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A bem da Nação

CRÓNICA DO BRASIL

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
No meio desta monstruosa e aguardada crise gerada pela ganância e o lucro a qualquer custo, ver os governos a salvar, com muitos trilhões, as instituições capitalistas, quando se sabe que tudo isto aconteceu por pura e descarada especulação, ver ainda o que parecia impossível de acontecer, a falência de um país, e ouvir pior, que, quem no final vai pagar a conta são os mais miseráveis, uma pergunta subsiste, gritante, mas aparentemente sem resposta: porque não se salvam primeiro, com esses trilhões os esfomeados do mundo, os deserdados do movimento financeiro, os parias, para que estes possam assim entrar no mercado e ajudar a criar mais riqueza? Financeira e sobretudo humana.
Estes vergonhosos «jogos na bolsa» em que um indivíduo, sentadão, em casa, frente a um computador, pode ganhar, num só dia muitos milhões, sem ter investido um único cêntimo, são um outro imenso grito de vergonha.
Bancos e países a especularem com papéis inúteis ou juros altos, fatalmente levam a desastres económicos. Neste momento assistimos a dois juntos: o esboroar de instituições financeiras fortíssimas e seguríssimas, e à falência do país com o mais alto índice de desenvolvimento humano, a Islândia. Esta subiu os juros para atrair capitais e turistas, e quando chegou o momento da verdade... era tudo mentira! Foi vivendo de peixe e giro falso de capitais, o rendimento per capita atingiu US 60.000, e agora começa um rápido e violento êxodo do ex país das maravilhas para... onde?
O Brasil, insiste nos juros mais altos do mundo, e como é óbvio, mesmo sendo um país rico, o rendimento não chega para pagar esses juros, mas como vai crescendo, os investidores, de olho aberto, vão também fingindo que acreditam. No entanto cresce mais depressa a dívida do Estado do que o bem estar social, apesar dos falsos pregões do governo. E um dia...
No meio deste descalabro, desta Babel mundial onde o diálogo é de surdos e o que mais interessa é vender armas, fingir que se combate o tráfico de drogas, ilegais e legais e estimular a especulação financeira, vemos adormecer nos braços do Senhor uma mulher, religiosa católica, que toda a sua vida a dedicou aos mais pobres do mundo, trabalhando com os catadores de lixo em África e na Ásia, conseguindo com a sua força moral criar escolas, e dispensários, salvando milhares de vidas de inocentes, com a colaboração de judeus e muçulmanos! Onde ela chegava reinava a alegria e o entendimento, a esperança e a vontade de ir sempre mais para a frente e, sem envolver especulações financeiras nem mentiras de armamentos ou drogas, a paz dominava entre todos os credos e as classes sociais com quem tratava.
Uma mulher admirável, cujo principal lema era o amor pode sempre mais! Em certa altura da sua vida, sem jamais interromper o seu trabalho pelos outros, o seu coração bateu por um homem! Ela riu-se, meditou, sabia que tinha entregue o seu corpo e sua alma ao Senhor, e encontrou nesse momento de puro amor terreno a certeza que a fez mais forte e mais dedicada ao seu objectivo.
No Cairo, com os catadores de lixo, face a tamanha pobreza e descaso da sociedade, nascendo naquelas famílias miseráveis crianças atrás umas das outras, a maioria das quais sobrevivia no máximo um ano, incentivou e promoveu a distribuição da pílula anticoncepcional, indo contra as directrizes da Igreja.
Escreveu ao Papa João Paulo II expondo a situação daquele povo e as razões que a levavam a não obedecer aos princípios que Roma expunha. O grande Papa não lhe respondeu por escrito, não podia ir contra a sua doutrina, mas fez-lhe saber que continuasse a sua obra.
Morreu nas vésperas de fazer cem anos. Tranquilamente, enquanto dormia. Foi uma GRANDE mulher. Soube lidar com a mesma alegria e verdade com os problemas pessoais e os do próximo, sem jamais deixar que uns influenciassem os outros. Uma grande líder que afastou da pobreza máxima um sem número de crianças e famílias a quem proporcionou saúde e alegria de viver. Para este tipo de gente crise não existe.
As crises são resultado da falta de Homens, com letra maiúscula. Existem nas sociedades, e só quando se conseguir transformar a sociedade em HUMANIDADE as crises, todas, não voltarão a perturbar.
 
Rio de Janeiro, 22 de Outubro de 2008
 
Francisco Gomes de Amorim

 

A crise e a Irmã Emmanuelle

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