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A bem da Nação

PASSE DE MAGIA – 3.3.

 

 
ACHA QUE TEMOS LICENCIADOS A MAIS?
 
Parte 3
 
O modelo de ensino está claramente desajustado com vista à motivação geral da juventude e essa deve ser razão suficiente para uma reflexão por parte de todos os legisladores do ensino. E não deveriam estes algozes perder mesmo o emprego por manifesta rejeição dos clientes, neste caso a população escolar?
 
O aparelho técnico educativo oficial tem que ser confrontado com a realidade do País pois está a formar ou a deformar a juventude a seu bel-prazer sem que se lhe exijam grandes responsabilidades e, pelas taxas de abandono conhecidas, pode-se dizer que está a esbanjar gerações que no futuro passarão por analfabetas e incompetentes.
 
Estamos a tratar do ensino obrigatório, de cultura geral básica, não de estudos avançados nem sequer de nível médio. Os verdadeiros cientistas formam-se noutros níveis muito mais elevados. Mas o sistema escolar em vigor quer fazer cientistas que pensem do geral para o particular logo à saída do berço e o resultado é um falhanço clamoroso. Poderá ser menos ambicioso em termos intelectuais ensinar do particular para o geral mas tudo nos leva a admitir que a motivação dos jovens seria bem maior do que actualmente em que continua a preponderar o quadro que devia ser preto em vez de suportar tanto pó – do giz que já o entranhou: tecnologia de comunicação do séc. XIX aplicada no séc. XXI.
 
Bem sabemos que vão surgindo algumas experiências de ensino verdadeiramente inovadoras que recorrem às modernas tecnologias de comunicação e que apresentam taxas de sucesso escolar claramente superiores às que se verificavam nessas mesmas Escolas enquanto ministravam os curricula tradicionais com a antiga metodologia. Mas essas experiências continuam a constituir casos isolados de grande mérito local mas ainda sem a força suficiente para moldarem o Ensino na sua generalidade. Não será aqui também caso de passarmos do particular para o geral?
 
Este tipo de questões é da maior relevância para o tecido empresarial que trabalha com gente que tem sido mal preparada para as necessidades da vida moderna, nomeadamente para lidar com tecnologias de ponta. A via profissionalizante continua com relativamente fraca expressão em Portugal. Todos queremos ser Doutores e Engenheiros e ninguém quer ser Técnico intermédio. Se o problema está no título, façamos como os americanos que aos Mecânicos e Electricistas chamam Engenheiro e aos licenciados em engenharia tratam por Senhor.
 
Se passarmos agora para um cenário um tudo menos elementar e observarmos o que se passa com o Ensino Secundário, então vejamos que em 1999, o grupo etário português dos 25 aos 29 anos tinha mais 23,7% de membros com o Ensino Secundário completo do que o grupo dos 55 aos 59 anos. O cálculo foi igual para os outros Estados membro da UE e diz-nos que o progresso educativo (chamemos-lhe inter-geracional) em Portugal foi significativamente menor que nos outros Países da coesão e menor ainda que noutros Países que todos consideramos evoluídos. Contudo, não admira que a evolução percentual tenha sido fraca na Alemanha, na Dinamarca e na própria média da UE pois todos já tinham níveis absolutos de instrução formal muito elevados. Não era esse o nosso caso.
 
Mas é com este cenário humano que temos que lidar e já temos que nos ir mentalizando de que os progressos são muito mais lentos do que aquilo que consideramos necessário. É assim que se torna imprescindível o aparelho produtivo formar a sua própria mão-de-obra. E que sucede nesta perspectiva? O cenário não é brilhante e teremos ainda muito que fazer antes que possamos começar a estar satisfeitos com os progressos que vamos conseguindo.
 
Mas será que vimos seguindo os caminhos correctos? Será admissível o método de baixar o grau de exigência para que o sucesso estatístico aumente? A resposta é certamente negativa. E, no entanto, com os «velhos do Restelo» que por aí andam, temos verdadeiros casos de sucesso.
 
Se eu citar o exemplo da tecnologia nacional da Via Verde nas auto-estradas que vende e instala o processo no estrangeiro, se eu citar a explosão nas comunicações móveis e absorção de todo o processo tecnológico inerente, se eu citar a manutenção aeronáutica de que dispomos, se eu citar o Instituto de Formação Bancária que dá formação também fora de Portugal (Países bálticos, Roménia, Moçambique, Angola, etc.), então há que perguntar se não estamos a funcionar em dois Países simultaneamente: o Portugal de cima e o Portugal de baixo. Mais uma vez a pergunta: vamos lidar com o de cima e esquecer o de baixo ou vamos tentar reduzir o fosso que os separa?
 
Creio que em democracia só podemos ter uma resposta: Portugal é de todos e não temos o direito de esquecer uns para só atender a outros. O que temos é que medir a eficácia das políticas que vimos seguindo e uma das questões mais relevantes que deveríamos desde já colocar é a de sabermos se com os meios postos à disposição dos Ministérios da Educação, do Instituto do Emprego e Formação Profissional e das Universidades, não deveríamos ter progressos muito superiores aos que vimos medindo.
 
(continua)
 
Setembro de 2008
 
Henrique Salles da Fonseca

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