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A bem da Nação

PASSE DE MAGIA – 16.1.

 

 
PORNOCRACIA
(continuação)
 
Por: DuxBellorum
 
 
Aspectos psicológicos

A maioria dos cargos de direcção é ocupada por homens com mais de 45 anos. Muitos atravessam a chamada “crise de meia-idade”, um período de transição entre a juventude e a velhice. Nesta fase de vida, o homem sofre um decréscimo dos valores hormonais (sobretudo de testosterona), o que se reflecte na diminuição do vigor físico e em alterações psicológicas (mudanças de humor, fragilidade emocional e problemas de auto-estima). A “crise” chega quando o homem maduro começa a questionar o seu próprio valor e a sentir-se decadente.
           
Como a auto-estima é um dos pilares fundamentais do equilíbrio psicológico, o homem de meia-idade produz fantasias tentando fugir à sensação de decadência. Alguns pintam o cabelo, fazem correcções cirúrgicas, recorrem à cosmética e adoptam socialmente uma postura jovial. No entanto, estas “muletas” psicológicas não são suficientes para compensar a sensação de velhice e a necessidade de afecto. A diminuição hormonal e a procura da juventude perdida fazem com que o homem em crise de meia-idade precise de estímulos cada vez mais fortes e procure pessoas jovens para se relacionar social e sexualmente.
           
 
Alguns conseguem ainda seduzir mulheres jovens, mas a maioria já não tem capacidade de atracção suficiente. Por essa razão, recorrem a estratagemas para se conseguirem relacionar com elas.
           
A “prostituta de esquina” não satisfaz os seus desejos. O acto sexual efémero, mecânico e puramente corporal, não é o que este homem procura. A prostituta oferece apenas uma experiência semelhante à masturbação: não tem contexto social, afectivo nem levanta o ego. É degradante, porque dá a sensação que ele só consegue ter companhia abrindo os cordões à bolsa.
         
O que ele quer é uma relação com alguém que tem metade (ou um terço) da sua idade. Nessa relação ele sentirá que ainda tem valor como homem e fá-lo-á experienciar a sensualidade da juventude. Numa palavra, o homem de meia-idade quer ter uma “namorada”. O problema é que ter uma namorada entre os 18 e os 25 anos nem sempre é fácil para quem já tem uma barriga respeitável, umas rugas pronunciadas, papos nos olhos e está completamente “por fora” dos assuntos que interessam à juventude.
           
Para ultrapassar este dilema, o homem de meia-idade inventou um estratagema que depende essencialmente da capacidade de se iludir a si próprio e embarcar em fantasias. Ele arranja uma amante e em troca paga-lhe as contas e oferece favores. As despesas da casa, luxos, transporte diário, viagens e compras de diversa ordem ficam por sua conta, assim como cunhas para arranjar emprego ou ascender na empresa.

No seu íntimo, ele sabe que as suas qualidades como homem não são suficientes para manter aquela mulher ligada a si. Por essa razão, ele próprio toma a iniciativa de oferecer os seus préstimos à jovem que aceitou ser sua amante. No entanto, procura justificar as ofertas que faz, criando uma ilusão. As justificações são normalmente de teor paternalista, do tipo «eu tenho muito dinheiro e devo ajudá-la porque ela precisa». Desta forma, ele convence-se que tem “uma protegida”, o que salvaguarda o seu ego. Ser protector de alguém é muito menos indigno do que ser cliente assumido de uma profissional (prostituta).
           
A relação protector-protegida assume diversas formas consoante a natureza dos participantes. Por vezes é protectora-protegido (gigolô) e outras protector-protegido (homossexual). Em qualquer dos casos existe uma relação de prostituição camuflada, entre um indivíduo mais velho em crise de meia-idade e outro mais novo que não se importa de colher benefícios em troca de uns favores sociais e sexuais.

O modelo que mais contribui para a pornocracia é o de protector-protegida, pelo simples facto de existirem mais homens em situação de oferecer cargos nas instituições. A realidade de um país ser controlado por homens em crise de meia-idade cria necessariamente uma estrutura pornocrata. As protegidas entram nas instituições de forma discreta, de olhos postos no chão, para depois se estabelecerem e passarem a ter capacidade de interferir (e, por vezes, comandar) o rumo dos acontecimentos. Na maioria dos casos, o poder destas prostitutas camufladas deriva do poder de sedução que elas têm em relação aos homens que controlam a instituição, e do conhecimento dos “podres” que eles escondem. Como tal, sedução e chantagem são dois elementos preponderantes da pornocracia.

(Continua)

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