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A bem da Nação

LIDO COM INTERESSE – 33

 

 
Título: A CIGANITA
 
Autor: Miguel de Cervantes
Tradutor: Augusto Casimiro
Editor: Quasi Edições
Edição: 1ª, Agosto de 2008
 
 
Os ciganos e as ciganas, parece, vieram a este mundo só para serem ladrões; nascem de pais ladrões, criam-se entre ladrões, estudam para ladrões e, finalmente, saem-se ladrões sabidos em qualquer situação e o desejo de roubar e o facto de roubar são, neles, acidentes inseparáveis que só perdem quando morrem.
 
Se Miguel de Cervantes vivesse hoje, o mínimo que o esperava seria a excomunhão por parte dos fazedores do «politicamente correcto». Contudo, aquele é o primeiro parágrafo desta narrativa extraída das suas Novelas Exemplares publicadas em 1613.
 
Dir-me-ão que os tempos evoluem e que o que se pensava no início do séc. XVII pode não ser verdade neste início do séc. XXI. Dir-me-ão que se naquela época havia Inquisição, que tais processos de controlo de opinião hoje não fazem sentido. Dir-me-ão muitas mais coisas em abono dos ciganos na certeza, porém, de que eles continuam a ser ladrões, que os que o não são vivem de expedientes mais ou menos criticáveis, que da nossa sociedade tudo exigem, a ela nada se propõem dar e apenas se aplicam em a prejudicar.
 
Portanto, passados 400 anos, Miguel de Cervantes continua actual e a diferença entre os escritos está na frontalidade de então e na hipocrisia de hoje.
 
A tradução portuguesa deve ter conseguido reproduzir as subtilezas que adivinho no original castelhano (La Gitanilla) porque dei por mim a demorar algum tempo mais do que imaginava na leitura deste livrinho de bolso apenas com 94 páginas que comprei como anexo do ‘Diário de Notícias’ de 18 de Agosto deste ano.
 
É claro que não vou aqui contar a história mas apenas quero referir que se ela poderia ter alguma plausibilidade na Espanha de então, já o discurso claramente erudito que Cervantes põe na boca dos ciganos me parece totalmente inverosímil. O realismo literário ainda estaria longe, parece. Essa, mais uma faceta da nossa evolução. Só os ciganos continuam ladrões.
 
Tavira, 1 de Setembro de 2008
 
Henrique Salles da Fonseca

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