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A bem da Nação

Curtinhas nº 65

 

Quando é que nos veremos livres de tanto político medíocre?
 
v    Se há assunto que revele a insondável tacanhez do político pátrio, são os submarinos.
v    “Um luxo! Um desperdício! Melhor fora que se utilizasse esse montão de dinheiro para repartir pelos pobres – e, já agora, dar melhor passadio aos que conseguem abichar umas migalhas do Orçamento”. Eis os argumentos esgrimidos como estocadas fatais por todos os que se opõem à compra.
v    Não ocorre a tão denodados tribunos comparar a verba orçamentada para os submarinos com o que Assembleia da República, Governo e Autarquias Locais gastam por ano em assessorias e consultorias. Ou com os gastos que, ano após ano, o Tribunal de Contas considera injustificados. Ou com as “derrapagens” nas obras públicas. Contra tudo isso nunca se lhes ouviu um ai. Forçoso é concluir, pois, que o que está em causa não é o montante a despender, mas o destino da despesa.
v    Enquanto cidadãos, esses que se opõem à compra dos submarinos têm todo o direito a expressar publicamente as suas opiniões. Enquanto políticos, porém, só deverão fazê-lo depois de explicarem bem explicado que modelo têm em mente para a acção política de Portugal no contexto internacional, e como é que esse modelo se articula com os argumentos que expendem.
v    São quatro as razões que militam a favor da compra dos submarinos:
Ø          Uma razão histórica (certamente a mais fraca) - Sempre suspeitosos um do outro, Salazar e Franco, concordaram em que a Marinha de Guerra Portuguesa nunca teria navios de linha pesados (cruzadores, porta-aviões) e a Marinha de Guerra Espanhola nunca teria a arma submarina. Daí provém a nossa tradição naval.
Ø          Uma razão estratégica – Uma vez que os dois países ibéricos integram a mesma Aliança Militar, faz todo o sentido que mantenham, no quadro da NATO, a complementaridade de meios navais que o Pacto Ibérico consagrava - sobretudo, quando se trata de assegurar uma dada projecção militar sem duplicações nem desperdício de recursos.
Ø          Uma razão de know-how (Sim! Sim! Know-how) – São poucos os países no mundo que possuem a arma submarina. E são menos ainda as Marinhas nacionais que dominam o uso desta arma com técnicas militares próprias. Ora, em matéria de luta submarina ninguém ensina nada a ninguém – e Portugal construiu ao longo de muitas décadas experiência própria que tem reconhecido valor táctico. Sem novos submarinos, toda essa experiência será inútil e acabará por desaparecer.
Ø          A defesa do interesse nacional – Goste-se ou não, os países, hoje, arrumam-se em quatro grupos: (a) no primeiro grupo, aqueles que têm a arma nuclear; (b) a seguir, aqueles com dimensão demográfica suficiente para manter Forças Armadas dissuasoras e que reúnem investigação, tecnologia e indústria capazes de armar essas Forças Armadas; (c) depois, os que podem e querem dar um contributo credível para Organizações de Segurança Colectiva, Forças de Manutenção de Paz e outras iniciativas transnacionais; (d) os restantes países, esses, não contam no contexto internacional – e só por especial mercê conseguirão fazer ouvir a sua voz.
v    O mais interessante, no argumentário contra a aquisição dos submarinos, é o facto de aí se assumir como prioridade absoluta do Estado mais manteiga - uma ideia de cidadania inteiramente preenchida pelo interesse individual: despensa mais recheada; vida mais folgada; ascensão social para os filhos. Enfim, o paradigma pequeno-burguês.
v    Que sejam precisamente aqueles que se reclamam do pensamento de esquerda, que através de iniciativas “fracturantes” visam desmontar a sociedade burguesa, a perfilhar, agora, um ideário pequeno-burguês é o que mais diverte.
v    Não há quem pratique a boa acção de explicar isto a esses tais?
 
Outubro de 2008
A. PALHINHA MACHADO

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