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A bem da Nação

A FILOSOFIA DO PODER

 

 
 
 
No plano da relação individual com o materialismo cada pessoa é o centro do seu próprio Universo e o que a cada um respeita nada tem intrinsecamente a ver com aquele cujo ombro roça em ajuntamento momentâneo. Por muita proximidade que haja na geografia ou nas opiniões, isso não obsta a que os Universos sejam diferentes. A vida é de cada um e cada um é efectivamente o centro do seu próprio Universo. Haverá tantos Universos humanos quantas as pessoas que existam; haverá tantos Universos quantos os seres vivos existentes. Esses Universos poderão ser mutuamente estranhos, coincidentes em partes marginais ou significativas mas, na essência, são totalmente independentes. Se o centro desaparece, todo esse Universo deixa pura e simplesmente de existir.
 
Foi para tentar harmonizar essa multiplicidade de Universos que surgiram as normas de convivência. Chamemos-lhe civilidade. E à resistência humana a essas normas trouxeram as religiões a ameaça da ira divina para castigo dos relapsos. É que todas as religiões, para além das matérias de Fé, sempre implantaram códigos de conduta.
 
Quando dizemos que alguém é um selvagem significamos que se trata de pessoa que não cumpre as nossas regras de conduta, que assume comportamentos diferentes daqueles por que esperamos. Mesmo assim, admitimos que esse alguém se reja por um certo código – nosso desconhecido – que lhe define os comportamentos. No verdadeiro sentido etimológico, selvagem é aquele que se rege pela lei da selva. E essa selva tanto pode ser a verde, das árvores, com muitos bichos e poucas pessoas como pode ser a do cimento, a urbana, com poucos bichos e muitas pessoas.
 
Mas sempre deve haver um código de conduta. Nas prisões há regras que devem ser cumpridas, sem o que a vida corre perigo. Podemos não concordar com esses códigos, podemos considerá-los errados, eles podem ofender a nossa ética e a nossa moral. A esses comportamentos que deturpam o nosso sentido do bem e do mal chamamos imorais.
 
Mas, mesmo assim, ainda esse limite pode ser ultrapassado: o desconhecimento do bem e do mal, a ausência de moral, a amoralidade.
 
Eis como podemos possuir uma moral a toda a prova e, contudo, roçarmos o ombro por alguém que seja amoral.
 
E se a moral é a questão dos princípios e a ética a questão dos factos, fácil será admitir que quem não tenha princípios também não tenha um comportamento ético.
 
A globalização conduziu-nos à filosofia do poder e a lógica predominante é a da obtenção do poder, de preferência o absoluto. Não interessa como. A questão não se coloca no campo da imoralidade. Tudo funciona na amoralidade.
 
Agosto de 2008
 
Henrique Salles da Fonseca

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