AÇORES: O RESULTADO?
O RESULTADO FOI O QUE FOI !
Já com algum distanciamento e recusando leituras nacionais, que não faço, vou hoje expor a minha análise quanto aos resultados das eleições regionais dos Açores, com dois pressupostos: um, o da existência do novo círculo regional de compensação, que acrescentou a eleição de 5 mandatos e por onde foram eleitos um deputado do CDS, um do PSD, os dois do BE e o da CDU; o segundo pressuposto é o de que, em 2004, PSD e CDS concorreram coligados, pelo que, comparações com 2004, só por estimativa.
Da esquerda para a direita, o BE foi o único partido que subiu em votos, em percentagem e em mandatos. A CDU perdeu cem votos, subiu 0,35% e elegeu um deputado. Em 2000 elegeu 2, em 2004 perdeu-os e agora recuperou um lugar. Se o círculo regional de compensação existisse em 2004, a CDU teria tido nesse ano um deputado eleito. O PS obteve maioria absoluta elegendo 30 deputados em 57, mas baixou de votação - menos 15.000 votos do que em 2004 e 4.000 do que em 2000 - e a sua maioria absoluta é agora de apenas dois lugares. O PSD e o CDS juntos obtiveram também a mais baixa votação dos últimos oito anos, perdendo 3.700 votos. Em conjunto, subiram, no entanto, percentualmente (2 pontos) e ganharam dois mandatos, à conta do CDS. Na posição relativa destes dois partidos não houve alteração significativa entre o peso eleitoral de cada um deles, quando comparados os resultados com os de 2000. Nesse ano, a votação do PSD representou 77% do somatório da votação dos dois partidos e a do CDS, 23%. Agora, em 2008, a votação do PSD representou 78% e a do CDS, 22%. Se, com base nesta posição relativa, fizermos uma estimativa do que teria cabido a cada um dos partidos nos resultados de 2004 – admitamos, 78% para o PSD e 22% para o CDS -, verifica-se que ambos perderam votos. O resultado obtido pelo CDS-PP não significa, por conseguinte, uma deslocação de eleitores para o partido, que continuou a baixar de votação. No entanto, a eleição dos cinco deputados constituiu uma boa subida para quem elegeu dois deputados em 2000 e 2004. Mas se em 2000 tivesse havido um círculo eleitoral de compensação, o CDS teria então conseguido eleger cinco deputados, exactamente o mesmo número do que agora. Salvo erro, neste ano de 2000, o CDS não elegeu mais dois deputados, mesmo com a lei antiga, um, por um voto e o outro, por dois votos. No entanto, independentemente destas considerações, o facto é que o resultado obtido pelo CDS, não tendo sido o melhor de sempre, foi tido por um bom resultado até tendo em conta os elevadíssimos níveis de abstenção.
E a meu ver há, objectivamente, três grandes responsáveis pelo resultado obtido pelo CDS: o primeiro chama-se Alvarino Pinheiro - o rosto que durante uma década (até 2007) se confundiu com a face dos democratas-cristãos na Região - que entendeu, em 2007, sair de Presidente do CDS-Açores e abrir caminho a uma nova liderança; o segundo é, evidentemente, Artur Lima, o actual líder do CDS-Açores e o terceiro é o CDS-Açores, ele mesmo, isto é, todas as estruturas e militantes dos Açores que souberam mais uma vez trabalhar em espírito de união para benefício do partido. Perguntar-se-á: e Paulo Portas? Paulo Portas fez o que lhe competia, cumpriu a sua obrigação, seguindo, de resto, o que lhe havia sido sugerido. A novidade foi que o que fez o fez pela primeira vez.
A lição que ainda não foi tirada no que diz respeito ao CDS é que o que se passou nos Açores é um exemplo, imperfeito, claro, mas um exemplo sobre o qual o CDS deve reflectir: a dado momento, o Presidente do CDS-Açores disse que iria sair e saiu; ao sair, disse que não iria obstaculizar o Presidente e a Direcção que lhe sucederam; ao dizer que não os obstaculizava, também disse que, se lhe pedissem, apoiaria os novos dirigentes; ora, o que se verificou é que o anterior Presidente do CDS-Açores não só não obstaculizou a acção da nova Direcção como a apoiou, promovendo a união e deixando a nova Direcção conduzir o partido como bem entendesse, pelo menos, até às eleições seguintes. O resultado? O resultado, esse, foi o que foi.
Lisboa, 31 de Outubro de 2008
Martim Borges de Freitas
