O ENSINO PRIMÁRIO E AS QUOTAS Muito importante este sistema de quotas que se instaurou nas faculdades para estudantes oriundos do ensino oficial. Aplausos para a iniciativa. Só que... esqueceram-se do ensino oficial. Não esqueceram. Ignoram. Uma vergonha. Pode haver exceções, mas o que nos interessa é a regra. Por azar nosso, alguns dos meus netos estão, por razões financeiras, obrigados a estudar (estudar?) no ensino oficial. Escola primária municipal. Eu também estudei toda a vida em escolas oficiais e jamais me arrependi disso. Muito pelo contrário. Mas hoje... São três os netos, cada um em sua sala, cada sala com mais de quarenta e cinco - 45 - alunos. Já isto um descaso, uma autêntica estupidez! Pelo menos uma das professoras, quase todos os dias, sai mais cedo: ou está cansada, ou tem que ir ao médico, ou... simplesmente não vai à escola. Beleza. Essa mesma, quando o aluno se apresenta mais fraco, infelizmente a maioria, diz, agressivamente na cara dele: você já perdeu o ano. Nem precisa se preocupar! Em outras ocasiões tem semelhantes palavras de estímulo: - Vocês só vêm aqui para me encherem o saco! Hoje mandaram os alunos entrar às 15h30 em vez de ser às 13h00 como deveria ser. Lá foram os alunos para uma hipotética hora e meia de aula. Ao entrarem na sala, vocifera a dita professora: - O que vieram aqui fazer a esta hora? Só para me chatearem? E, a megera, a que deveria ser professora, despediu os alunos todos que foram para o pátio aguardar a hora da saída! Como é evidente não vou aqui dizer o nome dessa anormal, porque temo, sim, temo, represálias nas crianças, mas estou pronto a denunciá-la na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, de quem (talvez) dependa. Com este tipo de ensino oficial, para que guardar quotas nas faculdades? O que esta, e outra ditas professoras fazem com os alunos é uma afronta. Em pouco mais de quatro semanas de aulas os alunos já foram obrigados a ficar em casa, por razões extremamente equívocas, mais de três ou quatro vezes, fora as outras em que a dita professora teve que sair mais cedo. Como estes alunos vão chegar, se alguma vez tiverem essa sorte, às portas da faculdade? Que tipo de ensino estamos a ministrar nas nossas escolas? Quem é o responsável por estes abusos, estes insultos à dignidade das crianças? Tão fácil reprimir, e punir, sim punir, estes abusos e desmandos, porque nada se faz e se permite que isto continue acontecendo? Pobre país rico, entregue assim ao descalabro. Rio de Janeiro, 13 de Março de 2006 Francisco Gomes de Amorim
Creio que este é um gravíssimo problema que pode em muito contribuir para a degradação de uma Nação. A riqueza faz-se pelo conhecimento e não pela exploração dos exauríveis recursos naturais. Se o ensino privado é bom e o público é mau, isso poderá ter a ver com o estatuto disciplinar da função pública e com a falta de inspecção das escolas. Se o professor é bom, tem ermprego privado; se não presta, vai para o Estado. Será assim? Hewnrique Salles da Fonseca - Lisboa