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A bem da Nação

Histórias da Medicina

 
                                         
                                                         
 
Varíola
 
 
Não foram as guerras ou as catástrofes naturais que mais ceifaram vidas na face da Terra, foram as doenças que surgiram com a destruição gradativa da natureza quando se formaram as sociedades humanas. Nesse campo, até em passado recente,  as viroses, dentre elas a Varíola, tiveram lugar de destaque.
 
Suspeitada entre os gregos, no ano de 164 da nossa era cristã a varíola foi observada e descrita em textos históricos com o nome de “peste antonina”, por ter ocorrido no período do império romano de Marco Aurélio Antonino. Conhecida pelos árabes foi por eles muitas vezes confundida com o sarampo, sendo, porém, definitivamente identificada no século XVII, pelo inglês Thomas Sydenhan (1624-1689).
 
Doença provocada pelo POXVIRUS VARIOLAE acometia crianças e adultos, de ambos os sexos, em todas as partes do globo.
 Era temida pelas nações pelas graves consequências que trazia; morte em alta escala na forma mais agressiva, cegueira e/ ou deformidades cicatriciais, na forma mais branda.  Supõe-se que teve origem nas terras da Ásia e que chegou, como outras doenças, até à Europa através das rotas comerciais mediterrâneas que iam e vinham do Oriente.
 
Nos séculos XVII e XVIII, ataques epidémicos destruíam populações europeias em pouco espaço de tempo, arrasavam a vida política e económica dos paises.  Na Alemanha  morriam de 20 a 30 mil pessoas por ano vitimadas pela varíola ou bexiga,  como era vulgarmente chamada. Durante as guerras, quando eclodia, aniquilava exércitos, decidia lutas, acabava com as disputas. E apesar de haver um lado vencedor, em geral, todos sofriam pelas muitas vidas perdidas.  
 
A história da humanidade relata alguns personagens famosos que foram vitimas fatais da varíola:
 - Hugo Capeto, rei dos francos, Maria II da Inglaterra, Irlanda e Escócia, Luis XV da França, Pedro II da Rússia (que morreu aos quinze anos).  Ou menciona aqueles que apesar dela, sobreviveram como:
-  Isabel I da Inglaterra( Elizabeth I), o músico e compositor alemão Ludwig van Beethoven, o presidente americano Abraham Lincoln , o revolucionário russo Josef Stalin.
 
Com os descobridores do Novo Mundo, a doença se expandiu para as Américas e,  muito mais que o poderio militar deles, devastou populações ameríndias inteiras. Só no México matou milhões de pessoas em poucos meses. Para os nativos a aparente imunidade dos europeus à doença era interpretada como um sinal de protecção divina.
 
Na Turquia, no século XVII, vivia um médico grego chamado Emanuele Timoni  que,  em carta ao colega inglês John Woodward (1665-1728),  fez uma detalhada descrição de uma inoculação, em pessoas sadias,  que ele presenciou com agulhas infectadas com material pustuloso de enfermos de varíola, segundo ele, hábito comum entre os povos que habitavam as  regiões próximas ao Mar Cáspio. Provavelmente a primeira ideia relatada  de imunização no mundo. Por coincidência, naquela mesma altura, a esposa do embaixador inglês na Turquia, Lady Marly Wortley Montague (1690-1762), relatou a aplicação da técnica que ela fez com sucesso, em seu próprio filho, quando esteve com sua família em Constantinopla.
 
Mas foi no final do século XVIII, em 1796, na Inglaterra, que o médico britânico Edward Jenner (1749-1823) deu um grande passo para erradicação da doença quando desenvolveu a vacina,  inoculando num menino de 8 anos (James Phipps) material retirado da mão de uma camponesa,  Sarah Nelmes, que se infectara com as pústulas das mamas de vacas doentes.
 
 O medo de epidemias fez com que os serviços de saúde das nações obrigassem até o século passado a imunização de todos os estrangeiros que entrassem no país. Esta medida profilática e programas nacionais de vacinação em massa erradicaram a Varíola em quase todo o mundo desde 1980, segundo a OMS.  
 
No Brasil, uma das ultimas vítimas da doença foi o artista e artesão de argila pernambucano mestre Vitalino, falecido em 1963. Em 1977, um cozinheiro somali chamado Ali Maow Maalin foi noticia em todos os grandes jornais e o último caso oficial de varíola que se conhece.  Mas apesar de tudo isso, o medo de uma epidemia ainda persiste, com a eventual possibilidade da disseminação do vírus, como arma química, numa situação de guerra.  
 
Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 05/10/2008
 
Dados:
JBM Cultural (Jornal Brasileiro de Medicina Cultural) vol. 63, n.o 57.
História Ilustrada da Medicina ( Roy Porter)
Doenças Infecciosas e Parasitárias (Veronesi).
Wikipedia  ( internet)
 
 

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