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A bem da Nação

LIDO COM INTERESSE – 35

 

 
Título: UM CORAÇÃO SIMPLES
 
Autor: Gustave Flaubert
Tradutor: Maria Emanuel Côrte-Real
Editor: Quasi Edições
Edição: 1ª, Agosto de 2008
 
 
Publicaram há tempos os jornais a fotografia de um agricultor zimbabueano morto, tapado por um lençol e ao lado do corpo estava deitado um cãozito vivo, triste. Fez-me uma pena enorme e confesso publicamente o pecado de ter ficado mais impressionado com o cão, desamparado, do que com o agricultor cujo corpo apenas se adivinhava sob o lençol.
 
Não faz aqui sentido discutir o drama do Zimbabué; apenas refiro o desamparo em que ficam os inocentes quando lhes falta a tutela a que se habituaram. A esse sentimento se refere Flaubert nesta novela quando a criada chora a morte da patroa: «Félicité chorou-a como não se choram os patrões. Aquilo de a Senhora morrer antes dela, isso, perturbava-lhe as ideias, parecia-lhe o contrário à ordem natural das coisas, inadmissível e monstruoso.»
 
Sim, há quem se habitue aos cenários, não consiga imaginar o mundo de modo diferente e se sinta perdido quando uma mudança lhe bate à porta. Não se trata de comodismo, é apenas imobilismo. Misoneismo, pode também ser o caso.
 
Gustave Flaubert (1821-1880) é considerado um alto valor da literatura realista francesa, com uma escrita muito objectiva e da mais pura correcção sintáctica. Em boa hora o ‘Diário de Notícias’ publicou este livrinho de leitura tão agradável, recheado de imagens bucólicas, mesmo a calhar para período estival.
 
Lisboa, Setembro de 2008
 
Henrique Salles da Fonseca
 

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