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A bem da Nação

CRÓNICAS DO BRASIL

 

A Amazónia é nossa ... (?)
 

 

 
 
 
 
Há anos que se vem discutindo a soberania da Amazónia, primeiro pulmão da nossa tão maltratada Gaia, tesouro inexplorado de gemas e matérias primas preciosas para as indústrias químicas e farmacêuticas, além das imensas reservas de petróleo e gás, diamantes e ouro, etc.
 
 
 
Verdade, verdadinha, o Brasil não tem prestado a atenção devida àquele imenso território e, sobretudo, ao seu povo, parte do qual vive sem alteração, com a natureza, há talvez uns 10.000 anos! Os que evoluem, vestem um calção, uma camiseta do Flamengo ou do Palmeiras e com um rádio de pilhas acabam na pobreza, nas favelas, nas doenças. Saem da ingenuidade e pureza da pré-história para a última escala da sociedade civilizada!
 
Desmata-se a floresta, leva-se cachaça e tiros para aquelas primitivas gentes, a alguns paga-se bem para que não perturbem a extracção, ilegal, de ouro e diamantes, e o mundo, inteiro, continua de olho em todo aquele, aparentemente inesgotável, potencial.
 
Proliferam ONGs, com a fachada de protecção aos nativos, mas subsidiadas, muitas delas por interesses escusos de capital estrangeiro, interfere a igreja, criam situações de conflito entre nativos, agricultores e as autoridades que deveriam dispor dos meios, ética e determinação, para um desenvolvimento harmonioso e, de repente, aparecem nos órgãos de informação de todo o mundo, imagens de malocas (aldeias) indígenas, intocadas, isoladas, com os seus habitantes ameaçando o avião, que os sobrevoa, com arco e flechas!
 
O mundo grita: SELVAGENS! Selvagens, sim! Não os silvícolas. Os responsáveis que os mantém assim entregues a si próprios, obrigando-os a fugir de invasores inescrupulosos e de narcotraficantes, e a recolher-se no mais inexplorado do que resta ainda daquela selva, em locais onde possivelmente nunca algum alienígena pisou!
 
A aproximação do homem civilizado, a primeira coisa que se lhes leva são as doenças como gripe, pneumonia, sarampo e outras que em poucos dias, contra a total falta de imunidade dos nativos, os dizima quase completamente.
 
Aos que eventualmente sobram negociam-se as terras com documentação falsa, e obrigam-nos depois a escolher entre duas desgraças: a fuga para um interior cada vez mais longe e menos conhecido ou a miséria na aldeia colonizada mais próxima.
 
Todo o mundo se choca ao ver alguns índios, nossos irmãos, vivendo num abandono total, numa pré-história do tempo das viagens interplanetárias!
 
Alguns acham que assim se devem deixar, entregues ao seu viver simples, que alguns teóricos das cidades consideram uma bênção, mas que jamais aceitariam trocar pela comodidade da civilização!
 
Outros entendem que se deve procurar uma aproximação. Lenta. Inteligente. Não os deixando perder a sua cultura!
 
É uma covardia, uma utopia, querer compatibilizar um viver pré-histórico com a informática, a tecnologia moderna e sobretudo com a ganância do lucro e a venda indiscriminada do sexo.
O que sobra da cultura dos cartagineses, dos etruscos, dos francos, dos iberos? Nada. Alguns milhares de anos de evolução fizeram-nas esquecer. Pretender agora que, como golpe de mágica, se tragam os índios para o descalabro do viver dos civilizados, não os deixando perder as suas raízes... é triste e caricato.
 
E então o que fazer? Criar-lhes reservas, ricas, que a ganância internacional vai querer explorar de qualquer modo? Inclusive propondo transformar essas reservas em países independentes para depois os comprarem mais facilmente?
 
O problema é complicado. Humanitariamente ainda mais complicado. Apesar disso alguma coisa deve e tem que ser feita.
 
O fundamental é que o (des)governo brasileiro, primeiro se instrua a si próprio, e depois crie cultura e dignidade para traçar uma política capaz.
 
Enquanto não fizer isso, a região amazónica continuará a ser objecto de discussão e ganância internacional, abandonada à vontade de políticos corruptos ou ineptos, e a ser explorada e arrasada por gente para quem a única coisa que conta é o dia de hoje.
 
E não é só a Amazónia brasileira que está sob mira. Todos os outros países – Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, as três Guianas – têm parte dos seus territórios na região, e enfrentam os mesmos problemas.
 
Voltando aos índios: o que os norte americanos, que agora tanto se preocupam com os amazonenses, fizeram com os sioux, comanches, iroquis, apaches, etc?
 
Será que o mundo pensa em preservar os índios em reservas naturais com visitação paga, barzinho com bebidas típicas e loja de souvenirs, tipo zoológico?
 
De qualquer modo o que não se pode é deixar essas populações, e regiões, ao abandono.
 
É descaso, covardia, traição. Trair aqueles que imaginaram que o país que se criou à sua revelia, faria tudo para os proteger com dignidade.
 
Rio de Janeiro, 2 de Junho de 2008
 
Francisco Gomes de Amorim

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