Mundo têm os “Internal Affairs”, (traduzindo para a gíria: Polícia dos Polícias) cujas competências estão representadas no IGAI. Ora, a morte de um cidadão, seja ele criminoso ou não, merece ser esclarecida publicamente. E isto é para preservação da imagem da Polícia e tranquilidade dos cidadãos. Os próprios agentes deveriam ser os primeiros a querer que, se dúvidas existissem sobre o seu procedimento, envolvimento numa morte de um cidadão e cumprimento dos protocolos, fossem investigados, para cabal esclarecimento dos acontecimentos. É claro, partindo do princípio, que falo num patamar de consenso em que tudo teria de ser feito de um modo correcto e sério entre investigadores e investigados. E que os protocolos para cada caso fossem seguidos, rigorosamente, por ambas as partes envolvidas. Lembro o recente caso da agência de Ourique, com um sequestrador abatido por um “sniper”. Nem sequer pus em causa a legitimidade do atirador policial ao cumprir a ordem recebida, nem contestei a legitimação de quem deu a ordem. Os factos foram públicos e de suficiente notoriedade para que não restassem dúvidas. Era o final esperado. O tiro foi limpo e resolveu a situação com o mínimo de consequências. Exposto isto, não abandonarei as linhas gerais do livro aqui em análise e do que este traz timidamente à superfície, nomeadamente, condições de desempenho, formação, carreiras, etc..., excluindo, como é óbvio, as lutas entre classes de polícias de carreira e militares e de quem mais se põe em bicos de pés. Muito embora reconheça que esta situação interna dificulta o desempenho de Corporação, isso terá de ser resolvido no seu interior, com bom senso e por via da intervenção política. Neste momento estou mais interessado em debruçar-me sobre factores exógenos e técnicos, como a formação, a cooperação interpolicial e a interdisciplinaridade das matérias que a envolvem.
 
 Luís Santiago

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D