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A bem da Nação

No Brasil, um rei negro

 

 
 ZUMBI
 
 
 
                                                                                                                                                                          
Para despertar sentimentos ou interesses que valorizem a história e seus personagens existe a humana tendência para fantasiar pessoas e factos.
 
No ultimo 20 de Novembro comemorou-se no Brasil o Dia da Consciência Negra, data em que morreu Zumbi o lendário líder de armas e rei negro do Quilombo dos Palmares.
 
Relatam as fontes que em 1693, dois anos antes da morte de Zumbi, o quilombo mais famoso do país caiu fatalmente atingido pelo temido bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, após muitos anos de resistência a ataques de 17 expedições de forças coloniais, primeiramente holandesas e depois luso-brasileiras.
                                                                                                                                                                                        
                     
                    Domingos Jorge Velho        
 
                                         Negros dos Palmares
 
Segundo o artigo de Leandro Narboch - O Enigma Zumbi (revista Veja de 15 Nov/2008), apesar das muitas estórias e lendas o nome Zumbi só aparece em oito documentos da época, inclusive naquele em que se relata a morte dele ao Governador de Pernambuco. Conta ainda que pareceres actuais de professores e estudiosos de História desmistificam o que dizem os livros didácticos escolares brasileiros. O quilombo (agrupamento de escravos negros fugidos, ex-escravos, mestiços e brancos pobres e refugiados) longe de formar uma sociedade igualitária como foi idealizado, onde todos tinham os mesmos direitos a terra e ao poder, se espelhava nos modelos culturais africanos de origem, onde a escravidão estava fortemente enraizada desde o século VII, quando o norte da África foi dominado pelos árabes.
 
 
Representação de Zumbi
 
Dizem os pesquisadores que o conceito de liberdade e igualdade na época do Brasil colonial, não fazia sentido político na Europa, muito menos na África. Mesmo em Angola e Congo, de onde provinha a maioria dos escravos negros brasileiros, os reis tribais eram considerados divindades com plenos poderes, servidos por um grande séquito de escravos. Aliados dos portugueses, alguns desses reis enriqueciam com o comércio esclavagista.  
 
Descendente de família de reis africanos, nascido livre e em Palmares, Zumbi era considerado um líder guerreiro. E quando ascendeu como rei do quilombo, substituindo o seu tio, Ganga Zumba,  muito provavelmente teve escravos para seu uso. Acredita-se que a Republica dos Palmares, como era chamado o quilombo pelos luso-brasileiros,  tinha relacionamentos comerciais com aldeias próximas,  e “acordos de interesse” com as autoridades coloniais que foram quebrados pelo  então governante Ganga Zumba. Levantada a contenda, derrotado pela expedição armada do sertanista pernambucano (ou sergipano) Fernão Carrilho, Zumba aceitou a paz. Porém Zumbi e outros chefes não concordaram com as condições do Acordo de Recife (1678), e resolveram continuar as lutas. Até que em 1693 Macaco, o mocambo principal (aldeia do rei), foi destruído. Mais uma vez Zumbi escapou e reorganizou a resistência por mais dois anos. Mas, traído, morreu lutando pela sua liberdade e dos seus companheiros a 20 de Novembro de 1695. Esquartejado, sua cabeça foi exposta em lugar público, como exemplo, seguindo o modelo de pena capital instituído nos paises ibéricos do século XVII para castigar os traidores da pátria, e para desmistificar a lenda de que era imortal.
 
 
Dados: Revista Veja (15 Nov./2008)
Enciclopédia Universal
Tratado do Viventes (Luiz Felipe de Alencastre)
 Wikipédia
 
 Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 30 de Novembro de 2008.

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