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A bem da Nação

Curtinhas nº 57

 

Dr. Jeckill v. Mr. Hyde
v    Erro se supuser que o Leitor aplaudiu, talvez sem grande entusiasmo, a ideia de se avançar para modelos de capitalização em matéria de pensões de reforma?
v    Afinal, os sabedores não se cansavam de lhe dizer que o modelo de redistribuição com benefício definido estava em falência e, dada a dinâmica demográfica, assim continuaria por muitas e boas décadas.
v    Erro se supuser que o Leitor arrepela os cabelos ao ver a miséria com que Bancos, Seguradoras, Certificados de Aforro até, estão a remunerar as suas poupanças?
v    Erro se supuser que o Leitor não pára de perguntar a este e aquele se conhecem um Fundo que distribua rendimentos que se vejam e anuncie valorizações como deve ser?
v    Erro se supuser que o Leitor só dormirá satisfeito quando vir as suas poupanças remuneradas acima da inflação (isto é, se obtiver ganhos de rendimento real)?
v    Erro se supuser que o Leitor verá a vida a andar para trás se souber que, nos meses mais próximos, a sua pensão baixará um tanto - sem que ninguém lhe garanta quando é que vão regressar os bons tempos?
v    Erro se supuser que o Leitor ficará de rastos se descobrir que o capital acumulado, por onde será paga a sua reforma, de um dia para o outro encolheu?
v    Ora saiba, Leitor:
v    Que por obra e graça da política Greenspan (próceres e seguidores), os investimentos financeiros com risco insignificante, ou mesmo sem risco, estão, há muito, a proporcionar rendimentos reais negativos (isto é, registam taxas de retorno nominal continuamente inferiores à taxa de inflação);
v    Que são cada vez mais os países que assentam os seus regimes de pensões em modelos de capitalização – e o afluxo das contribuições periódicas para financiar as responsabilidades pensionáveis é, ano após ano, superior ao total das novas emissões de instrumentos financeiros não contingentes (acções, obrigações, papel comercial) investment grade (se se excluir as novas emissões de Dívidas Públicas nacionais);
v    Que a pressão destas contribuições nos mercados financeiros, não só vai comprimindo as taxas de retorno esperadas no futuro, como prenuncia um súbito reajustamento em baixa das cotações, a qualquer momento (eufemismo para o crash de algumas Bolsas);
v    Que esses maraus de olho perspicaz, garra adunca e pêlos no coração que especulam com os preços do crude, das commodities alimentares e de um sem número de outras commodities (desde que a elasticidade-preço das respectivas procuras seja pequena), não todos, mas certamente muitos deles, estão apenas a tentar encontrar remunerações mais decentes para as suas poupanças, caro Leitor, e maior segurança para a sua reforma – enfim, estão a trabalhar para Si.
v    Acredite, Leitor: o jogo que faz tremer os mercados financeiros internacionais é entre nós, aforradores, reformados ou a caminho da reforma, e nós, consumidores habituados às coisas boas da vida – curiosamente, com regras cujo único propósito é proteger os Bancos mais periclitantes (e alguns são).
v    O que faz espécie é o facto de serem justamente aqueles que ontem advogavam, clarividentes, as virtudes dos modelos de capitalização, a bramarem hoje contra as tropelias dos especuladores - sem as quais (tropelias) e sem os quais (especuladores) os modelos de capitalização, afinal, não sobreviveriam.
v    Ontem como hoje saberão esses tais daquilo que falam? Ou dizem só o que lhes vem à cabeça, ao sabor dos seus interesses de momento?
Lisboa, Junho de 2008
A. PALHINHA MACHADO
NOTA: Nas minhas deambulações intra e extra-territoriais, perdi a mensagem na qual o Dr. Palhinha Machado me enviava esta Curtinha e só dei pela anomalia quando publiquei a nº 58.  Apressei-me a pedir o reenvio do texto em falta que publico agora fora da conveniente cronologia. Mas mais vale publicar fora da ordem correcta do que não a publicar. Isso é que seria lastimável. De qualquer modo, um pedido de desculpas ao Autor e aos Leitores. Continuemos... Henrique Salles da Fonseca
 

 

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