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A bem da Nação

Curtinhas nº 58

 

COMPUTADORES, ESSES INCOMPETENTES ÚTEIS
 
v    Corre por aí que a GALP emitiu umas facturas onde mencionava o IVA novo (20%), mas aplicava ainda o antigo IVA (21%).
v    “Erro informático” apressaram-se logo a esclarecer uns quantos porta-vozes autorizados, quando a coisa foi descoberta. E de pouca monta, poderiam ter acrescentado, pois trata-se de uma diferença para mais de, tão-só, 0.83% no total que estaria correcto.
v    Que é um erro em programas informáticos ninguém duvida – e, por isso, o esclarecimento tão prontamente prestado nada esclarece. De facto, não passa pela cabeça de nenhum de nós que a GALP faça ainda as suas facturas à mão.
v    Que é um erro da GALP também todos nós já sabíamos. Pelos vistos só a GALP é que não, já que se referiu sempre aos seus serviços de informática com o mesmo distanciamento com que relataria um episódio bizarro na longínqua corte do Bei de Tunes.
v    Obviamente, não tenho acesso às altas esferas por onde se passeia a nata dos nossos gestores – e onde será, por certo, tido e achado quem dirige, hoje em dia, os destinos da GALP.
v    Mas se o Leitor, por feliz acaso, tiver, peço-lhe que recorde a esses seres sublimes duas ou três verdades comezinhas.
v    Que estamos perante, não de um simples erro de sintaxe num programa esquecido, como os tais porta-vozes querem fazer crer, mas de dois “erros informáticos”.
v    Desde logo, de um erro grave na concepção global da aplicação de facturação (concepção que se designa habitualmente por análise funcional ou especificação funcional) – que, em vez de arrumar todos os parâmetros necessários numa única tabela que as fórmulas de cálculo vão ler, os repartiu por vários programas (pelo menos, um programa de cálculo e outro de edição, como este caso revela à saciedade) a exigir outros tantos carregamentos/actualizações do mesmo valor (aqui, a taxa do IVA).
v    Seguidamente, de uma falha grave nos testes a que a própria aplicação terá sido submetida antes de entrar em uso (Esses testes terão sido feitos? Agora já é legítimo duvidar).
v    E uma falha grave mais. Esta imputável aos auditores da GALP, que não verificaram a fiabilidade da aplicação informática que está na base das receitas correntes da empresa.
v    Se as coisas se passam como este caso deixa entrever, daquela aplicação pode sair tudo, o imaginável e o inimaginável. E qualquer factura pode ser viciada, quer em favor da GALP, quer em seu prejuízo, que ninguém, lá dentro, detectará nada. Ela, a aplicação, coitada, é que não tem culpa de ter sido tão mal parida.
v    Que não é com os 0.83% a mais que a GALP se deve preocupar. Mas com a sua reputação – que ficou pelas ruas da amargura.
v    E mais. Que se tudo isto acontecesse num daqueles países que os nossos experientes gestores tomam como medida das remunerações que crêem merecer, alguém da GALP já teria tido a hombridade de pedir a demissão para não ser liminarmente despedido.
v    Brandos costumes e belo passadio, tudo no mesmo cesto, é ter de dois mundos que são estruturalmente antagónicos o melhor. Dito por palavras simples: é uma sem-vergonhice.
v    A não ser que as coisas não se tenham passado exactamente assim. E que o erro não foi, afinal, erro, mas apenas uma tentativa um bocado canhestra de arrebanhar mais uns cobres, que sempre dariam o seu jeito. Se assim foi, o episódio até tem a sua graça, por associar a golden share do Estado a uma burla desajeitada.
Lisboa, Julho de 2008
 A. PALHINHA MACHADO
 

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