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A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS - I

 

 
 
Ministério da Educação
 
Hello Jonh,
 
Este postal que te envio para Washington DC é do dia 8 de Novembro do Ano da Graça de 2008, um Sábado. Esteve um dia enevoado, uma temperatura, nem quente nem fria, de um Outono característico. As árvores já perderam muito da sua folhagem e algumas ruas estão cheias de folhas, aqui na cidade de Lisboa. Houve neste dia uma grande manif de professores a protestar contra o método de avaliação a que estão sujeitos. A foto deste postal é a da frente do Ministério da Educação, a manif a que me refiro é contra a Srª Ministra da Educação. Dizem os professores que não estão contra serem avaliados (também era melhor!), estão, sim, contra a burocracia que envolve a avaliação e que a Srª Ministra se recusa a ouvi-los e a ponderar sobre os conselhos dados pelos professores para alterar o método; método este que envolve que a avaliação seja feita por colegas da mesma escola (professores titulares) que, alguns nem a matéria conhecem, para estarem a avaliar os colegas de trabalho assistindo às suas aulas e perdendo um tempo precioso. Quem foi a cabecinha pensadora que inventou uma barbaridade científica destas? Uma “brutalidade burocrática” como lhe chamaria Eça de Queirós, expressão usada em Cartas de Inglaterra, Cap. III (...opiniões de mesa redonda...).
 
Está aberto um “casus belli”. Não concordo com a atitude da Srª Ministra porque os governantes têm a obrigação, diria mesmo, o dever político e a função pública de Estado, de ouvir os cidadãos; é para isso que são Ministros e são pagos pelo erário público. Mas ao que parece os nossos membros do Governo são mesmo assim; sustentam o seu autismo numa maioria absoluta. Não te soa tudo isto a arrogância? Às vezes o que parece é! Achas que os sindicatos poderiam influenciar assim mais de cem mil profissionais? Ou este descontentamento é genuinamente oriundo do interior das escolas? Pois... Mas também não concordo com os Srs. Professores de querer impor as regras do jogo. Assemelha-se um pouco como a ser-se juiz em causa própria. Está cá um imbróglio daqueles... A tudo isto falta bom senso e arrojo para mudar a situação. Mas, politicamente, aceito a manif, parafraseando Eça que nas mesma Cartas, Cap. X (BRASIL E PORTUGAL) diz que “não se ganha a admiração universal, ou seja nação ou seja indivíduo, só com ter propósito nas ruas, pagar lealmente ao padeiro, e obedecer de frente curva, aos editais do governo civil”. Os Reitores também escreveram ao Sr. Presidente da República e ao Sr. Primeiro-Ministro a chamar a atenção para a eminente situação de ruptura nas Universidades e que esta poderá pôr em risco a sua autonomia. Sabes que já dei esta ideia? O Governo assumia pura e simplesmente o papel de regulador e gestor político, em todas as escolas, dos programas de Educação e deixava aos Srs. Professores que gerissem as escolas dentro dos programas de ensino estabelecidos por lei. É assim que faz a gente crescida, até prova em contrário, deixava trabalhar os outros e fiscalizava o mérito com profissionais conhecedores das matérias das aulas e exteriores às escolas e ao seu funcionamento interno, garantindo a independência da fiscalização. E, em cada ano, apresentava relatórios dos resultados e demitia os professores responsáveis pela gestão danosa das escolas que não cumprissem os objectivos definidos pelo Governo e a que se tinham comprometido a cumprir nos inícios dos anos lectivos. Simples!
 
Então e aí em Washington DC está tudo feliz não é? Claro! Têm razões para estar. O povo americano deu uma lição de democracia e inteligência ao Mundo. Em poucos anos ultrapassaram a insustentável influência do racismo na cultura social americana e sucedeu o que era impensável há bem pouco tempo. O segredo está na vontade de mudança e se quisermos mudar, sim, podemos. Um beijinho à tua Mary, do teu Amigo,
 
Luís Santiago

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